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Minha Irmã Chutou Minha Barriga Grávida — Mas A Mentira Da Minha Família Desmoronou Quando A Polícia Ouviu A Gravação

A fotografia de Beatriz ficou aberta na tela do celular de Rafael.

Eu não conseguia parar de olhar para o jornal nas mãos dela.

Aquilo parecia uma prova de vida.

Mas também parecia uma provocação.

— Ela está com medo — murmurei.

Rafael balançou a cabeça.

— Ou quer que a gente pense isso.

A frase doía porque era verdade.

Nas últimas horas, todos os adultos das duas famílias tinham se transformado em pessoas que eu já não tinha certeza de conhecer.

Minha mãe sabia da gravidez antes de mim admitir publicamente.


Meu pai achava que eu não deveria ter sobrevivido.

Camila recebera vinte e cinco mil reais.

E agora minha sogra desaparecia deixando uma mensagem enigmática.

Rafael encaminhou a foto para Renata imediatamente.

Poucos minutos depois, a delegada ligou.

— Não respondam ao número.

— Já rastrearam? — perguntou Rafael.

— Estamos tentando. A mensagem passou por um chip pré-pago.

— E o estacionamento?

— A equipe vai analisar a imagem.


Olhei novamente para a fotografia.

— Renata, ela está segurando um jornal. Talvez dê para identificar onde comprou.

— Já estamos trabalhando nisso.

Antes de desligar, a delegada acrescentou:

— Outra coisa: conseguimos bloquear temporariamente qualquer movimentação ligada à conta da Almeida Consultoria até esclarecer quem realizou a transferência.

Rafael concordou.

— Certo.

— E Camila pediu um advogado.

Aquilo não me surpreendeu.

— Ela vai parar de falar?


— Provavelmente.

A ligação terminou.

Fiquei em silêncio.

Meu corpo inteiro estava exausto.

Mas minha cabeça se recusava a descansar.

— Rafael, você consegue acessar os registros internos da empresa?

— Os documentos corporativos, sim. Movimentação bancária depende do banco, mas eu tenho acesso aos relatórios administrativos.

— Então descobre quem autorizou aquela transferência.

Ele já estava abrindo o notebook quando a Dra. Helena entrou.

Ela olhou para a tela.


Depois para nós.

— Não.

Rafael piscou.

— Não o quê?

— Não vão transformar este quarto numa sala de investigação.

— Helena...

— Mariana acabou de sofrer uma nova queda de pressão.

Fiquei surpresa.

— Eu nem senti.

— Exatamente por isso é perigoso.


Ela verificou o acesso venoso e o monitor.

— O bebê continua com batimentos estáveis, mas o sangramento ainda exige cuidado. Se vocês insistirem em manter esse nível de estresse, vou pedir que Rafael saia por algumas horas.

Rafael fechou o notebook imediatamente.

— Entendido.

Helena se virou para mim.

— Você precisa dormir.

— Não consigo.

— Então tente.

Quando ela saiu, Rafael ficou em silêncio.

— Ela tem razão — disse.


— Eu odeio quando todo mundo tem razão menos eu.

Ele quase sorriu.

Depois puxou a cadeira para perto da cama.

— Dorme. Eu fico aqui.

— Promete que não vai investigar escondido?

Ele hesitou.

— Rafael.

— Prometo.

Fechei os olhos.

Não sei quanto tempo dormi.


Quando acordei, a luz do quarto tinha mudado.

Era manhã.

Rafael continuava ali, mas não estava sozinho.

A delegada Renata estava perto da janela.

Ela esperou até perceber que eu estava consciente.

— Como está se sentindo?

— Como se tivesse sido atropelada.

— Considerando tudo, é uma descrição razoável.

Rafael segurou minha mão.

— Eles descobriram uma coisa importante.


Meu coração acelerou.

Renata colocou uma pasta sobre a mesa.

— A transferência para Camila foi feita usando as credenciais de acesso de Beatriz.

Senti o estômago afundar.

— Então foi ela.

— Ainda não.

Olhei para a delegada.

— Como assim?

— As credenciais são dela. Mas o acesso foi realizado de um computador específico.

Rafael completou:


— O computador antigo do escritório do meu pai.

Eu me lembrei vagamente dele.

Depois da morte do pai de Rafael, vários objetos tinham sido guardados num cômodo da casa de Beatriz.

— Onde estava esse computador?

— Na casa da minha mãe.

Renata assentiu.

— Mas há um detalhe. Na tarde em que a transferência foi feita, Beatriz estava em uma consulta médica. Temos registro de entrada, saída e câmera de segurança.

— Então alguém entrou na casa dela.

— Talvez.

— Quem tinha chave?


Rafael respondeu antes da delegada.

— Eu.

Meu peito apertou.

— Só você?

Ele demorou um segundo.

— Eu e a funcionária que fazia limpeza duas vezes por semana.

