Entretenimento

Meu Ex-Marido Bilionário Sentou ao Meu Lado no Avião Para Me Humilhar — Então Três Menininhos Saíram de um Carro de Luxo Gritando “Mãe!”

Bernardo ampliou a fotografia com os dedos, como se pudesse arrancar alguma resposta daquela imagem. Eu reconheci imediatamente o quarto do hotel, a cama onde os meninos estavam hospedados e, atrás deles, a silhueta de Augusto Ferraz. Meu primeiro impulso foi ligar para Clara, mas Bernardo segurou meu pulso.

— Não.

— Solte minha mão.

— Se ele está com eles, ligar pode colocar as crianças em perigo.

— Eles estão com Clara!

— E Augusto sabe onde ela está.

Aquela conclusão fez meu estômago se contrair. Peguei novamente o telefone e observei a fotografia. Gabriel, Lucas e Rafael pareciam tranquilos. Nenhum deles estava chorando. Isso significava que Augusto não havia entrado ali para machucá-los. Pelo menos ainda não.

— A mensagem diz que precisavam de três — murmurei.

Bernardo ficou olhando para Rafael.

— Por quê?


— É isso que precisamos descobrir.

Ele pegou a pasta que havíamos recebido de Estela.

— Meu pai sabia que queriam levar uma criança. Talvez tenha descoberto por quê.

Começamos a examinar os documentos no banco do carro. Havia cópias de contratos antigos, registros médicos, transferências bancárias e anotações feitas à mão. Quase tudo parecia incompleto, como se alguém tivesse retirado deliberadamente as páginas mais importantes.

Até que encontrei uma folha dobrada no fundo da caixa.

Era um relatório do laboratório.

Três nomes apareciam no documento.

Gabriel Montenegro Almeida.

Lucas Montenegro Almeida.

Rafael Montenegro Almeida.


Mas abaixo dos nomes havia uma quarta identificação.

“Paciente M-03.”

Olhei para Bernardo.

— O que significa isso?

Ele leu o documento novamente.

— Não sei.

— Seu pai sabia.

— Talvez.

Virei a página.

Havia uma anotação manuscrita.


“Os três apresentam compatibilidade genética com o mesmo grupo de referência. O terceiro apresenta marcador adicional.”

— Marcador adicional — repeti.

Bernardo pegou o telefone e ligou para um geneticista de confiança. Explicou rapidamente a situação e enviou uma fotografia do documento.

Enquanto esperávamos, outra mensagem chegou.

Desta vez, de Clara.

“Venham sozinhos. Antigo laboratório da Montenegro Energia. Rua das Palmeiras. Não tragam polícia.”

Bernardo fechou os olhos.

— É uma armadilha.

— Provavelmente.

— Não vamos.


— Meus filhos estão lá.

— E é exatamente por isso que você não vai.

— Bernardo, passei cinco anos protegendo essas crianças. Não vou ficar parada enquanto alguém decide o destino delas.

Ele me encarou.

— Então eu vou com você.

— Não pedi.

— Eu sei.

Havia algo diferente no olhar dele.

— Mas eles são meus filhos também.

Não discuti.


Seguimos para o antigo laboratório.

O prédio estava abandonado havia anos. As janelas tinham poeira acumulada e parte da placa da empresa havia caído. Entramos por uma porta lateral que estava destrancada.

No interior, o cheiro de produtos químicos antigos ainda permanecia no ar.

Encontramos Clara no corredor principal.

Ela estava sozinha.

— Onde estão os meninos? — perguntei.

— Seguros.

— Quero vê-los.

— Ainda não.

Bernardo avançou.


— Se alguma coisa acontecer com eles...

— Nada vai acontecer.

Clara olhou para mim com lágrimas nos olhos.

— Eu devia ter contado há muito tempo.

— Então conte agora.

Ela respirou fundo.

— Naquela noite, eu fui chamada por Henrique. Ele disse que havia uma criança que precisava desaparecer dos registros.

— Rafael?

— Não sei quem era.

— Você acabou de dizer que não era Rafael.


— Porque não era.

Ela tirou uma fotografia antiga do bolso.

Colocou sobre uma bancada.

Era uma fotografia de três recém-nascidos.

Meu coração disparou.

— Eu conheço essa imagem.

— Conhece uma versão dela.

Clara apontou para o canto.

Havia uma quarta incubadora.

— Havia quatro bebês naquela noite.


O mundo pareceu parar.

Bernardo ficou imóvel.

— Quatro?

— Sim.

— Então quem era o quarto?

Clara balançou a cabeça.

— Não sei.

— Por que esconderiam quatro crianças? — perguntei.

— Porque apenas três eram de vocês.

Meu coração apertou.


— O quarto bebê pertencia a quem?

Clara começou a chorar.

— Ao homem que financiava tudo.

— Augusto?

Ela assentiu.

— Augusto Ferraz tinha uma filha recém-nascida. Ela precisava de um tratamento experimental. Henrique usou o laboratório da empresa para realizar o procedimento.

Bernardo ficou pálido.

— Meu pai descobriu.

— Sim.

— E os três meninos?


Clara respirou fundo.

— Eles foram usados como parte do tratamento.

Eu recuei.

— O quê?

— Não como você está pensando. Não houve troca de crianças. O procedimento utilizou células compatíveis dos quatro recém-nascidos.

Bernardo apertou os punhos.

— Meu pai descobriu isso?

— Descobriu tudo. E tentou impedir.

— Então por que não denunciou?

Clara olhou para ele.

— Porque Augusto ameaçou destruir sua família.

Um barulho veio do andar superior.

Todos nós congelamos.

Passos.

Lentos.

Bernardo levantou os olhos.

— Quem está aí?

Nenhuma resposta.

Então uma voz surgiu no alto da escada.

— Eu.

Augusto Ferraz apareceu.

Mas não estava sozinho.

Ao lado dele estava Helena.

E, pela primeira vez, minha antiga sogra não parecia uma mulher poderosa.

Parecia alguém aterrorizado.

Augusto segurava uma pasta.

— Bernardo, você passou cinco anos odiando a pessoa errada.

Bernardo deu um passo à frente.

— Onde estão meus filhos?

Augusto sorriu sem alegria.

— Onde deveriam estar desde o começo.

Helena fechou os olhos.

Então Augusto abriu a pasta e retirou um documento.

— Porque existe uma coisa que ninguém contou a você.

Ele colocou o papel sobre o corrimão.

— Os três meninos não foram separados por acaso.

Meu coração parou.

Augusto continuou:

— Seu pai descobriu que o nascimento deles estava ligado ao projeto mais secreto da sua empresa.

Ele olhou diretamente para mim.

— E Mariana não era apenas a mãe que eles estavam tentando proteger.

Fez uma pausa.

— Ela era a única pessoa que poderia provar que o projeto existiu.

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