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Meu Ex-Marido Bilionário Achava Que Eu Ainda O Queria… Até Três Meninos Saltarem De Um Bentley Gritando “Mãe!” E Um Segredo De 38 Anos Destruir Sua Família

Nathan não perdeu tempo perguntando se Rafael tinha certeza. Pegou o telefone e cancelou a chamada que estava prestes a fazer para Eduardo. Durante alguns segundos, permaneceu olhando para o nome do advogado na tela, tentando reorganizar quase quinze anos de confiança. Eduardo Salles não era apenas o advogado da Vasconcelos Energia. Estivera no funeral de Roberto, negociara os primeiros contratos internacionais, organizara o divórcio de Nathan e Carolina e, durante anos, fora uma das poucas pessoas autorizadas a entrar na casa de Margarida sem anunciar a chegada.

— Se Eduardo está envolvido, ele sabe que pedimos o prontuário — disse Carolina.

— Sabe — respondeu Nathan. — Eu mesmo contei.

O medo deixou de ser abstrato. Carolina foi imediatamente ao jardim, chamou os três filhos e pediu a Marcelo que mantivesse portões e portas fechados. Não explicou a razão. Gabriel, porém, percebeu a mudança.

— Aconteceu alguma coisa ruim?

Carolina se abaixou diante dele.

— Só precisamos ficar juntos hoje.

Nathan observou de longe. Aquela simples frase mostrou tudo que ele havia perdido. Carolina não escondia o medo dos filhos com mentiras; transformava-o em segurança. Ele, ao contrário, passara anos acreditando que proteção significava controlar informações.

Rafael interrompeu seus pensamentos.

— Se queremos o prontuário, não podemos usar ninguém ligado à empresa.

Carolina lembrou-se de uma pessoa.

Helena Duarte, antiga assistente de André, trabalhava agora numa clínica de diagnóstico em Brasília. Carolina ainda tinha seu número. Ligou. Helena reconheceu sua voz imediatamente, mas ficou em silêncio quando ouviu o nome do médico.

— Carolina, isso não deve ser discutido por telefone.

— Então onde?

— Na clínica. Em quarenta minutos.

Nathan quis acompanhá-la. Carolina recusou inicialmente, mas Rafael argumentou que ela não deveria ir sozinha. No fim, Marcelo ficou com as crianças e Rafael permaneceu na casa verificando os documentos enquanto Carolina e Nathan seguiram juntos.

No carro, nenhum dos dois falou durante vários minutos.

— Por que você nunca me procurou? — Nathan perguntou finalmente.

Carolina continuou olhando para a rua.

— Eu procurei.

Ele virou o rosto.

— Quando?

— Dois meses antes do nascimento.

Nathan franziu o cenho.

— Nunca recebi nada.

— Fui ao seu escritório.

A lembrança ainda doía. Carolina estava grávida de sete meses de trigêmeos, cansada e assustada. Esperara quase duas horas na recepção.

— Eduardo desceu para falar comigo. Disse que você estava em Londres e não queria mais contato pessoal. Entreguei uma carta para ele.

Nathan ficou branco.

— Que carta?

— Contei sobre os meninos. Incluí uma ultrassonografia.

Nathan encostou a cabeça no banco.

— Eu nunca vi essa carta.

Carolina soltou o ar lentamente.

— Agora sabemos por quê.

Quando chegaram à clínica, Helena já os aguardava numa pequena sala administrativa. Era uma mulher de cinquenta anos, cabelos curtos e expressão inquieta. Ao reconhecer Nathan, fechou a porta.

— Eu esperava Carolina. Não você.

— Se houver alguma coisa que eu não deveria ouvir, diga agora — respondeu Nathan.

Helena olhou para Carolina.

Ela assentiu.

Helena abriu uma gaveta.

— Poucas semanas antes de morrer, André descobriu acessos irregulares ao arquivo de Carolina. Alguém havia criado documentos usando a assinatura digital dele.

— A declaração sobre a paternidade — disse Carolina.

— Entre outros.

Nathan se inclinou.

— Outros?

