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Minha Sogra Raspou Meu Cabelo Na Noite Da Minha Promoção — E Meu Marido Mandou Eu Obedecer

Patrícia foi levada para prestar depoimento antes mesmo do meio-dia.

Eu não participei do interrogatório.

Não podia.

Qualquer informação ligada a Rafael precisava permanecer fora da minha cadeia de comando.

Ainda assim, quarenta minutos depois, Camila entrou na minha sala com uma expressão que me disse que alguma coisa havia mudado.

— Patrícia pediu proteção.

Endireitei-me na cadeira.

— De Rafael?

— De Rafael e de outras pessoas.

Aquilo eliminou qualquer esperança de que estivéssemos lidando apenas com um caso de adultério misturado a fraude financeira.


— O que havia na pasta?

Camila fechou a porta.

— Documentos de pagamentos. Cópias de transferências. Contratos de fachada. E um dispositivo de armazenamento.

— Ligado a Sokolov?

— A empresa dele aparece várias vezes.

Meu estômago se contraiu.

— E Rafael?

— Também.

Ela se sentou diante de mim.

— Patrícia afirma que conheceu Rafael por causa de uma negociação imobiliária há quase dois anos. O relacionamento começou alguns meses depois.


Fechei os olhos por um instante.

Dois anos de mentiras.

Dois anos em que ele voltava para minha cama, reclamava das minhas viagens, criticava meu trabalho e me fazia acreditar que eu era a responsável pelo distanciamento entre nós.

— Continue.

— Segundo ela, Rafael começou a pedir que alguns imóveis fossem usados para movimentar dinheiro de clientes que ele chamava de investidores estrangeiros.

— Ela sabia de onde vinha?

— Diz que não no início.

Camila fez uma pausa.

— Depois percebeu que os valores não faziam sentido.

Patrícia havia guardado cópias dos documentos porque começou a desconfiar de Rafael.


A casa comprada com o dinheiro roubado de mim não fora apenas um presente para a amante.

Segundo Patrícia, Rafael dizia que aquele imóvel seria o lugar onde os dois viveriam assim que “a situação em Brasília estivesse resolvida”.

Resolvida.

A palavra me causou um frio no corpo.

— Ela sabia que ele era casado?

Camila desviou o olhar por um segundo.

— Sabia.

Aquilo doeu.

Mas não era mais a pior coisa naquela sala.

— E a pasta?


— Patrícia começou a reunir provas quando Rafael pediu que ela abrisse uma empresa para receber transferências de fora do país. Ela recusou.

— Quando?

— Há três semanas.

Três semanas.

Pouco antes da confirmação da minha promoção.

— Foi quando ele começou a ficar agressivo com ela também — continuou Camila. — Patrícia diz que Rafael exigiu os documentos de volta várias vezes.

Olhei para a fotografia do estacionamento.

Agora entendia por que ele tentava arrancar a pasta das mãos dela.

— Por que ela foi encontrá-lo hoje?

— Rafael ligou dizendo que precisava fugir de Brasília e que ela deveria levar tudo.


— Fugir?

— Essas foram as palavras dela.

Fiquei em silêncio.

O homem que poucas horas antes ordenava que eu voltasse para casa já estava planejando desaparecer.

Meu telefone vibrou.

Era minha advogada.

Atendi imediatamente.

— Encontramos outra irregularidade — disse ela.

— Qual?

— Rafael tentou usar uma procuração em seu nome.


Senti o corpo endurecer.

— Eu nunca dei procuração a ele.

— Eu sei.

Ela enviou o arquivo.

Abri.

Mais uma vez, minha assinatura estava ali.

Mais uma falsificação.

O documento supostamente permitia que Rafael administrasse bens, realizasse operações bancárias e negociasse propriedades em meu nome.

A data era de sete meses antes.

Exatamente o mesmo período em que o programa de acesso remoto aparecera no meu notebook.


— Isso foi usado?

— Pelo menos duas vezes.

— Onde?

— Na tentativa de alterar informações cadastrais de um investimento seu e numa consulta relacionada ao imóvel em Brasília.

Minha respiração ficou mais lenta.

Não por calma.

Por raiva controlada.

Durante sete meses, Rafael vinha construindo mecanismos para tomar meus recursos enquanto monitorava minha rotina.

Aquilo não tinha começado depois da promoção.

A promoção apenas acelerara alguma coisa.


Às treze horas, Almeida me chamou para outra sala.

Dois oficiais de contrainteligência estavam esperando.

Sobre a mesa havia fotografias de Rafael, Patrícia, Sokolov e outros três homens que eu não conhecia.

— Coronel — disse Almeida —, precisamos fazer uma pergunta difícil.

— Faça.

— Rafael já tentou obter detalhes sobre operações, pessoal ou estruturas da inteligência militar diretamente com a senhora?

Minha primeira reação foi negar.

Então comecei a lembrar.

