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Entrei Na Audiência Do Divórcio Com Meu Bebê De 12 Dias — Meu Marido Trouxe A Amante Grávida, Mas Não Sabia O Que Havia Na Minha Pasta Preta

Guardei o celular sem abrir completamente a planilha. Rafael continuava olhando para mim, e aquele medo em seus olhos confirmou algo que nenhum documento poderia confirmar sozinho: ele sabia exatamente o que eu acabara de receber. Durante anos, eu aprendera a reconhecer suas pequenas mudanças de expressão. O canto da boca que endurecia quando mentia, a mão direita que procurava o relógio quando se sentia pressionado, a maneira como respirava fundo antes de transformar uma acusação em ataque. Naquele momento, porém, não havia arrogância. Havia pânico.

— Quem está mandando mensagens para você? — perguntou.

Eduardo e Álvaro interromperam a conversa.

— Por que isso importa? — respondi.

— Porque estamos discutindo informações confidenciais da minha empresa.

— Nossa empresa — corrigi.

Rafael ficou em silêncio.

A Carvalho Desenvolvimento havia começado muito antes de nosso casamento, mas cinco anos atrás, quando a companhia atravessara sua pior crise, eu vendera dois imóveis herdados de meu pai para impedir que ela quebrasse. Em troca, recebera participação societária. Rafael adorava esquecer essa parte quando falava da empresa em público.

Doutor Augusto percebeu imediatamente a mudança no ambiente.

— Mariana, aconteceu alguma coisa?


Olhei para Rafael antes de responder.

— Recebi informações sobre uma transferência de três milhões e oitocentos mil reais.

Álvaro levantou-se.

— Quanto?

Amanda ficou completamente imóvel.

Rafael tentou recuperar o controle.

— Não faça isso, Mariana.

Aquela frase me atingiu de maneira estranha. Não porque fosse uma ameaça, mas porque havia súplica escondida nela.

— Fazer o quê? — perguntei. — Ler?

— Espalhar informações que você não entende.


Entreguei o celular a Álvaro.

Ele abriu a planilha e aproximou a tela do rosto. Passaram-se alguns segundos até que sua expressão endurecesse.

— Essa conta não consta nos nossos registros oficiais.

Eduardo se aproximou.

— Beneficiário?

Álvaro deslizou o dedo pela tela.

— Horizonte Participações.

Amanda fechou os olhos.

Só por um instante.

Mas eu vi.


— Você conhece essa empresa? — perguntei.

— Não.

Ela respondeu rápido demais.

Rafael bateu a palma da mão na mesa.

— Isso acabou. Augusto, se sua cliente pretende transformar uma audiência de divórcio em investigação corporativa, vamos encerrar agora.

— Minha cliente não está obrigando ninguém a permanecer aqui — respondeu meu advogado. — Mas aconselho que o senhor pense cuidadosamente antes de sair.

Rafael pegou o telefone.

— Estou ligando para meu advogado.

— Faça isso — disse Eduardo. — E informe que o conselho convocará uma reunião extraordinária ainda hoje.

Noah começou a chorar. O som pequeno atravessou toda aquela tensão e, por alguns segundos, nada mais importou. Levantei-me e caminhei até a janela, embalando meu filho devagar. Lá embaixo, a Avenida Paulista seguia viva, carros avançando entre semáforos, pessoas atravessando a rua, ônibus parando. Era estranho perceber que o mundo continuava normalmente enquanto o meu desmoronava.


Foi quando Amanda se aproximou.

— Mariana.

Virei-me.

Ela parou a alguns passos de distância.

— Posso falar com você sozinha?

Soltei uma risada sem humor.

— Agora?

— É importante.

Rafael ouviu.

— Amanda, sente-se.


Ela não obedeceu.

— Você prometeu que estava tudo resolvido.

O rosto dele endureceu.

— Não é hora.

— Quando vai ser? Depois que colocarem tudo nas minhas costas?

Eduardo imediatamente pediu que ninguém saísse da sala.

Amanda respirou fundo.

— A Horizonte não é minha.

— Eu nunca disse que era — respondi.

Ela percebeu o erro.


Rafael avançou um passo.

— Chega.

— Não — Amanda rebateu. — Você disse que eram movimentações temporárias. Disse que devolveria tudo antes da auditoria anual.

Álvaro ficou pálido.

— “Tudo” quanto?

Amanda olhou para Rafael, e percebi que naquele instante a aliança entre eles começava a rachar.

— Eu não sei.

— Amanda.

A voz de Rafael saiu baixa, perigosa.

Ela recuou.


