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Ele Convidou A Ex-Mulher “Sem Filhos” Para Humilhá-La No Natal — Então Ela Chegou Com Os Quadrigêmeos Que Ele Abandonou

Por alguns segundos, ninguém tocou no envelope.

Eu me lembrava perfeitamente da resposta que recebera oito anos antes. Estava no hospital, sentada entre quatro incubadoras, ainda fraca demais para caminhar sem apoio, quando uma enfermeira me entregou uma correspondência registrada. O papel tinha o timbre de um escritório de advocacia. A mensagem era curta, fria e definitiva: Marcelo Ribeiro negava qualquer vínculo com as crianças, não desejava contato e tomaria medidas judiciais caso eu continuasse procurando sua família.

Eu acreditara que aquelas palavras eram dele.

— Abra — Marcelo disse.

— Eu já abri há oito anos.

Minha voz saiu mais baixa do que pretendia.

Retirei a carta. O papel estava amarelado, mas a assinatura no final continuava perfeitamente visível.

Marcelo pegou-a.

Observei seus olhos percorrerem as linhas até chegarem ao nome.

— Essa assinatura não é minha.


— Foi exatamente isso que você esperava que eu acreditasse hoje?

Ele ergueu os olhos.

— Keila, eu nunca vi esta carta.

Patrícia permaneceu imóvel junto à mesa.

— Então quem contratou o advogado? — perguntei.

Marcelo examinou o cabeçalho.

— Augusto Ferraz.

O nome provocou uma reação imediata em Patrícia.

Pequena. Quase imperceptível.

Mas eu vi.


— Você conhece esse homem — falei.

— Conhecia.

— Mãe — Marcelo interrompeu. — Augusto foi advogado do papai durante anos.

Patrícia baixou o olhar.

Uma peça que eu nem sabia que existia entrou no quebra-cabeça.

Henrique Ribeiro, pai de Marcelo, morrera cinco anos antes. Durante nosso casamento, ele sempre fora cordial comigo, embora distante. Empresário rígido, obcecado pelo sobrenome da família e pelo futuro do único filho. Eu me lembrava especialmente de uma frase que ele repetira na época em que Marcelo e eu começávamos a falar sobre filhos: “Um Ribeiro precisa saber exatamente o que está deixando para trás.”

Na época, achei antiquado.

Agora aquela lembrança me deu arrepios.

— Foi Henrique? — perguntei.

Patrícia demorou demais para responder.


Marcelo bateu a carta sobre a mesa.

— Foi meu pai?

— Eu não sei tudo o que ele fez.

— Mas sabia de alguma coisa.

Ela respirou fundo.

— Seu pai descobriu a gravidez antes de você pedir o divórcio.

Marcelo empalideceu.

— Como?

— Ele encontrou um exame no seu apartamento.

Olhei para Marcelo.


— Você disse que tinha encontrado aquele exame.

— Nunca encontrei.

Minha garganta secou.

Eu me lembrava daquela noite. Marcelo entrara em casa segurando o resultado positivo, perguntando se eu estava tentando prendê-lo. Eu jamais soubera onde ele o encontrara; apenas presumira que tivesse visto sobre minha escrivaninha.

— Seu pai entregou o exame para você? — perguntei.

Marcelo assentiu lentamente.

— Disse que tinha encontrado no escritório da minha casa.

Patrícia fechou os olhos.

— Ele mentiu.

Marcelo soltou uma risada amarga.


— Parece uma tradição familiar.

As crianças continuavam perto da porta. Eu não queria que ouvissem mais.

— Daniela está no helicóptero com o piloto — falei para Noah. — Levem suas irmãs até lá. Eu vou em cinco minutos.

— Não quero deixar você aqui — ele respondeu.

Meu coração apertou.

— Eu sei. Mas preciso terminar uma conversa de adultos.

Ethan puxou suavemente o braço do irmão.

— Vamos.

Noah hesitou, depois me abraçou. Quando passou por Marcelo, os dois trocaram um olhar que durou apenas alguns segundos. Marcelo parecia querer dizer alguma coisa, mas teve a sensatez de permanecer calado.

Quando a porta fechou atrás das crianças, virei-me para Patrícia.


— Agora conte tudo.

Ela sentou-se.

