Entretenimento

Ele Levantou O Cobertor Da Esposa Grávida Esperando Descobrir Uma Traição — Mas O Que Viu Em Suas Pernas Revelou Um Plano Cruel De Sua Própria Família

— Mãe?

Lucas afastou o celular do ouvido e olhou para a tela.

Ligação encerrada.

Tentou retornar imediatamente.

Uma vez.

Duas.

Três.

Na quarta tentativa, o aparelho de Helena já estava desligado.

— Ricardo está com ela — disse Lucas.

André fechou o notebook.

— Não sabemos se ela está em perigo.

— Depois de tudo o que aconteceu com Mariana, não vou esperar para descobrir.

Lucas se inclinou sobre a esposa.

— Vou mandar segurança ficar aqui.

Mariana segurou seu braço antes que ele se afastasse.

— Não vá sozinho.

— Não vou.

— Não estou falando disso.

Ela olhou para ele com uma intensidade que o fez parar.

— Sua mãe acabou de admitir que contratou Patrícia. Talvez esteja dizendo a verdade sobre Ricardo. Talvez não. Você não sabe mais quem está tentando proteger quem.

Lucas permaneceu em silêncio.

Era exatamente isso que mais o assustava.

Durante toda a vida, família significara uma estrutura sólida. Augusto era o centro. Helena, a guardiã. Ricardo, o homem confiável para assuntos jurídicos. Depois da morte do pai, Lucas simplesmente ocupara o lugar vazio.

Agora descobria que talvez aquela estrutura nunca tivesse sido uma casa.

Talvez fosse uma prisão cuidadosamente decorada.

— André vem comigo — decidiu.

Antes de sair, Lucas pediu ao hospital que ninguém, além dele e da equipe médica, tivesse acesso a Mariana. Dois seguranças particulares chegaram poucos minutos depois. Só então ele entrou no carro de André.

A casa de Helena ficava no Jardim Europa, numa rua silenciosa cercada por árvores e muros altos. Lucas crescera ali. Conhecia cada degrau, cada janela, até o rangido da porta lateral.

Quando chegaram, o portão estava aberto.

Aquilo bastou para fazer Lucas sentir que algo estava errado.

O carro de Ricardo estava estacionado diante da entrada.

— Chama a polícia — disse André.

Lucas já caminhava.

— Lucas.

— Chama.

Ele entrou.

— Mãe!

Nenhuma resposta.

A sala estava vazia.

Sobre uma mesa havia uma taça quebrada. Não havia sangue, apenas vinho espalhado pelo tapete claro.

Lucas ouviu vozes vindas do escritório do pai.

A porta estava entreaberta.

Ricardo falava primeiro.

— Você devia ter continuado calada.

Helena respondeu:

— Eu fiquei calada por oito anos. Olha onde isso nos trouxe.

Lucas empurrou a porta.

Ricardo se virou.

Helena estava diante da antiga escrivaninha de Augusto, pálida, mas aparentemente ilesa.

— Sai de perto dela — ordenou Lucas.

Ricardo soltou uma risada amarga.

— Finalmente o grande Lucas Almeida percebeu que existe um problema.

— A polícia está vindo.

— Ótimo.

A tranquilidade dele desconcertou Lucas.

— Talvez seja hora de todo mundo parar de fingir.

Helena olhou para o sobrinho.

— Não faça isso.

— Você já fez.

Ricardo abriu uma gaveta da escrivaninha e retirou um envelope.

— Pergunta para sua mãe quem você é, Lucas.

Helena perdeu a cor.

— Ricardo.

— Cala a boca.

Lucas avançou.

— Não fale assim com ela.

— Ainda defendendo a mamãe?

Ricardo colocou o envelope sobre a mesa.

— Pergunta por que Augusto escreveu que “o primeiro filho nunca deveria ter herdado nada”.

Lucas encarou Helena.

— Me explica.

Ela não respondeu.

— Mãe.

— Seu pai escreveu aquela frase numa época em que estava desconfiando de Ricardo.

Ricardo riu.

— Bonita tentativa.

— É verdade.

— Então conta o resto.

Lucas percebeu lágrimas nos olhos da mãe.

— Que resto?

Helena sentou lentamente.