— Eu realmente não sei.

Doutor Augusto abriu um bloco de notas.

— Então explique o que sabe.

Amanda hesitou, mas antes que pudesse responder, o celular de Rafael tocou. Ele olhou para a tela e desligou imediatamente.

Tocou outra vez.

Ele rejeitou.

Na terceira, Eduardo disse:

— Talvez devesse atender.

Rafael saiu para o corredor.

Álvaro continuou examinando a planilha. De repente, aproximou a tela e franziu a testa.


— Mariana, essa transferência não foi autorizada apenas por Rafael.

Meu estômago se contraiu.

— Como assim?

Ele virou o aparelho para mim.

Na coluna destinada à segunda autorização aparecia um nome.

Mariana Carvalho.

Demorei alguns segundos para compreender.

— Eu nunca autorizei isso.

— O sistema diz que autorizou.

— Eu estava no hospital.


A sala ficou silenciosa.

Procurei a data novamente. Quatro dias antes do nascimento de Noah. Naquela noite eu havia sido internada após uma complicação na gravidez e permanecido sob observação até a manhã seguinte.

— Minha assinatura foi falsificada.

Álvaro balançou a cabeça.

— Não funciona assim. Para esse valor, o sistema exige certificado digital e autenticação em duas etapas.

Senti um frio subir pela coluna.

Meu certificado ficava guardado em casa, dentro do escritório que Rafael também usava.

Mas meu celular sempre estivera comigo.

Ou quase sempre.

Uma lembrança surgiu.


Duas semanas antes do parto, eu acordara no meio da noite e encontrara Rafael ao lado da cama segurando meu telefone. Quando perguntei o que fazia, ele respondeu que estava colocando o aparelho para carregar.

Na época, não desconfiei.

Agora, tudo parecia diferente.

— Ele teve acesso ao meu celular — murmurei.

Amanda me encarou.

— Não foi só ao celular.

Todos olharam para ela.

— O que quer dizer?

Ela respirou fundo.

— Rafael tinha uma cópia do seu certificado digital.

Antes que eu pudesse perguntar como ela sabia, a porta se abriu.

Rafael voltou.

Seu rosto estava completamente branco.

— A reunião acabou.

Eduardo cruzou os braços.

— Não acabou.

— Acabou para mim.

Rafael pegou sua pasta.

— Você sair agora será registrado como recusa em colaborar com a auditoria — avisou Álvaro.

Rafael nem respondeu.

Foi até Amanda e segurou seu braço.

— Vamos.

Ela puxou o braço de volta.

— Não vou com você.

O choque no rosto dele foi imediato.

— Amanda.

— Você me disse que a Horizonte era só uma empresa intermediária.

— Cala a boca.

— Você me disse que Mariana nunca descobriria.

Dessa vez ninguém respirou.

Rafael olhou ao redor e percebeu que havia perdido o controle.

Foi então que meu celular vibrou novamente.

O mesmo número desconhecido.

“Pergunte a Amanda quem é o verdadeiro dono da Horizonte.”

Li duas vezes.

Depois ergui os olhos.

— Amanda.

Ela me encarou.

— Quem é o dono da Horizonte Participações?

Toda a cor desapareceu de seu rosto.

Rafael caminhou rapidamente até a porta.

— Não responda.

Amanda começou a chorar.

Não eram lágrimas de culpa pela traição. Era medo.

— Eu nunca conheci pessoalmente o dono — disse ela. — Rafael sempre tratava tudo com um homem chamado Marcelo.

Rafael parou.

Doutor Augusto anotou o nome.

— Marcelo quem?

Amanda enxugou o rosto.

— Não sei o sobrenome. Mas ouvi uma conversa entre eles uma vez. Rafael estava furioso porque Marcelo queria antecipar alguma coisa.

— Antecipar o quê?

Ela abriu a boca.

Nesse momento, as portas se abriram novamente.

Uma recepcionista apareceu, visivelmente nervosa.

— Desculpem interromper. Há um homem aqui insistindo em falar com a senhora Mariana Carvalho.

— Quem?

Ela olhou para uma ficha em suas mãos.

— Marcelo Vasconcelos.

O nome não significou nada para mim.

Até que Rafael deixou cair as chaves que segurava.

O som metálico ecoou pela sala.

Olhei para ele.

— Você conhece esse homem.

Rafael não respondeu.

A recepcionista continuou:

— Ele disse que a senhora talvez não reconheça o nome. Pediu que eu mencionasse outra pessoa.

Meu peito apertou.

— Quem?

Ela hesitou antes de responder.

— Seu pai.

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