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Minha Sobrinha Foi Expulsa De Casa Com O Bebê Nos Braços — Mas A Mensagem Do Marido Revelou Um Plano Que Começou Anos Antes

A prisão de Diego e César deveria ter me dado algum alívio.

Não deu.

Quando alguém tenta fugir levando documentos suficientes para movimentar milhões, isso significa que o plano não terminou quando foi descoberto. Significa que alguma parte dele ainda está em andamento.

Diego foi detido primeiro.

César tentou convencer os policiais de que viajavam a trabalho. A história durou menos de dez minutos.

Na mala dele havia cinquenta mil reais em espécie, dois celulares descartáveis, cópias autenticadas de documentos de Mariana e instruções bancárias para contas em Montevidéu e Lisboa.

Também havia um envelope com o nome de Miguel.

Quando o delegado me contou isso, senti uma pressão atrás dos olhos.

— O que tinha dentro?

— Ainda estamos analisando.


Mariana estava ao meu lado.

— Quero saber agora.

O delegado hesitou.

— Era uma minuta de autorização para viagem internacional de menor.

O rosto dela perdeu a cor.

— Assinada?

— Com a sua assinatura.

— Falsa?

— Tudo indica que sim.

Mariana se levantou tão rápido que a cadeira caiu para trás.


— Eles pretendiam levar meu filho.

Renata segurou seu braço.

— A minuta sozinha não significa que conseguiriam.

— Mas significa que pensaram nisso.

Ninguém discordou.

Aquilo mudou novamente a dimensão da história.

Até então, o objetivo parecia ser patrimônio, controle, curatela, guarda.

Agora havia uma rota de saída.

E Miguel estava incluído nela.

Diego pediu para falar com Mariana.


Ela recusou.

Depois pediu de novo.

Recusou novamente.

Na terceira tentativa, o advogado dele informou que Diego estaria disposto a “colaborar” em troca de negociação.

Mariana riu pela primeira vez em dias.

Não de humor.

De incredulidade.

— Agora ele quer colaborar?

Renata perguntou:

— Você quer ouvir o que ele tem a dizer?


Mariana ficou em silêncio.

Depois respondeu:

— Quero.

Eu me virei.

— Tem certeza?

— Não vou encontrar com ele sozinha.

— Isso eu não permitiria.

Ela me olhou.

— Tio, o senhor não precisa permitir.

Aquilo me pegou de surpresa.


Mas era verdade.

Mariana não era mais a mulher que eu encontrara descalça na calçada.

Ela estava começando a escolher por si mesma.

A conversa aconteceu numa sala de entrevista da delegacia, com Renata presente e tudo gravado.

Eu fiquei atrás do vidro.

Diego entrou abatido.

Parecia menor.

Sem a segurança dos últimos anos.

Sem o papel de marido preocupado.

Sem Lídia ao lado.


Sem Paula transformando mentira em documento.

Ele sentou diante de Mariana.

— Eu sei que você me odeia.

Ela não respondeu.

— Mas eu não queria que chegasse nisso.

Mariana inclinou a cabeça.

— Em qual parte exatamente você parou de querer?

Diego baixou os olhos.

— Minha mãe começou tudo.

— Mentira.


Ele ergueu o rosto.

— É verdade.

— Você perguntou a César quanto tempo levaria para ter acesso ao meu patrimônio três semanas antes de se casar comigo.

O sangue sumiu do rosto dele.

— Você viu isso?

— Vi.

Diego respirou fundo.

— Eu devia dinheiro.

— Para quem?

Silêncio.


— Para César.

Aquilo eu não esperava.

Mariana também não.

— Antes de me conhecer?

— Sim.

Diego contou que havia se envolvido em investimentos arriscados e perdido uma quantia grande. César o financiara por meio de pessoas ligadas a Lídia. Quando percebeu que ele não conseguiria pagar, ofereceu uma saída.

Aproximar-se de Mariana.

Casar-se com ela.

Obter acesso gradual aos bens.

— Então foi isso? — Mariana perguntou. — Você me vendeu antes mesmo de me conhecer?


Diego começou a chorar.

— No começo, sim.

Mariana não demonstrou emoção.

— E depois?

— Depois eu me apaixonei.

Eu fechei os olhos por um segundo.

Era exatamente o tipo de frase que homens como ele acreditam que apaga o que veio antes.

Mariana não caiu.

— Você me drogou.

Diego balançou a cabeça.


— Eu não sabia o que os comprimidos faziam.

— Você filmou.

— Paula mandava.

— Você levou meus documentos.

— Minha mãe pressionava.

— Você deixou seu filho recém-nascido sem casa.

Diego ficou quieto.

Mariana se inclinou sobre a mesa.

— Não diga mais que alguém fez você fazer alguma coisa.

Foi a primeira vez que vi Diego realmente recuar.

Então ele falou algo que ninguém esperava.

— Vocês ainda não entenderam.

Renata ergueu os olhos.

— O quê?

Diego olhou para Mariana.

