“Alô? Mamãe?”
Nada.
Olhei para a tela.
A ligação tinha sido encerrada.
“Ligue de volta”, ordenou Graves.
Tentei.
Chamou uma vez.
Duas.
Depois caiu direto na caixa postal.
Meu peito começou a apertar.
“Ela nunca desliga o telefone quando eu estou fora de casa.”
O General Graves já estava falando com um oficial.
“Envie uma equipe até o endereço dela. Sem sirenes. Sem uniforme na porta. Quero confirmação visual antes de qualquer aproximação.”
“Sim, senhor.”
“E localizem o último sinal do telefone.”
O homem saiu correndo.
Eu agarrei a alça da mochila.
“Eu quero ir para casa.”
Graves se abaixou para ficar na minha altura.
“Eu sei.”
“Minha mãe está sozinha.”
“É por isso que eu não vou mandar você para lá até sabermos se é seguro.”
“Mas ela está com medo.”
A culpa atravessou o rosto dele.
“Eu também estaria.”
O Coronel Harris continuava diante do computador desligado.
“Conseguimos interromper a exclusão antes do fim”, disse ele. “Mas alguém sabia exatamente qual arquivo procurar.”
“E sabia que estávamos olhando para ele agora”, respondeu Graves.
Harris assentiu.
Isso fez meu estômago afundar ainda mais.
“Quer dizer que alguém daqui ouviu nossa conversa?”
Ninguém respondeu de imediato.
Foi resposta suficiente.
Graves olhou ao redor do salão.
Havia recepcionistas, soldados, oficiais e funcionários administrativos espalhados perto das portas trancadas.
Alguns fingiam trabalhar.
Outros olhavam para nós.
De repente, aquele lugar enorme não parecia seguro.
Parecia uma casa cheia de portas atrás das quais alguém podia estar escondido.
Graves se levantou.
“A partir deste momento, ninguém que não esteja autorizado se aproxima da menina.”
Então apontou para Harris.
“Leve-a para a sala de segurança.”
“General, eu não vou sem saber onde minha mãe está.”
Ele me encarou por alguns segundos.
“Então você fica comigo até sabermos.”
Antes de sairmos do saguão, a recepcionista que tinha tentado pegar a carteira chamou:
“General?”
Ele parou.
Ela parecia nervosa.
“Mencionaram o setor de Benefícios Familiares.”
“Sim.”
A mulher engoliu em seco.
“Há uns dez minutos, antes de cortarem a rede, um homem daquele setor passou por aqui correndo.”
Harris se aproximou.
“Nome.”
“Eu não sei.”
“Descrição.”
“Uns cinquenta anos. Cabelo grisalho. Óculos. Terno azul-marinho.”
Ela olhou para mim.
“Ele viu a menina.”
Meu coração disparou.
“Como?”
“Quando ela estava esperando aqui, ele ficou parado perto do corredor de acesso.”
Graves ficou rígido.
“Ele falou com alguém?”
“Fez uma ligação.”
“O que você ouviu?”
A recepcionista fechou os olhos, tentando lembrar.
“Só uma frase.”
“Qual?”
Ela hesitou.
“Ele disse: ‘A menina chegou até Graves.’”
O silêncio que veio depois pareceu esmagar o ar.
Harris chamou dois homens da Polícia do Exército.
“Revisem as câmeras. Agora.”
Graves olhou para mim.
“Ruby, você viu esse homem?”
Tentei lembrar.
Quando cheguei ao prédio, eu estava cansada, com fome e preocupada demais em devolver a carteira.
Mas então uma imagem voltou à minha cabeça.
Um homem perto de uma máquina de café.
Terno escuro.
Óculos.
Ele não estava olhando para a carteira.
Estava olhando para minha mochila.
“Eu acho que sim.”
“Você conseguiria reconhecê-lo?”
“Talvez.”
Harris abriu as gravações em um monitor isolado da rede principal.
Passaram as imagens para trás.
Eu apareci entrando no saguão.
Depois discutindo com a recepcionista.
Então vi o homem.
“É ele.”
Harris congelou a imagem.
Graves chegou mais perto.
Por alguns segundos, ele não disse nada.
“General?”, chamou Harris.
Graves parecia ter envelhecido dez anos.
“Eu conheço esse homem.”
Meu corpo inteiro ficou frio.
“Quem é?”
Harris respondeu por ele.
“Major aposentado Thomas Vale.”
