Entretenimento

Grávida de seis meses, fui espancada pelo meu marido às 5 da manhã — então a casa inteira ficou no escuro

O desenho de Luísa ficou gravado na minha cabeça.

**Tiago disse que o bebê dela vai morar com o mesmo homem que queria me levar.**

Alexandre já estava no corredor quando Daniela chamou por ele.

“Espera.”

Ele se virou.

“Cada minuto que passa—”

“Eu sei. Mas correr atrás de uma van sem placa não vai encontrar Luísa.”

Ela ergueu a pequena chave de número 27.

“Isso talvez encontre.”

Paulo assentiu.


“Se o arquivo ainda estiver lá.”

Daniela ordenou que uma equipe fosse imediatamente à antiga rodoviária central. Outra começou a rastrear todas as vans brancas registradas nas câmeras próximas ao hospital.

Alexandre permaneceu ao meu lado apenas até dois policiais assumirem a proteção da porta.

Antes de sair, segurou minha mão.

“Eu vou trazer aquela menina de volta.”

“Viva.”

Ele me encarou.

“Viva.”

Quarenta minutos depois, Daniela recebeu a primeira notícia.

O armário 27 existia.


Dentro havia um notebook antigo, três pen drives, cópias de certidões e um caderno preto com nomes escritos à mão.

Paulo fechou os olhos quando ouviu.

“Camila conseguiu.”

Daniela conectou-se à equipe por vídeo seguro.

As primeiras páginas digitalizadas apareceram no tablet.

Datas.

Valores.

Iniciais de mães.

Nomes de clínicas.

Depois, uma coluna chamada DESTINO.


Eu senti náusea.

Cada linha representava uma criança.

Algumas tinham uma palavra ao lado:

**ENTREGUE.**

Outras:

**PENDENTE.**

Daniela rolou a tela.

Então parou.

**L.F. — 8 anos — PENDENTE.**

Luísa Ferreira.


Ao lado havia um código.

**V-14.**

Paulo empalideceu.

“Eu conheço esse código.”

“Quem é?”, perguntou Daniela.

“Não é uma pessoa. É um contrato.”

Alexandre falou pelo telefone:

“Explique.”

“Ricardo não registrava clientes pelo nome nos documentos principais. Cada comprador recebia um código.”

“Então descubra quem é V-14.”


Paulo apontou para o caderno.

“Procurem uma página de correspondência.”

A equipe encontrou.

Daniela aproximou a tela.

V-14 estava ligado a um nome.

**Augusto Valença.**

Nunca tinha ouvido falar dele.

Mas Daniela, sim.

“Valença?”

Ela digitou rapidamente no tablet.


“Empresário. Dono de empresas de logística e propriedades rurais.”

Paulo completou:

“Foi um dos primeiros homens que negociaram com Ricardo.”

Meu coração disparou.

“Foi ele que queria Luísa quando nasceu?”

“Sim.”

“E agora está levando ela?”

“Se Tiago disse a verdade, provavelmente.”

Daniela pediu localização das propriedades registradas em nome de Augusto.

Havia várias.


Mas uma delas chamou atenção.

Um antigo sítio a menos de cinquenta quilômetros da cidade.

Câmeras de uma rodovia próxima haviam registrado uma van branca seguindo naquela direção vinte minutos antes.

Alexandre não esperou.

“Estou indo.”

Daniela enviou equipes policiais junto.

Eu queria ir também.

Meu corpo tentou se levantar antes que minha cabeça lembrasse das dores.

A médica entrou quase imediatamente.

“Nem pense nisso.”


“Luísa—”

“Seu bebê também precisa de você.”

Aquilo me fez parar.

Coloquei a mão sobre a barriga.

Duas crianças.

Uma desaparecida.

Outra ainda dentro de mim.

Eu precisava proteger pelo menos uma delas naquele momento.

A espera foi pior que qualquer dor física.

