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No Dia Do Nosso Divórcio, Meu Ex Disse Que A Empresa Da Minha Família Agora Era Dele — Fiz Uma Única Ligação E, Minutos Depois, Seu Império Começou A Desmoronar

O nome de Vitória ficou suspenso no quarto como se minha mãe tivesse acabado de pronunciá-lo diante de nós.

Na tela, Helena continuava olhando para alguém fora do enquadramento. A imagem tremia levemente, provavelmente porque a câmera estava apoiada sobre alguma superfície instável. Aurora segurava meu braço com tanta força que suas unhas quase atravessavam minha pele. Álvaro parecia incapaz de respirar.

— Continue — falei.

A gravação avançou.

Você não entende o que encontrou — disse Vitória no vídeo.

A voz era mais jovem, mas inconfundível.

Entendo perfeitamente — respondeu Helena. — Você alterou os beneficiários do A-17.

Eu tentei proteger vocês.

Helena soltou uma risada amarga.

Não. Você protegeu alguém. E não foi minha família.


Então ouvimos um ruído e a gravação terminou.

Tela preta.

— Só isso? — perguntei.

Álvaro pegou o celular e tentou recuperar o arquivo, mas não havia continuação.

— Vitória esteve com Helena na noite anterior à morte — disse Aurora.

— E mentiu sobre isso durante seis anos.

Peguei meu telefone.

— Vou ligar para Eduardo.

Álvaro segurou meu braço.

— Não diga o nome dela pelo telefone.


Afastei-me.

— Por quê?

— Porque, se Vitória estiver por trás disso, precisamos saber quem mais trabalha com ela.

— Ela colocou metade da família dentro da nossa empresa. Acho que já temos uma ideia.

— Não estou falando da família Vasconcelos.

A maneira como ele disse aquilo me fez parar.

Álvaro apontou para a agenda.

— Helena escreveu sobre o registro 42. Precisamos encontrá-lo antes de acusar qualquer pessoa.

Liguei para Eduardo e pedi apenas que localizasse meu pai e isolasse todo o arquivo físico da presidência. Depois liguei para o diretor de Compliance.

— Henrique, procure qualquer documento relacionado ao número 42 nos registros antigos do Projeto A-17.


— Amanda, houve um problema.

— Que problema?

— Alguém iniciou uma exclusão remota de arquivos há vinte minutos.

Meu estômago apertou.

— Conseguiram impedir?

— Parcialmente. Mas a solicitação veio de uma credencial da presidência.

A credencial do meu pai.

— Roberto — murmurou Álvaro.

Balancei a cabeça.

— Não sabemos se foi ele.


Pela primeira vez naquele dia, percebi como era fácil cair na mesma armadilha que Marcelo havia preparado para si durante anos: enxergar apenas aquilo que confirmava o que eu já queria acreditar.

Meu pai mentira.

Mas mentira não era prova de assassinato.

— Volto para São Paulo agora.

Aurora segurou minha mão.

— Eu vou com você.

— Não.

— Passei trinta e quatro anos escondida para proteger você. Não vou continuar escondida enquanto você enfrenta isso sozinha.

Olhei para aquela mulher que, poucas horas antes, eu nem sabia que existia. Ainda não conseguia chamá-la de mãe. Talvez nunca conseguisse. Mas havia algo em seus olhos que reconheci.

Determinação.


A mesma de Helena.

— Então vamos.

Álvaro também veio.

Durante a viagem, recebi uma mensagem de Henrique.

**“Encontramos referência ao Registro 42. Não está no sistema digital. Localização: Cofre 2, arquivo histórico da presidência.”**

Logo abaixo veio outra:

**“O cofre foi aberto hoje às 14h11 com a senha pessoal de Roberto Ferraz.”**

Meu pai.

Chegamos ao Grupo Alvorada pouco depois das três da tarde. Entramos pela garagem privativa, e Eduardo nos encontrou próximo ao elevador.

Quando viu Aurora, ficou paralisado.


— Senhora Helena?

Aurora baixou os olhos.

— Não. Sou irmã dela.

Eduardo olhou para mim, confuso, mas não fiz qualquer tentativa de explicar.

— Encontrou meu pai?

— Ainda não. Mas encontramos uma passagem de serviço no estacionamento. As câmeras daquele corredor foram desligadas durante nove minutos.

— Por quem?

— Credencial de Vitória Vasconcelos.

Olhei para Álvaro.

Dessa vez havia evidência.


Subimos.

O andar da presidência estava praticamente vazio. Henrique nos aguardava diante do arquivo histórico.

O Cofre 2 estava aberto.

Vazio.

— Quem entrou aqui? — perguntei.

— Apenas seu pai aparece no registro eletrônico.

— E as câmeras?

Henrique hesitou.

— Foram apagadas.

Senti a raiva subir.


— Então procure backups.

— Já estamos fazendo isso.

Álvaro caminhou pelo arquivo, observando as estantes. De repente, parou diante de uma gaveta.

— O Registro 42 não era um documento.

Todos olharam para ele.

— Como sabe?

— Porque fui eu quem criou o sistema de codificação original. Registros abaixo de cinquenta eram pessoas.

Meu coração acelerou.

— Quem era o 42?

Ele fechou os olhos, tentando lembrar.


— Não sei.

Aurora respondeu atrás de nós:

— Eu sei.

Viramos.

Ela estava pálida.

— Registro 17 era eu. Helena era 18. Roberto era 21. Álvaro, 24.

— E 42?

Aurora olhou para mim.

— Uma criança.

O silêncio foi absoluto.