“Ele trabalhou aqui?”
Graves ainda encarava a tela.
“Trabalhou.”
“Em Benefícios Familiares?”
“Não no começo.”
Graves finalmente olhou para mim.
“Doze anos atrás, Thomas Vale fazia parte da minha equipe de segurança.”
Senti um arrepio subir pelos braços.
“Ele conhecia minha mãe?”
“Conhecia.”
Harris puxou uma cadeira.
“Vale foi um dos homens designados para ajudar na extração de Emily.”
Eu quase não consegui falar.
“Então ele sabia da ordem verdadeira.”
“Sim.”
Naquele instante, um oficial entrou com passos rápidos.
“Senhor, temos o sinal do telefone de Emily Carter.”
Levantei da cadeira.
“Onde?”
O homem olhou para Graves antes de responder.
“O aparelho ainda está no endereço residencial.”
Meu alívio durou menos de um segundo.
“Então ela está em casa.”
O oficial não respondeu.
Graves percebeu.
“O que mais?”
“A equipe chegou ao prédio.”
“E?”
“A porta do apartamento está aberta.”
Meu coração pareceu parar.
“Minha mãe nunca deixa a porta aberta.”
O oficial continuou:
“Não encontramos sinais de arrombamento no corredor.”
Graves pegou o rádio.
“Não entrem até verificarem o interior remotamente.”
“Senhor, eles já fizeram isso.”
Meu peito começou a doer.
“Encontraram minha mãe?”
O oficial baixou a voz.
“Não.”
“Então onde ela está?”
“Não sabemos.”
Minhas pernas falharam.
Graves me segurou antes que eu caísse.
“Ruby.”
“Ela desapareceu?”
“Não sabemos ainda.”
“Foi ele?”
Olhei para a tela.
Thomas Vale continuava congelado na imagem, olhando diretamente para minha mochila.
Harris ampliou outra parte da gravação.
“Espere.”
Todos se aproximaram.
Vale estava ao telefone.
Depois guardava o aparelho.
Então tirava alguma coisa do bolso.
Uma chave.
Ele caminhava até uma porta lateral reservada a funcionários e desaparecia.
Harris verificou o registro eletrônico.
“Essa credencial foi desativada quatro anos atrás.”
“Então como ele abriu a porta?”, perguntou Graves.
Harris digitou outra sequência.
A resposta apareceu segundos depois.
**ACESSO MANUAL AUTORIZADO.**
Graves apertou a mandíbula.
“Por quem?”
O coronel abriu o registro completo.
Seu rosto mudou.
“Isso não pode estar certo.”
“Leia.”
Harris virou o monitor.
No campo de autorização havia apenas um nome.
**CORONEL DANIEL HARRIS.**
Olhei para ele.
O Coronel Harris ficou branco.
“Eu não autorizei isso.”
Graves não piscou.
“Então alguém está usando sua identidade também.”
Antes que qualquer pessoa pudesse falar, meu celular vibrou.
Uma mensagem.
Número desconhecido.
Abri.
Era uma fotografia da minha mãe.
Ela estava sentada em uma cadeira.
Viva.
Assustada.
Atrás dela havia uma parede de concreto sem janelas.
Embaixo da foto, uma única frase:
**TRAGA O ARQUIVO ORIGINAL E A MENINA VOLTA A VER A MÃE.**
Minhas mãos começaram a tremer.
Então chegou uma segunda mensagem.
Desta vez, apenas quatro palavras.
**GRAVES SABE ONDE COMEÇAR.**
Olhei para o General.
“Ele está falando a verdade?”
Graves ficou imóvel.
“Sobre o quê?”
“Você sabe onde começar?”
Por um longo momento, ele não respondeu.
Então fechou os olhos.
E eu soube que havia mais uma coisa que ele ainda não tinha contado.
“Sim”, disse finalmente.
Harris virou-se para ele.
“Nathaniel?”
Graves abriu os olhos.
“Doze anos atrás, antes de Emily desaparecer, ela me entregou uma cópia de tudo o que tinha encontrado.”
Minha garganta secou.
“Onde está?”
Graves olhou para a carteira que eu tinha atravessado a cidade inteira para devolver.
“Eu escondi no único lugar que ninguém pensaria em procurar.”
Seu olhar desceu lentamente até ela.
“Dentro daquela carteira.”
Continua — clique na Parte 5 para continuar lendo.







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