Parecia ter envelhecido dez anos em poucos segundos.

— Augusto descobriu irregularidades nas empresas.

Lucas olhou para Ricardo.

— Desvios?

— Muito mais — respondeu Helena. — Empresas de fachada, contratos superfaturados, propriedades compradas em nome de terceiros. Seu pai suspeitava que alguém estava retirando dinheiro do grupo havia anos.

— Ricardo?

— Meu pai — disse Ricardo.

Lucas franziu a testa.

O pai de Ricardo, Eduardo Almeida, era irmão mais velho de Augusto. Morrera quando Ricardo ainda estava na universidade.

Helena continuou:

— Eduardo acreditava que deveria ter herdado o controle das empresas do seu avô por ser o filho mais velho. Mas o testamento colocou Augusto no comando.

Lucas olhou novamente para a fotografia.

O primeiro filho nunca deveria ter herdado nada.

Finalmente compreendeu.

— A frase era sobre o tio Eduardo.

Helena assentiu.

— Augusto descobriu que Eduardo havia usado empresas da família para esconder dívidas e desviar recursos. Seu avô descobriu parte disso antes de morrer. Foi por isso que deixou o controle para Augusto.

Ricardo bateu lentamente palmas.

— A versão oficial da família.

— É a verdade.

— Não. É a verdade que Augusto comprou.

Ricardo empurrou o envelope para Lucas.

— Leia.

Dentro havia uma cópia de um documento antigo.

Lucas percorreu as primeiras linhas.

Era um acordo societário.

No final, uma assinatura chamou sua atenção.

Do avô.

Ao lado dela havia uma anotação manuscrita dizendo que Eduardo deveria receber cinquenta por cento do controle.

— Isso contradiz o testamento — murmurou Lucas.

— Exatamente — disse Ricardo. — Meu pai foi roubado.

Helena levantou-se.

— Esse documento é falso.

— Claro que você diria isso.

— Augusto mandou analisá-lo. A perícia confirmou a falsificação.

— Onde está o laudo?

Helena ficou em silêncio.

Ricardo sorriu.

— Desapareceu depois que Augusto morreu.

Lucas sentiu a cabeça pulsar.

— E o que isso tem a ver com Mariana?

O sorriso desapareceu.

Ricardo encarou Lucas.

— Porque Augusto deixou uma cláusula escondida na estrutura patrimonial. Se você tivesse um filho, parte dos ativos que meu pai reivindicava seria transferida de forma definitiva para a próxima geração.

Lucas entendeu.

— Meu bebê.

— Seu herdeiro — corrigiu Ricardo.

Helena aproximou-se do filho.

— Foi por isso que ele começou a agir quando soube da gravidez.

Lucas virou-se para ela.

— E você contratou Patrícia.

A culpa tomou o rosto de Helena.

— Eu descobri que Ricardo estava tentando construir um processo contra Mariana. Queria alguém dentro do apartamento que pudesse observar tudo.

— Então contratou uma enfermeira sem contar para nós?

— Patrícia já tinha trabalhado para seu pai. Eu confiava nela.

— Ela manteve Mariana presa naquela cama!

— Eu não mandei fazer isso!

A voz de Helena se partiu.

— Quando Mariana começou a piorar, Patrícia me dizia que era uma complicação normal da gravidez. Disse que a obstetra sabia.

Lucas sentiu nojo.

— E você acreditou?

Helena baixou os olhos.

A resposta estava ali.

Sim.

Porque acreditar era mais fácil do que enfrentar o que poderia estar acontecendo.

— E as assinaturas falsas? — perguntou Lucas.

Helena olhou para Ricardo.

— Foram dele.

— Prove — respondeu Ricardo.

— Eu posso.

O silêncio caiu.

Até Ricardo pareceu surpreso.

Helena caminhou até uma estante e retirou uma pequena caixa de madeira.

— Augusto não confiava em arquivos digitais no fim da vida. Depois que descobriu as fraudes, começou a guardar cópias fora da empresa.

Abriu a caixa.

Estava vazia.

Helena parou.

— Não.

Revirou o interior.

— Não!

— O que deveria estar aí? — perguntou Lucas.

— Um pen drive e uma chave.

Ricardo observava sem expressão.

Lucas se virou para ele.