Helena retirou um pen drive.

— André fez cópias antes de denunciar internamente. No dia seguinte, recebeu uma ligação. Depois disso, ficou assustado.

— De Eduardo? — perguntou Nathan.

— Não sei. Mas ouvi André dizer um nome.

Todos ficaram esperando.

— Roberto.

Nathan quase se levantou.

— Meu pai estava morto havia dois anos.

— Eu sei.

Helena conectou o pen drive a um computador isolado. Havia dezenas de arquivos. Entre eles, gravações de voz feitas por André. Helena abriu a última.

A voz do médico preencheu a sala.

“Se alguma coisa acontecer comigo, é importante registrar que o prontuário de Carolina Almeida foi alterado por alguém usando credenciais administrativas. A solicitação original veio do escritório Salles & Prado.”

Nathan apertou os punhos.

A gravação continuou.

“Mas Eduardo Salles não parece ser a origem. Durante nossa conversa, ele mencionou estar executando instruções deixadas por Roberto Vasconcelos.”

Rafael estava certo sobre Eduardo, mas talvez errado sobre quem controlava o advogado.

Carolina sentiu um arrepio.

— Como um morto dava instruções?

Helena abriu outro arquivo.

Era uma digitalização de uma carta.

Nathan reconheceu a assinatura do pai.

“Eduardo, caso Nathan venha a ter descendentes, nenhuma transferência prevista no acordo deverá ocorrer antes que a verdadeira titularidade das patentes seja esclarecida.”

Nathan leu duas vezes.

— Meu pai queria bloquear a transferência?

— Continue — disse Carolina.

A página seguinte mudava tudo.

“Carolina Almeida deverá ser localizada antes de qualquer reconhecimento sucessório, pois os direitos intelectuais pertencentes a ela alteram integralmente a composição acionária.”

Nathan virou-se para Carolina.

— Meu pai sabia que as patentes eram suas.

— Parece que sim.

Helena então abriu o último documento.

Era uma tabela societária preparada por Roberto pouco antes de morrer. Se as patentes fossem reconhecidas como propriedade intelectual de Carolina, ela teria direito retroativo a uma participação que ultrapassava a de Margarida.

Carolina ficou sem palavras.

Ela nunca quisera a empresa.

Mas alguém passara cinco anos garantindo que ela jamais descobrisse que uma parte significativa daquela fortuna fora construída sobre seu trabalho.

Nathan ficou olhando para os números.

— Eduardo não estava protegendo minha mãe.

— Não completamente — disse Helena.

— Então quem ele estava protegendo?

Antes que ela respondesse, todas as luzes da sala se apagaram.

O computador morreu.

Helena levantou-se.

— Isso não é normal.

Carolina pegou o pen drive.

Um ruído veio do corredor.

Nathan abriu a porta. A recepção estava vazia.

Então seu celular vibrou.

Mensagem de Rafael.

“Voltem agora. Temos um problema.”

Nathan ligou imediatamente.

Rafael atendeu no primeiro toque.

— O que aconteceu?

Do outro lado, a voz dele estava baixa.

— Margarida está aqui.

Nathan sentiu o sangue gelar.

— Na casa de Carolina?

— Sim. Mas não foi ela quem me assustou.

— Então quem?

Houve uma pausa.

— Ela trouxe Eduardo.

Nathan olhou para Carolina.

Rafael continuou:

— E Eduardo trouxe a carta que você nunca recebeu.

Carolina apertou o pen drive.

— Minha carta?

— Sim — respondeu Rafael. — Mas existe uma coisa dentro do envelope que você nunca colocou lá.

— O quê?

Rafael respirou fundo.

— Uma quarta ultrassonografia.

Carolina ficou imóvel.

— Isso é impossível. Eu estava grávida de trigêmeos.

— Eu sei.

— Então de quem é?

A resposta veio depois de um silêncio pesado.

— A ultrassonografia está no nome de Margarida Vasconcelos.

Nathan perdeu a cor.

Rafael falou ainda mais baixo:

— E a data é de trinta e oito anos atrás.

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