— César não estava fugindo por causa do dinheiro.

— Então por quê?

— Porque Paula ia entregar tudo.

Meu corpo ficou rígido atrás do vidro.

Renata perguntou:

— Entregar para quem?

— Para vocês.

Mariana franziu a testa.

Diego respirou com dificuldade.

— Paula descobriu há duas semanas que César pretendia cortar ela e minha mãe do acordo. Ele já tinha preparado contas só no nome dele.

— Então Paula virou contra César?

— Sim.

— Onde ela está?

Diego hesitou.

— Não sei.

Renata percebeu.

— Você sabe alguma coisa.

— Ela me ligou antes de eu ir para o aeroporto.

— E disse o quê?

Diego olhou para Mariana.

— Disse que tinha feito uma cópia de tudo.

Meu coração acelerou.

— Tudo o quê? — Mariana perguntou.

— Mensagens. Contratos. Áudios. Pagamentos. Os primeiros acordos com César.

Renata se inclinou.

— Onde está essa cópia?

Diego engoliu em seco.

— Ela não me disse.

— Então por que isso importa?

Diego fechou os olhos.

— Porque tem uma coisa lá que vocês ainda não sabem.

Mariana ficou imóvel.

— Diga.

Ele demorou.

— A morte dos seus pais.

Eu senti o chão desaparecer.

Mariana não respirou.

Diego continuou:

— César sempre dizia que o acidente resolveu um problema antes da hora.

Renata ficou branca.

— Que acidente?

— O acidente de carro dos pais dela.

Mariana se levantou.

— Não.

Diego levantou as mãos.

— Eu não sei se foi ele. Juro. Eu só ouvi frases. Minha mãe dizia que não queria saber. Paula mandava ele parar de falar.

Atrás do vidro, eu já estava indo para a porta.

O delegado me segurou.

— Coronel.

— Ele está dizendo que meu irmão foi assassinado.

— Ele está dizendo que ouviu insinuações.

— Para mim basta.

— Para um tribunal, não.

Eu parei.

Ele tinha razão.

E eu odiava isso.

Duas horas depois, o delegado recebeu confirmação de que Paula havia desaparecido.

O telefone estava desligado.

O apartamento vazio.

O carro fora encontrado num estacionamento perto da Rodoviária do Tietê.

Mas dentro do veículo havia uma coisa.

Um pen drive preso sob o banco do passageiro.

Nele havia apenas três arquivos.

Um extrato.

Um áudio.

E uma gravação de vídeo.

Assistimos primeiro ao áudio.

Era a voz de César.

Mais jovem.

Conversando com alguém.

“Eduardo não vai ceder.”

Uma voz feminina respondeu:

“Então espera.”

César:

“Não dá mais para esperar. Ele descobriu os desvios.”

A mulher perguntou:

“E Antônio?”

César respondeu:

“Está fora do estado esta semana.”

Eu parei de respirar.

A gravação tinha data de três dias antes da morte do meu irmão.

Mariana começou a chorar.

Mas o delegado apontou para o terceiro arquivo.

— O vídeo.

Na gravação, Paula aparecia sentada diante de uma câmera.

Olheiras profundas.

Sem maquiagem.

Apavorada.

— Se vocês estiverem vendo isso — ela começou — então César já sabe que eu copiei os arquivos.

Mariana levou a mão à boca.

Paula continuou:

— Diego e minha mãe sabem muito sobre o que fizeram com Mariana. Mas o plano começou antes deles. César escolheu Diego. Eu fiz a aproximação. Eu participei. Não vou mentir sobre isso.

Ela respirou fundo.

— Mas houve uma coisa que eu só descobri depois.

A tela pareceu ficar pequena demais.

— O acidente dos pais de Mariana não foi acidente.

Mariana soltou um som abafado.

Paula olhou diretamente para a câmera.

— E eu tenho a prova.

Ela ergueu um envelope.

— O original está num lugar onde César não consegue entrar sem Antônio Ribeiro.

Eu senti o sangue gelar.

Paula continuou:

— Coronel, seu irmão deixou uma última proteção. Mas ela só funciona se você lembrar o que Eduardo disse na última vez em que vocês discutiram.

A gravação terminou.

Eu fiquei olhando para a tela preta.

E então me lembrei.

Seis anos antes.

Dois dias antes da morte dele.

Eduardo e eu discutimos no telefone.

Ele parecia paranoico.

Assustado.

Eu disse que ele precisava descansar.

Ele respondeu apenas:

— Se alguma coisa acontecer comigo, não confie no cofre. Confie no lugar onde nosso pai guardava aquilo que não podia perder.

Na época, achei que ele falava por metáfora.

Agora não.

Mariana olhou para mim.

— O senhor sabe onde é?

Demorei alguns segundos.

Depois respondi:

— Sei.

E, pela primeira vez desde o início, eu entendi que a última peça daquela história não estava com Diego, Lídia, Paula ou César.

Estava escondida havia seis anos num lugar que apenas dois irmãos conheciam.

E um deles estava morto.

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