A desembargadora Torres não perdeu um único segundo. Antes mesmo que eu terminasse de explicar sobre as fotografias e o depoimento gravado da minha mãe, ela me interrompeu com uma pergunta calma.
— Ela está segura neste momento?
Olhei para a porta trancada do banheiro, onde minha mãe permanecia sentada, tremendo sob uma toalha.
— Por enquanto — respondi.
— Então mantenha-a aí — disse ela. — Estou expedindo a medida protetiva de urgência imediatamente. A polícia já está a caminho.
Guardei o celular no bolso e olhei para minha mãe. Lágrimas escorriam silenciosamente pelo rosto dela, como se ainda acreditasse que a ajuda desapareceria antes de chegar. Ajoelhei-me ao seu lado e segurei suas mãos, tomando cuidado para não tocar nos hematomas ao redor dos pulsos.
— Ninguém vai machucar você de novo — sussurrei.
Ela examinou meu rosto por um longo instante antes de fazer um pequeno gesto afirmativo com a cabeça.
No andar de baixo, Juliano ria alto enquanto Camila fazia as taças de vinho tilintarem, completamente alheios ao fato de que, a cada minuto que passava, o cerco se fechava ao redor deles. Eles acreditavam que eu estava apenas consolando uma idosa que haviam convencido todos de que era confusa e pouco confiável. Não faziam ideia de que cada fotografia já havia sido enviada para um servidor seguro de armazenamento de provas e de que cada palavra do depoimento da minha mãe estava preservada com registro de data e hora verificado.
Uma batida forte ecoou pela casa.
Juliano franziu a testa e caminhou até a porta da frente com sua confiança ensaiada de sempre.
— Devem ser os vizinhos — murmurou.
Em vez disso, três policiais entraram, seguidos por uma investigadora da rede de proteção à pessoa idosa. A medida protetiva de urgência, assinada pela desembargadora Torres, estava nas mãos do policial que vinha à frente.
O sorriso de Camila desapareceu na mesma hora.
— Isso só pode ser algum engano — protestou Juliano.
A expressão do policial não mudou.
— Senhor, afaste-se do corredor e mantenha as mãos onde possamos vê-las.
Pela primeira vez naquela noite, o medo tomou o lugar da arrogância de Juliano.
Então a investigadora me fez, em voz baixa, uma pergunta inesperada.
— Dra. Vasconcelos... sua mãe falou alguma coisa sobre o box de armazenamento?
Eu a encarei, confusa.
— Que box de armazenamento?
Ela trocou um olhar sombrio com os policiais.
— Porque acreditamos que é lá que estão as outras provas.
**Continua — clique na Parte 3 para continuar lendo.**







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