— Que criança?

— Não sei o nome. Helena encontrou referência a ela anos depois. A conta A-17 estava pagando mensalmente uma instituição no interior de São Paulo. Quando perguntou quem era o Registro 42, Roberto proibiu que ela investigasse.

Meu telefone tocou.

Eduardo.

Ele estava ao meu lado, mas olhava para a tela do próprio aparelho.

— Conseguimos recuperar parte da câmera da garagem.

Henrique conectou o arquivo à televisão da sala.

A imagem mostrou meu pai entrando no corredor de serviço com a caixa A-17 nas mãos.

Às 14h13, Vitória apareceu.

Meu corpo ficou rígido.

Ela se aproximou dele.

Discutiram.

Não havia áudio.

Então Vitória tentou arrancar a caixa das mãos de Roberto.

Meu pai resistiu.

Uma terceira pessoa surgiu.

Marcelo.

— Não... — murmurei.

Marcelo falou alguma coisa. Meu pai entregou a caixa voluntariamente.

Depois os três saíram pela passagem de serviço.

— Marcelo estava preso com o Jurídico — falei.

Henrique balançou a cabeça.

— Ele pediu para ir ao banheiro e desapareceu.

Meu telefone vibrou.

Uma mensagem de Marcelo.

**“Não confie em Vitória. Estou com Roberto. Venha ao endereço que vou mandar. Sozinha.”**

Logo depois chegou uma localização.

Um galpão antigo na região da Mooca.

Álvaro viu.

— Não vá.

— Desta vez não vou sozinha.

Eduardo mobilizou dois homens discretamente.

Chegamos à Mooca quarenta minutos depois. O galpão parecia abandonado. Pedi que Eduardo permanecesse do lado de fora até meu sinal.

Entrei.

— Pai?

Nenhuma resposta.

Mais alguns passos.

Então ouvi a voz de Marcelo.

— Amanda.

Ele apareceu atrás de uma divisória.

Seu terno estava amarrotado. Havia um corte superficial na sobrancelha.

— Onde está meu pai?

Marcelo apontou para uma sala.

Roberto estava sentado numa cadeira.

Vivo.

Corri até ele.

— Pai!

Ele me abraçou.

Por alguns segundos, voltei a ser criança.

Depois me afastei.

— Você sabia que Aurora estava viva.

Ele fechou os olhos.

— Sim.

— Sabia que ela era minha mãe.

— Sim.

Cada resposta doía.

— E sabia que Álvaro era meu pai.

Dessa vez ele demorou.

— Desde que você tinha quatro meses.

Senti lágrimas finalmente chegarem.

— Por que nunca me contou?

— Porque ser seu pai foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. E eu tinha medo de que a verdade transformasse você em alvo novamente.

Marcelo colocou a caixa A-17 sobre uma mesa.

— Vitória tentou pegar isto.

— Onde ela está?

— Fugiu quando percebeu que eu tinha chamado segurança.

Abri a caixa.

Havia documentos, fotografias e uma pasta marcada REGISTRO 42.

Meu pai tentou impedir.

— Amanda, espere.

— Não.

Abri.

Dentro havia uma certidão de nascimento.

**Nome: Gabriel Almeida.**

Data de nascimento: três anos antes de mim.

Mãe: Aurora Almeida.

O campo do pai estava em branco.

Olhei para Roberto.

— Aurora teve outro filho?

Ele não respondeu.

— Pai!

Roberto sentou-se lentamente.

— Gabriel foi levado dela quando tinha oito meses.

Minha cabeça girou.

— Por quem?

— Foi isso que Helena passou anos tentando descobrir.

Peguei outra fotografia.

Um menino de aproximadamente cinco anos sorria para a câmera.

Atrás estava escrito:

**“G. — 1996.”**

Havia algo familiar naquele rosto.

Nos olhos.

No formato do queixo.

Marcelo se aproximou.

— Amanda...

Ele também percebebera.

Peguei uma fotografia recente presa ao fundo da pasta.

O menino agora era um homem adulto.

Eu o conhecia.

Era Henrique, nosso diretor de Compliance.

O mesmo homem que meu pai afirmara ter documentado durante anos todas as fraudes de Marcelo.

— Isso não pode ser verdade.

Meu pai baixou a cabeça.

— Henrique não sabe quem é.

Meu telefone começou a tocar.

Era justamente ele.

Atendi.

— Henrique?

Por alguns segundos, ouvi apenas respiração.

Então sua voz surgiu completamente diferente da calma profissional que eu conhecia.

— Amanda, saia desse galpão agora.

— Por quê?

— Porque Vitória nunca foi a pessoa que controlava o Projeto A-17.

Meu sangue gelou.

— Como você sabe?

Silêncio.

Então ouvi outra voz ao fundo.

A mesma voz masculina da ligação que eu recebera no dia do divórcio.

Henrique continuou:

— Porque o homem que mandou Vitória alterar aqueles pagamentos está aqui comigo.

— Quem?

Ouvi uma porta fechar do outro lado.

Henrique respirou fundo.

— Augusto Siqueira.

Olhei imediatamente para Álvaro.

O rosto dele perdeu toda a cor.

Mas Henrique ainda não havia terminado.

— E ele acabou de me mostrar o Registro 42 original.

— Eu estou com o Registro 42.

— Não, Amanda. Você está com uma cópia preparada para vocês encontrarem.

Meu coração disparou.

— O que diz o original?

A resposta veio depois de um silêncio interminável.

— Que Aurora não teve dois filhos.

Parei de respirar.

— Teve três.

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