Perguntas casuais.

“Quem vai assumir aquela divisão?”


“Você vai trabalhar diretamente com o general?”

“Essas reuniões com estrangeiros são frequentes?”

“Você sabe quem decide quais empresas podem fornecer equipamentos ao Exército?”

Na época, eu respondia com frases genéricas ou dizia que não podia discutir trabalho.

Rafael sempre ria.

Dizia que eu levava sigilo sério demais.

— Sim — respondi. — Ele perguntava.

Um dos oficiais tomou nota.

— Com que frequência?

— Nos últimos meses, mais do que antes.


— A senhora forneceu alguma informação restrita?

— Não.

— Algum nome?

Pensei.

— Nomes públicos, talvez. Oficiais citados em cerimônias ou notícias. Nada protegido.

O homem assentiu.

— Isso é importante.

Almeida colocou diante de mim uma cópia de um registro bancário.

— Encontramos pagamentos para Rafael.

Os depósitos vinham de uma empresa brasileira de consultoria.

O nome parecia comum.

Mas os investigadores haviam rastreado a propriedade até uma cadeia de empresas que terminava num grupo ligado ao representante estrangeiro.

— Quanto? — perguntei.

— Mais de trezentos mil reais ao longo de onze meses.

Meu coração acelerou.

Rafael ganhava pouco na concessionária.

Sempre dizia que estava endividado.

Mesmo assim, trezentos mil reais haviam passado por contas que eu desconhecia.

— E ele gastou?

— Parte.

O oficial deslizou outro documento.

Hotéis.

Restaurantes.

Viagens para Goiânia.

Pagamentos de um apartamento por temporada.

Presentes.

A vida paralela com Patrícia.

Mas havia também saques em dinheiro vivo.

Valores altos.

— Não sabemos o destino desses saques — explicou.

Foi então que Camila entrou apressada.

— Temos um problema.

Todos olharam para ela.

— Rafael voltou para casa.

Levantei-me imediatamente.

— Por quê?

— Não sabemos. A equipe manteve distância porque ainda aguardávamos autorização para busca.

Meu peito apertou.

Dentro daquela casa havia computadores, documentos, correspondências e talvez provas que ainda não conhecíamos.

— Helena está lá?

— Sim.

— Então eles podem destruir tudo.

Camila assentiu.

— O pedido de busca está sendo analisado neste momento.

Quase dez minutos depois, a autorização chegou.

Eu permaneci no quartel.

Foi uma das coisas mais difíceis que já fiz.

Meu instinto exigia ação.

Meu dever exigia distância.

A equipe entrou na residência às quatorze e sete.

Rafael já não estava lá.

Helena foi encontrada na cozinha.

Segundo Camila, tentou impedir os investigadores de acessar o escritório e afirmou repetidamente que “aquela casa também pertencia ao filho dela”.

A casa que eu havia comprado.

A casa refinanciada com minha assinatura falsificada.

Trinta minutos depois, recebi uma chamada de vídeo de Camila.

— Preciso que você identifique uma coisa.

Ela virou a câmera.

Meu escritório estava parcialmente desmontado.

Uma gaveta havia sido retirada.

Atrás dela existia um espaço que eu nunca tinha visto.

Dentro, os investigadores encontraram um segundo celular, três cartões bancários em nomes diferentes e uma pequena caixa metálica.

— A caixa estava trancada — explicou Camila.

Quando a abriram, havia dinheiro vivo.

Muito dinheiro.

E um envelope.

Na parte externa estava escrito apenas:

“MA — acesso inicial.”

Meu corpo ficou frio.

MA.

Marcelo Almeida.

O general responsável por minha unidade.

— Abra — pedi.

Camila não tocou.

Um perito fez isso.

Dentro havia fotografias do general Almeida entrando e saindo de reuniões, registros de veículos oficiais e anotações sobre horários.

Na última folha havia uma lista de quatro nomes.

O meu era o terceiro.

Ao lado dele estava escrito:

“Promoção confirmada. Acesso potencial aumentado.”

Ninguém precisou explicar.

Rafael não estava apenas espionando minha rotina.

Alguém vinha avaliando até onde ele poderia chegar por meio de mim.

E, abaixo do meu nome, havia uma anotação feita à mão:

“Se assumir o comando, neutralizar acesso imediatamente.”

Olhei para aquelas palavras até meu estômago se fechar.

Na madrugada anterior, Helena tinha raspado meu cabelo.

Rafael havia comprado a máquina.

E os dois exigiram que eu abandonasse o Exército na manhã seguinte.

Pela primeira vez, a ligação entre tudo deixou de parecer apenas uma hipótese.

Talvez a humilhação tivesse sido apenas o primeiro método.

E, se eu tivesse recusado abandonar minha carreira naquela casa, eu ainda não sabia qual seria o segundo.

Continua — clique na Parte 6 para continuar lendo.

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