Entretenimento

Entrei Na Audiência Do Divórcio Com Meu Bebê De 12 Dias — Meu Marido Trouxe A Amante Grávida, Mas Não Sabia O Que Havia Na Minha Pasta Preta

As batidas de Rafael fizeram Noah chorar ainda mais forte. Levei-o contra o ombro e comecei a embalá-lo, tentando controlar minha própria respiração. Helena permaneceu parada diante da escrivaninha, os olhos fixos na porta. Marcelo parecia ter envelhecido dez anos desde que ela pronunciara o nome do irmão.

— Abra, Mariana! — Rafael gritou do lado de fora. — Você precisa sair daí.

Augusto aproximou-se da janela.

— Ele está sozinho.

— Isso não significa que devemos deixá-lo entrar — disse Marcelo.

Helena soltou uma risada amarga.

— Depois de vinte anos, você ainda acha que fechar uma porta resolve alguma coisa.

Marcelo virou-se para ela.

— Se César está vivo, por que nunca me procurou?

— Talvez porque não confie em você.


A frase atingiu Marcelo em cheio.

Observei os dois. Rafael havia me alertado contra todos que fingiam me ajudar. Naquele momento, pela primeira vez, considerei seriamente que ele pudesse ter dito uma verdade.

— Abra a porta — falei.

— Mariana... — Augusto começou.

— Quero ouvir Rafael.

Helena não gostou, mas destrancou.

Rafael entrou imediatamente. Estava sem gravata, o cabelo desarrumado e o rosto coberto de suor. Nunca o vira daquele jeito.

Seus olhos encontraram Noah primeiro.

Depois Helena.

— Você não tinha o direito.


— Direito? — ela respondeu. — Você disse à sua esposa que eu estava morta.

— E havia uma razão.

— Então diga.

Rafael olhou para todos.

— Não aqui.

— Aqui mesmo — respondi.

Ele respirou fundo.

— César Vasconcelos não desapareceu porque eu fiz alguma coisa com ele.

Marcelo avançou.

— Ninguém disse isso.


— Não precisava. É para onde essa história está indo.

Helena cruzou os braços.

— Então conte por que ele desapareceu.

Rafael permaneceu em silêncio.

Peguei o celular.

— Estou recebendo mensagens de alguém que afirma ser César.

Ele perdeu a cor.

— Não responda.

— Por quê?

— Porque César é um golpista.


Marcelo segurou Rafael pelo paletó.

— Cuidado.

Augusto interveio imediatamente.

— Solte-o.

Marcelo recuou, respirando com dificuldade.

Rafael ajeitou o paletó.

— Seu irmão desviou dinheiro de investidores. Usou minha empresa para movimentar parte dos valores e desapareceu antes que alguém descobrisse.

— Mentira — disse Helena.

— Você estava lá.

Ela ficou calada.


Aquilo me incomodou.

— Helena?

Ela sentou-se lentamente.

— César fez coisas erradas.

Marcelo olhou para ela, incrédulo.

— Que coisas?

— Ele precisava de dinheiro.

— Para quê?

Helena fechou os olhos.

— Dívidas.


Rafael assentiu.

— Muitas.

A versão simples que eu começara a construir se despedaçou. Não havia um vilão de um lado e vítimas do outro. Havia vinte anos de segredos, e cada pessoa naquela casa parecia carregar uma parte diferente deles.

— E a Horizonte? — perguntei.

Rafael me encarou.

— César criou a estrutura original.

— Vinte anos atrás?

— Com outro nome. Depois ela foi reorganizada.

— Por você?

Rafael hesitou.


Foi resposta suficiente.

— Então você continuou usando uma estrutura criada por um homem que chama de golpista?

— Porque havia contratos, ativos, obrigações. Não podia simplesmente apagar tudo.

— Mas podia esconder de mim.

— Eu estava tentando proteger você.

Quase ri.

— Você passou a noite em um hotel com Amanda enquanto eu dava à luz.

Ele abaixou os olhos.

— Não use Noah para justificar suas mentiras.

Rafael parecia querer responder, mas não encontrou palavras.


Foi Amanda quem apareceu de forma inesperada na história novamente.

Meu celular tocou.

O nome dela surgiu na tela.

Atendi no viva-voz.

— Mariana?

Sua voz estava trêmula.

— O que aconteceu?

— Estou no escritório.

— Por quê?

— Voltei para buscar minhas coisas. Rafael cancelou meu acesso aos sistemas.


Rafael se aproximou.

— Desliga.

Ignorei.

— Amanda, diga o que precisa dizer.

Houve alguns segundos de silêncio.

— Encontrei uma coisa.

— O quê?

— Rafael mantinha uma pasta escondida no servidor privado. Eu sabia da existência dela, mas nunca consegui abrir. Hoje a senha estava salva no computador dele.

Rafael tentou pegar meu celular.

