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Minha Irmã Chutou Minha Barriga Grávida — Mas A Mentira Da Minha Família Desmoronou Quando A Polícia Ouviu A Gravação

Por alguns segundos, nenhum de nós conseguiu falar.

O nome da empresa parecia pairar no quarto como uma ameaça.

Almeida Consultoria Patrimonial Ltda.

A empresa do pai de Rafael.

Vinte e cinco mil reais transferidos para Camila três dias antes de ela me atacar.

E uma das poucas pessoas que ainda poderiam ter acesso àquela conta era minha sogra, Beatriz Almeida.

— Liga para ela — pedi.

Rafael não se moveu.

— Agora.

Ele finalmente desbloqueou o celular.


A primeira ligação caiu na caixa postal.

A segunda também.

Na terceira, alguém atendeu.

Mas não era Beatriz.

Uma voz masculina desconhecida falou:

— Alô?

Rafael imediatamente se endireitou.

— Quem está falando?

Silêncio.

Então a ligação foi encerrada.


Ele olhou para a tela.

— Era o número da minha mãe.

Meu coração acelerou.

— Talvez ela tenha perdido o celular.

— Minha mãe não perde o celular.

Rafael tentou novamente.

Desligado.

Dessa vez, ele não hesitou.

Ligou para Marcelo.

— Precisamos localizar minha mãe.


O policial ouviu a explicação e respondeu que encaminharia a informação imediatamente.

Quando Rafael desligou, percebi que sua mão tremia.

Era quase imperceptível.

Mas eu conhecia meu marido.

— Você acha que ela mandou o dinheiro?

— Não sei.

— Mas acha possível.

Ele se sentou.

— Depois da morte do meu pai, eu assumi praticamente todos os assuntos da empresa. Minha mãe manteve acesso porque algumas despesas antigas ainda eram pagas por lá. Eu nunca tive motivo para retirar.

— Ela conhecia Camila?


Rafael levantou os olhos.

— Conhecia sua família.

Isso não era resposta suficiente.

— Rafael.

Ele respirou fundo.

— Minha mãe nunca gostou deles.

Aquilo eu sabia.

Beatriz sempre fora educada com meus pais, mas fria.

Com Camila, especialmente.

— Então por que pagaria vinte e cinco mil reais para ela?


— Exatamente.

A porta se abriu antes que pudéssemos continuar.

Renata entrou com Marcelo.

Nenhum deles parecia trazer boas notícias.

— Encontramos Camila — disse a delegada.

Meu corpo ficou rígido.

— Onde?

— Em uma rodoviária.

— Fugindo?

— Ela tinha uma passagem para Curitiba e uma mochila com dinheiro em espécie.


Rafael se levantou.

— Quanto?

Marcelo abriu o bloco.

— Dezoito mil e quatrocentos reais.

Senti um arrepio.

— O restante dos vinte e cinco mil?

— Ainda não sabemos.

Renata continuou:

— Camila foi levada para prestar esclarecimentos.

— Ela confessou?


— Não.

Era a resposta que eu esperava.

Camila nunca confessava.

Ela apenas encontrava uma versão em que outra pessoa era culpada.

— O que ela disse?

Renata olhou para mim.

— Que recebeu o dinheiro como pagamento por uma dívida antiga.

Rafael soltou uma risada sem humor.

— Minha família nunca teve dívida com Camila.

— Foi o que imaginamos.


— Ela disse quem transferiu?

— Primeiro afirmou que não sabia.

Marcelo completou:

— Depois disse que foi sua mãe.

O quarto ficou silencioso.

Rafael empalideceu.

— Beatriz?

— Sim.

Eu senti uma pontada no peito.

— E por quê?


Renata aproximou a cadeira.

— Segundo Camila, Beatriz queria que ela criasse uma situação que fizesse Mariana se afastar definitivamente da própria família.

Demorei alguns segundos para entender.

— Isso não faz sentido.

— Também achamos estranho — disse Renata.

Rafael balançou a cabeça.

— Minha mãe podia simplesmente conversar conosco.

— Exato.

A delegada cruzou as mãos.

— Por isso continuamos pressionando.


— E?

— Camila mudou a versão.

Claro.

— Na segunda versão, disse que Beatriz pediu para “dar um susto” em você.

Meu estômago embrulhou.

— Um susto?

— Ela insiste que o chá foi acidente e que o chute aconteceu porque entrou em pânico.

Eu fechei os olhos.

A gravação destruía aquela mentira.

“Se eu tentasse de verdade, conseguiria fazer tudo ficar em silêncio.”

— Ela sabia que eu estava grávida antes daquele dia?

Renata assentiu lentamente.

— Sim.

O ar desapareceu dos meus pulmões.

Rafael ficou imóvel.

— Como?

— Camila afirma que sua mãe contou.

Patrícia.

A visita ao apartamento.

O envelope aberto.

O ultrassom.

Então não tinha sido uma descoberta acidental na tarde do ataque.

Minha mãe soubera.

E esconderia isso de mim enquanto insistia para que eu fosse àquela casa.

— Há quanto tempo?

— Aproximadamente duas semanas.

As peças começaram a se encaixar de uma forma monstruosa.

Patrícia descobriu minha gravidez.