Quarenta e cinco minutos.


Depois uma hora.

Nenhuma notícia.

Então o celular de Daniela tocou.

Alexandre.

Ela colocou no viva-voz.

“Encontramos a van.”

Meu coração parou.

“Luísa?”

“Não estava dentro.”

Fechei os olhos.


“Mas havia sangue no banco traseiro”, continuou ele.

Minha respiração falhou.

“De quem?”

“Ainda não sabemos.”

Daniela perguntou:

“E o sítio?”

“Estamos entrando.”

Ouvi ordens, passos, portas sendo abertas.

Depois silêncio.

Longo demais.

“Alexandre?”

Nada.

Então a voz dele voltou.

“Tem um porão.”

Meu estômago se contraiu.

Barulho de metal.

Uma porta.

Alguém gritando.

Depois Alexandre:

“Luísa!”

Ouvi um choro distante.

Minhas lágrimas vieram imediatamente.

“Ela está viva?”

Segundos intermináveis.

Então:

“Está viva.”

Cobri o rosto com as mãos.

A médica ao meu lado soltou o ar.

Daniela perguntou:

“E Valença?”

“Preso.”

Aquilo deveria ter encerrado alguma coisa.

Mas Alexandre continuou.

“Tem mais gente aqui.”

“Quem?”

“Dois homens ligados à clínica. E documentos.”

Paulo ficou rígido.

“Que documentos?”

“Fotos de crianças. Endereços. Pagamentos recentes.”

Daniela endureceu.

“O esquema ainda estava funcionando.”

“Sim.”

Então ouvimos uma voz pequena ao fundo.

“Quero falar com ela.”

Meu coração apertou.

Alexandre aproximou o telefone.

“Ela está ouvindo.”

A voz de Luísa veio fraca.

“Você está bem?”

Eu comecei a chorar.

“Estou, querida.”

“E o bebê?”

“Está aqui comigo.”

Ela ficou em silêncio.

Depois perguntou:

“Minha mãe está viva mesmo?”

Olhei para Daniela.

“Está.”

“Ela vem?”

Não consegui responder imediatamente.

Daniela pegou o telefone.

“Luísa, estamos trabalhando para trazer sua mãe até você com segurança.”

A menina começou a chorar.

Mas dessa vez não parecia medo.

Parecia esperança.

Horas depois, Luísa voltou ao hospital sob escolta.

Quando passou pela porta do meu quarto, correu até a cama e me abraçou com cuidado.

Seu corpo tremia inteiro.

“Eles disseram que iam me levar para longe.”

“Não vão mais.”

Ela olhou para Paulo.

Reconheceu a pulseira azul.

“Foi você que falou com minha mãe?”

Paulo assentiu.

“Há muito tempo.”

Luísa abriu a mão.

Dentro havia um pequeno cartão dobrado.

“Eu peguei isso do homem no sítio.”

Daniela recebeu.

Era uma lista.

No topo estava escrito:

**OPERAÇÃO FINAL — SANTA AUGUSTA.**

Abaixo havia três nomes.

Camila Ferreira.

Luísa Ferreira.

E o meu.

Mas meu nome estava acompanhado de outra anotação:

**PARTO ANTECIPADO — 06:00.**

Olhei para o relógio do quarto.

5h17.

A médica empalideceu.

“Eles planejavam induzir o parto.”

Daniela já estava chamando reforços.

Então a porta do corredor se abriu violentamente.

Uma enfermeira entrou correndo.

“Encontramos doutor Álvaro Mendes.”

“Prendam ele.”

“Não podemos.”

“Por quê?”

Ela olhou diretamente para mim.

“Porque ele já entrou no centro obstétrico usando outro crachá.”

Meu coração disparou.

“E o que ele foi fazer lá?”

A enfermeira respondeu:

“Preparar uma sala cirúrgica com o seu nome.”

**Continua — clique na Parte 9 para continuar lendo.**

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