Augusto entrou entre nós.


— Amanda — continuei —, o que tem na pasta?

— Arquivos da Horizonte. Contratos antigos. Extratos. Fotografias.

Marcelo se aproximou.

— Existe alguma coisa sobre César Vasconcelos?

Do outro lado da linha, Amanda ficou em silêncio.

— Quem perguntou isso?

— Responda — falei.

— Sim.

Marcelo fechou os olhos.

— Há uma cópia do passaporte dele.

— Data?

Ouvi teclas.

— Emitido há três anos.

Helena levou a mão à boca.

César estava vivo.

Não era mais apenas uma mensagem.

— Onde? — perguntou Marcelo.

— Portugal.

Rafael sentou-se.

Parecia derrotado.

— Você sabia — falei.

Ele não negou.

— Há quanto tempo?

— Três anos.

Marcelo avançou novamente.

— Você sabia que meu irmão estava vivo há três anos?

— Ele me procurou.

— E não me contou?

— César não queria ser encontrado.

— Por quê?

Rafael olhou para mim.

— Porque queria voltar apenas quando pudesse recuperar aquilo que considerava dele.

Meu estômago se contraiu.

— O quê?

Rafael apontou para Noah.

O gesto me fez apertar meu filho imediatamente.

— Não olhe para ele.

— Não estou falando do bebê. Estou falando de você, Mariana.

— Eu?

— Do seu patrimônio.

A sala ficou silenciosa.

Rafael respirou fundo.

— César acredita que parte do dinheiro que seu pai deixou para você veio originalmente dele.

Olhei para Marcelo.

Ele parecia tão surpreso quanto eu.

— Meu pai roubou César?

— Não — disse Rafael. — Antônio comprou ativos quando César desapareceu. Legalmente, tudo foi documentado. Mas César afirma que a venda aconteceu mediante fraude.

Helena balançou a cabeça.

— Você está omitindo uma parte.

Rafael olhou para ela.

— Qual?

— Antônio não comprou aqueles ativos de César.

Helena caminhou até uma estante, retirou um livro antigo e puxou de dentro dele um envelope plástico.

— Comprou de mim.

Marcelo ficou imóvel.

— Você?

— César colocou parte dos bens em meu nome antes de desaparecer. Eu estava apavorada. Antônio ofereceu uma saída.

Ela me entregou uma escritura.

A assinatura de Helena estava ali.

E também a de meu pai.

— Por que meu pai nunca contou?

— Porque prometeu proteger você da origem daquele patrimônio.

— De César?

Helena assentiu.

Meu telefone vibrou.

Outra mensagem.

“Agora você sabe que Helena vendeu o que não era dela.”

Logo depois apareceu uma segunda.

“Pergunte por que Antônio morreu três semanas depois de descobrir que eu estava vivo.”

Meu corpo inteiro esfriou.

Meu pai morrera após um infarto fulminante. Pelo menos era isso que eu acreditava havia seis anos.

Mostrei a mensagem a Augusto.

Ele leu e ficou sério.

Rafael percebeu.

— O que ele disse?

Entreguei o celular.

Rafael leu.

Sua reação foi diferente de todas as anteriores.

Não demonstrou surpresa.

— Você sabia que meu pai tinha descoberto que César estava vivo antes de morrer?

Rafael não respondeu.

— Rafael.

Ele fechou os olhos.

— Sim.

Senti minhas pernas fraquejarem.

— E por que nunca me contou?

— Porque naquela mesma semana seu pai me chamou ao escritório e me fez prometer que nunca colocaria você no meio disso.

— Meu pai morreu três semanas depois.

— Eu sei.

— Existe alguma coisa sobre a morte dele que eu não saiba?

Rafael olhou para Helena.

Depois para Marcelo.

Por fim, para mim.

— Existe.

Ninguém se moveu.

— Na noite anterior ao infarto, Antônio recebeu uma visita.

Meu coração disparou.

— De quem?

Rafael demorou alguns segundos.

— De César.

Marcelo ficou branco.

— Você acabou de dizer que só descobriu há três anos que ele estava vivo.

Percebi a contradição no mesmo instante.

Rafael também.

O silêncio que se seguiu foi brutal.

— Então você mentiu de novo — murmurei.

Rafael abriu a boca.

Antes que pudesse responder, o celular de Marcelo tocou.

Ele olhou para a tela e congelou.

— Número desconhecido.

Atendeu.

Nenhuma voz.

Apenas uma mensagem chegou imediatamente depois.

Marcelo mostrou a tela.

Era uma fotografia tirada do lado de fora da casa naquele exato momento.

Através da janela, podíamos ver todos nós.

Eu.

Rafael.

Helena.

Marcelo.

Augusto.

E Noah nos meus braços.

Abaixo da fotografia havia apenas uma frase:

“Agora estamos todos reunidos.”

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