— Henrique achava que você tinha engravidado para conseguir acesso às empresas da família. Quando soube que eram quatro bebês, ficou ainda pior. Disse que, se Marcelo assumisse as crianças, vocês nunca se separariam e você teria influência sobre tudo.

— Isso é absurdo.

— Eu sei disso agora.

— Agora?

Minha voz saiu cortante.

Patrícia começou a chorar novamente, mas não senti pena.

— Henrique me convenceu de que você destruiria a carreira dele. Eu bloqueei suas ligações. Escondi suas cartas. Mas nunca mandei aquela resposta.

Marcelo segurou o documento.


— Meu pai falsificou minha assinatura?

— Provavelmente.

— “Provavelmente” não basta.

Ele tirou o celular do bolso e fotografou o documento.

— Augusto Ferraz ainda está vivo.

Patrícia ergueu a cabeça rapidamente.

— Marcelo, não.

— Por quê?

— Porque algumas coisas deveriam permanecer enterradas.

Aquela frase mudou tudo.


Eu a encarei.

— Você sabe mais.

— Keila...

— Não use meu nome como se ainda tivesse o direito de me pedir alguma coisa.

Marcelo já procurava um contato no celular.

— Vou ligar para Augusto.

Patrícia levantou-se.

— Hoje é Natal.

— Passei oito Natais sem saber que tinha filhos.

Ele pressionou o botão.


O telefone chamou três vezes.

Uma voz masculina atendeu.

— Marcelo?

A familiaridade da resposta fez meu ex-marido congelar.

— Augusto. Preciso perguntar sobre uma carta enviada a Keila Martins oito anos atrás.

Silêncio.

— Que carta?

— Não faça isso. Tenho o documento na mão. Tem o timbre do seu escritório e uma assinatura falsa minha.

Outro silêncio.

Mais longo.


— Onde você está?

— Na casa da minha mãe.

— Patrícia está aí?

Marcelo olhou para ela.

— Está.

Ouvi Augusto respirar pesadamente pelo viva-voz.

— Então pergunte a ela sobre o acordo.

Patrícia fechou os olhos.

— Que acordo? — Marcelo perguntou.

Augusto não respondeu imediatamente.

— Seu pai me contratou para preparar documentos depois do nascimento das crianças. Mas eu me recusei a falsificar sua assinatura. A carta não saiu do meu escritório.

Olhei para o papel.

— Então como tem seu timbre?

— Henrique tinha acesso a cópias dos documentos da empresa.

Marcelo apertou o telefone.

— Que documentos meu pai queria que você preparasse?

— Uma renúncia de paternidade e um acordo financeiro.

Meu estômago virou.

— Eu nunca recebi dinheiro nenhum — falei.

— Eu sei — respondeu Augusto.

Marcelo franziu a testa.

— Como você sabe?

Houve uma pausa.

— Porque o dinheiro não era para Keila.

Patrícia levou a mão ao peito.

Marcelo percebeu.

Eu também.

— Para quem era? — perguntei.

Augusto suspirou.

— Foram transferidos dois milhões de reais de uma conta de Henrique poucos dias depois do nascimento dos quadrigêmeos.

Olhei para Patrícia.

Ela balançava a cabeça desesperadamente.

— Não.

— Quem recebeu? — Marcelo exigiu.

— Não posso discutir detalhes bancários por telefone.

— Augusto!

— Venham ao meu escritório amanhã. Tenho uma cópia do arquivo que Henrique mandou destruir.

A ligação terminou.

Ninguém falou.

Então meu celular vibrou.

Daniela.

Abri a mensagem esperando que dissesse que as crianças estavam prontas.

Mas havia uma fotografia anexada.

Noah tinha encontrado algo preso sob o banco traseiro do helicóptero: um pequeno envelope que não estava lá quando saímos de São Paulo.

Na frente, escrito à mão, estava meu nome.

Abri a fotografia ampliada.

Debaixo de “KEILA MARTINS”, havia uma única frase:

**NÃO CONFIE EM PATRÍCIA. E NÃO LEVE MARCELO AO ESCRITÓRIO DE AUGUSTO.**

Levantei os olhos.

Patrícia continuava diante de mim.

Mas agora ela não parecia culpada.

Parecia apavorada.

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