Renata abriu a pasta.

— E existe uma terceira cópia.

Rafael franziu a testa.

— Não.

— Segundo Beatriz, existia.

— Segundo Beatriz?

Eu me sentei um pouco mais na cama.

— Vocês falaram com ela?

Renata assentiu.

— Ela entrou em contato conosco de madrugada.

Rafael ficou furioso.

— E ninguém me avisou?

— Porque ela pediu proteção antes de prestar depoimento.

— Proteção contra quem?

Renata abriu outra folha.

— Patrícia Ferreira.

O nome da minha mãe pareceu me atingir fisicamente.

— Minha mãe?

— Beatriz afirmou que Patrícia esteve procurando informações sobre a família Almeida havia meses.

Eu fiquei sem palavras.

Rafael não.

— Que tipo de informações?

— Patrimônio. Testamento. Estrutura da empresa. Acesso a contas antigas.

Rafael empalideceu.

— Como Patrícia saberia do testamento do meu pai?

Renata olhou diretamente para ele.

— Essa é uma das perguntas principais.

Eu pensei na obsessão de minha mãe por controle.

Nas perguntas sobre seguro.

Nas mensagens para Rafael.

Na visita escondida ao apartamento.

E em todas as vezes em que Patrícia fingira não se interessar pela família dele.

— Beatriz disse por que desapareceu?

— Disse.

Renata fechou a pasta.

— Ela afirma que recebeu uma ligação anônima logo depois de saber que você tinha sido hospitalizada.

— O que disseram?

— Que, se ela falasse com a polícia, seria responsabilizada pela transferência e pelo ataque.

Rafael perguntou:

— E por que ela não veio direto para cá?

— Porque percebeu que as credenciais bancárias dela tinham sido usadas.

Aquilo explicava o medo.

Mas não limpava o nome de Beatriz.

— Ela pode estar mentindo — falei.

— Pode — respondeu Renata. — Por isso estamos verificando tudo.

Aquilo me trouxe um estranho conforto.

Pela primeira vez, alguém não estava tentando decidir quem era inocente com base em laços familiares.

Estavam seguindo provas.

Renata continuou:

— Beatriz também nos contou sobre a terceira chave.

Rafael ficou imóvel.

— Quem tinha?

A delegada olhou para mim.

— Patrícia.

Minha respiração travou.

— Isso não é possível.

— Beatriz diz que entregou uma cópia há cerca de oito meses.

— Por quê?

Rafael parecia quase tão confuso quanto eu.

— Ela disse que Patrícia começou a ajudá-la com algumas coisas depois da morte do seu pai. Documentos, organização da casa, compromissos.

Olhei para Rafael.

— Você sabia disso?

— Não.

E dessa vez eu acreditei nele imediatamente.

As duas mulheres que pareciam mal se tolerar tinham mantido uma relação escondida durante meses.

Minha mãe entrava na casa de Beatriz.

Tinha acesso físico ao computador.

Sabia do patrimônio.

Talvez soubesse do testamento.

E dias antes do ataque, uma transferência feita com as credenciais de Beatriz saiu daquele computador direto para Camila.

A porta se abriu.

Marcelo entrou rapidamente.

— Delegada.

Renata percebeu pela expressão dele.

— O que foi?

— Encontramos algo no telefone antigo de Camila.

Meu coração disparou.

Ele colocou uma impressão sobre a mesa.

Era uma conversa apagada parcialmente recuperada pela perícia.

O contato não tinha nome.

Apenas um número.

Uma mensagem dizia:

“Você recebe metade antes. O restante quando Mariana não puder mais dar um herdeiro a Rafael.”

Minha mão foi direto para a barriga.

Rafael ficou branco.

Marcelo apontou para a resposta de Camila.

“E se ela só perder esse bebê?”

A mensagem seguinte era curta.

“Não basta.”

O quarto inteiro pareceu ficar menor.

Eu finalmente entendi.

Aquilo nunca tinha sido apenas sobre minha gravidez atual.

Quem pagou Camila não queria apenas que eu perdesse aquele bebê.

Queria garantir que eu nunca tivesse outro.

Renata fechou a pasta lentamente.

— Agora temos prova de que o objetivo era maior do que provocar um acidente.

Rafael apertou minha mão.

— Quem é o número?

Marcelo respondeu:

— Ainda estamos identificando.

Então olhou para mim.

— Mas há mais uma mensagem recuperada.

Meu peito ficou apertado.

— O que diz?

Ele hesitou.

— Camila escreveu: “Minha mãe acha que vai receber a parte dela depois.”

Fechei os olhos.

Não havia mais dúvida de que Patrícia estava envolvida.

A única pergunta agora era quanto ela sabia.

E quem, acima dela, estava disposto a pagar para apagar da família Almeida qualquer herdeiro que viesse de mim.

**Continua — clique na Parte 7 para ler o próximo capítulo.**

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