A Dra. Helena se aproximou, e a tristeza em seus olhos tornou difícil até respirar.
— Mariana — disse suavemente —, o bebê ainda está com batimentos cardíacos.
O alívio me atingiu de forma tão repentina que comecei a soluçar.
— Mas há um sangramento significativo — continuou ela. — Você sofreu um trauma abdominal, e as próximas vinte e quatro horas serão decisivas.
Levei a mão trêmula até a barriga.
— Por favor, salve meu bebê.
— Estamos fazendo tudo o que podemos.
O policial Marcelo Ribeiro olhou para os documentos em suas mãos.
— Senhora Almeida, seus pais solicitaram uma medida protetiva contra o seu marido. Eles afirmam que ele é perigoso.
Uma risada quebrada escapou de mim.
— Rafael salvou a minha vida.
— A senhora consegue provar o que aconteceu?
Meu coração pareceu parar.
Então me lembrei do meu celular.
— Eu gravei o momento em que contei sobre a gravidez — sussurrei. — O aplicativo já estava gravando antes de Camila me atacar.
O policial mais jovem imediatamente endireitou a postura.
— Onde está o celular?
— Estava no bolso do meu casaco.
Marcelo conferiu a lista dos meus pertences.
— Nenhum celular foi encontrado junto às suas coisas.
Claro que não.
Minha mãe havia escondido o celular de Rafael.
Devia ter pegado o meu também.
A porta se abriu novamente, e um segurança do hospital entrou carregando um saco plástico lacrado.
— Isto foi entregue anonimamente na recepção — disse ele.
Lá dentro estava o meu celular.
A tela estava rachada, mas o símbolo vermelho de gravação ainda permanecia aceso.
Marcelo conectou o aparelho a um carregador portátil.
Logo, as vozes da sala dos meus pais preencheram o quarto.
O sussurro cruel de Camila veio primeiro.
— Aposto que, se eu tentasse de verdade, conseguiria fazer tudo ficar em silêncio.
Depois veio o impacto.
Meu grito.
Rafael implorando pelo celular.
Meu pai se recusando a chamar o SAMU.
Minha mãe gritando que o futuro de Camila importava mais do que qualquer investigação.
Os policiais ouviram tudo em um silêncio horrorizado.
Quando a gravação terminou, Marcelo dobrou o documento que tinha nas mãos.
— Vou entrar em contato com a delegacia imediatamente. Seu marido nunca deveria ter sido preso.
Antes que ele pudesse sair, o celular emitiu um aviso.
Uma nova mensagem de voz havia chegado de um número desconhecido.
Marcelo colocou o áudio no viva-voz.
A voz assustada de Camila tomou conta do quarto.
— Mãe, a polícia está fazendo perguntas. Você prometeu que a Mariana não ia acordar.
Seguiu-se um silêncio.
Então a voz do meu pai surgiu ao fundo.
— Ela não deveria ter sobrevivido tempo suficiente para contar nada a ninguém.
Marcelo olhou para a porta, e sua expressão endureceu.
Mas, de repente, a Dra. Helena gritou quando o monitor ao lado da minha cama começou a disparar.
**Continua — clique na Parte 3 para continuar lendo.**







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