— Você pegou?

— Eu nem sabia dessa caixa.

Helena respirava rapidamente.

— A chave abria um cofre que Augusto alugou em Belo Horizonte. Ele disse que, se alguma coisa acontecesse, lá estaria a prova de tudo.

Lucas sentiu uma pequena esperança.

— Onde está a chave?

— Sumiu.

André entrou no escritório naquele momento.

— A polícia está chegando.

Lucas assentiu.

Então seu celular vibrou.

Uma nova mensagem do número desconhecido.

Desta vez havia uma fotografia anexada.

Lucas abriu.

Era Mariana, fotografada dentro do hospital menos de dez minutos antes.

Dormindo.

O coração dele parou.

Abaixo da imagem havia uma única frase:

“Pergunte a ela onde está a chave.”

Lucas ligou imediatamente para o segurança do hospital.

— Entre no quarto da minha esposa agora.

Ouviu passos correndo.

Depois uma porta.

— Senhor Almeida…

— Ela está aí?

— Está. Está dormindo. Está tudo bem.

Lucas respirou novamente.

— Ninguém entra. Ninguém.

Desligou.

Helena estava olhando para a tela dele.

Quando viu a mensagem, levou a mão à boca.

— Não pode ser.

— O quê?

— Mariana não sabe nada sobre o cofre.

Lucas mostrou a fotografia.

— Alguém acha que sabe.

Ricardo aproximou-se.

— Talvez saiba mesmo.

Lucas o encarou.

— O que você quer dizer?

— Mariana nasceu em Minas Gerais. Augusto escondia documentos em Belo Horizonte. Talvez isso não seja coincidência.

— Você está tentando envolvê-la.

— Pergunte a ela.

Lucas queria ignorá-lo.

Mas lembrou-se da fotografia entregue no hospital.

Alguém escolhera Mariana para recebê-la.

Por quê?

Ele ligou.

Mariana atendeu sonolenta.

— Lucas?

— Amor, preciso perguntar uma coisa estranha.

— O quê?

— Você sabe alguma coisa sobre uma chave do meu pai?

O silêncio do outro lado mudou tudo.

Não era confusão.

Era medo.

— Mariana?

Ela começou a chorar.

— Eu queria contar para você.

Lucas fechou os olhos.

— Contar o quê?

— Seu pai foi à padaria dos meus pais antes de morrer.

Helena se apoiou na mesa.

Ricardo ficou completamente imóvel.

Lucas mal conseguiu falar.

— Você conheceu meu pai antes de me conhecer?

— Não. Eu tinha dezessete anos. Só o vi uma vez.

— Por que ele foi até vocês?

— Eu nunca soube. Minha mãe me contou a verdade quando descobriu que eu ia me casar com você.

Lucas sentiu o mundo inclinar outra vez.

— Que verdade?

Mariana respirou fundo.

— Augusto deixou uma coisa com meu pai.

— A chave?

— Sim.

Ricardo avançou um passo.

Lucas levantou a mão, mandando-o parar.

— Onde ela está?

Mariana demorou alguns segundos.

— Eu trouxe para São Paulo depois do casamento.

— Onde?

A resposta veio tão baixa que Lucas quase não ouviu.

— No quarto do bebê.

Lucas já estava indo em direção à porta quando Mariana completou:

— Mas, Lucas… não é só uma chave.

Ele parou.

— O que mais existe?

— Uma carta fechada do seu pai.

— Para quem?

Mariana começou a responder.

Então um alarme disparou do outro lado da ligação.

Vozes surgiram no quarto.

Lucas ouviu Mariana chamar uma enfermeira.

Depois veio um ruído e a ligação caiu.

Ele tentou ligar novamente.

Nada.

Segundos depois, o telefone tocou.

Era o hospital.

— Senhor Almeida? — disse a médica. — Precisamos que o senhor volte imediatamente.

Lucas sentiu as pernas enfraquecerem.

— É o bebê?

— O bebê está estável. É sua esposa.

— O que aconteceu?

A médica hesitou.

— Encontramos uma substância no acesso intravenoso dela que não foi prescrita pela nossa equipe.

Lucas ficou sem respirar.

A médica continuou:

— E precisamos descobrir quem entrou naquele quarto.

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