Mandou mensagens estranhas para Rafael sobre quedas e polícia.

Insistiu para que fôssemos ao encontro.

Camila recebeu dinheiro.

Depois me atacou.

E meus pais impediram o socorro.

Não era mais possível chamar aquilo de uma explosão de ciúme que saíra do controle.

— Eles planejaram — sussurrei.

Renata não confirmou.

Mas também não negou.

— Precisamos estabelecer exatamente quem planejou o quê.

Rafael perguntou:

— E minha mãe?

Marcelo respondeu:

— Uma equipe foi até o apartamento dela.

— E?

— Estava vazio.

Rafael fechou os olhos por um instante.

— Algum sinal de violência?

— Não.

— Mala?

— Ainda estamos verificando.

Renata continuou:

— Há outra coisa.

Senti meu corpo se preparar para o impacto.

— O quê?

Ela colocou uma fotografia sobre a mesa.

Era a imagem parcial de uma câmera de segurança.

Mostrava uma mulher entrando na rua dos meus pais na noite anterior ao ataque.

A qualidade era ruim.

Mas o casaco bege era familiar.

Rafael pegou a foto.

— Essa é minha mãe.

— Temos quase certeza.

Olhei para ele.

— Ela esteve na casa deles?

— Eu não sabia.

Renata explicou:

— A câmera de uma residência próxima registrou Beatriz chegando às 21h13.

— E saindo?

— Às 22h02.

Quarenta e nove minutos.

Tempo suficiente para uma conversa.

Tempo suficiente para entregar dinheiro.

Tempo suficiente para planejar alguma coisa.

Mas havia um problema.

— A transferência aconteceu três dias antes — falei.

Renata assentiu.

— Exatamente.

Rafael levantou a cabeça.

— Então a visita não foi para fazer o pagamento.

— Provavelmente não.

— O que aconteceu naquela casa naquela noite?

— É isso que queremos descobrir.

A Dra. Helena entrou para verificar meus sinais, mas percebeu imediatamente a tensão.

— Se continuarem assim, vou expulsar todos daqui.

Apesar de tudo, quase sorri.

Renata se levantou.

— Terminamos por enquanto.

Antes de sair, ela olhou para mim.

— Mariana, existe uma pergunta que talvez você precise considerar.

— Qual?

— Se Camila recebeu dinheiro para fazer alguma coisa, talvez o ataque que aconteceu não tenha sido exatamente o que havia sido combinado.

A frase ficou presa na minha cabeça.

Quando todos saíram, Rafael permaneceu ao lado da janela.

— Ela está dizendo que Camila pode ter ido além.

— Ou que estão tentando empurrar toda a culpa para ela.

Ele assentiu.

Eu pensei na voz de Patrícia.

“Você prometeu que a Mariana não ia acordar.”

Aquilo não combinava com “dar um susto”.

Minha mãe esperava que eu permanecesse inconsciente.

Meu pai achava que eu não deveria sobreviver para contar.

E ainda havia Beatriz.

— Rafael, por que sua mãe iria querer me machucar?

Ele não respondeu imediatamente.

Então se sentou ao meu lado.

— Há uma coisa que eu não te contei porque achei que não tinha importância.

Meu coração apertou.

— O quê?

— Cerca de um mês antes de morrer, meu pai alterou o testamento.

Eu o encarei.

— E?

— Ele deixou uma parte considerável do patrimônio diretamente para os nossos futuros filhos.

Meu corpo ficou imóvel.

— Futuros filhos?

— Sim.

— Sua mãe sabia?

— Claro.

Uma sensação fria se espalhou pela minha pele.

— E quanto ela herdou?

Rafael respirou fundo.

— Menos do que esperava.

Tudo pareceu parar.

A gravidez.

O dinheiro para Camila.

A visita secreta à casa dos meus pais.

O patrimônio destinado aos filhos que Rafael viesse a ter.

Era um motivo.

Talvez não fosse o único.

Mas era um motivo.

— Você acha que Beatriz pagou Camila para eu perder o bebê?

— Eu não quero acreditar nisso.

— Não foi o que eu perguntei.

Rafael me encarou.

E, pela primeira vez, não tentou proteger a imagem da própria mãe.

— Sim — respondeu. — Agora acho que é possível.

Meu celular, ainda lacrado como prova, estava sobre a bancada.

Nesse instante, o aparelho de Rafael vibrou.

Uma mensagem de número desconhecido.

Ele abriu.

Havia apenas uma fotografia.

Beatriz estava sentada em um banco, aparentemente dentro de algum estacionamento subterrâneo.

Ela segurava um jornal daquele dia.

Abaixo da imagem, uma única frase:

“Parem de procurar por mim, ou Mariana nunca vai descobrir quem realmente pagou Camila.”

Rafael ficou pálido.

Eu reli a mensagem.

Uma vez.

Duas.

Então entendi.

Se Beatriz estava dizendo a verdade, os vinte e cinco mil reais tinham passado pela empresa da família Almeida.

Mas talvez não tivessem sido enviados por ela.

E alguém estava fazendo de tudo para que parecêssemos acreditar exatamente nisso.

**Continua — clique na Parte 6 para ler o próximo capítulo.**

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