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Cinco Minutos Após Assinar O Divórcio, Ela Embarcou Com Os Filhos — Então O Ultrassom Da Amante Revelou Um Segredo Que Mudou Tudo

A frase de Augusto ficou suspensa no ar como uma ameaça que nenhum de nós ousava tocar. Eu ainda segurava o celular, encarando aquele número desconhecido, enquanto uma sensação gelada percorria minhas costas. Por alguns segundos, ninguém falou. Então ouvi passos no andar de cima e rapidamente bloqueei a tela.

— Quem você pensou que estivesse morto? — perguntei.

Augusto desviou os olhos.

— Seu avô tinha um advogado chamado Henrique Vasconcelos. Ele cuidava dos assuntos mais delicados da família. Oficialmente, morreu em um acidente de carro três anos atrás, pouco depois do funeral do seu avô.

— E você acha que foi ele quem mandou a mensagem?

— Não sei.

— Mas você acabou de dizer que o número pertence a ele.

Augusto respirou fundo e puxou uma cadeira.

— Pertencia.

Sentei diante dele.


— Então me conte tudo.

Ele demorou alguns segundos antes de responder.

— Seu avô descobriu que alguém estava retirando dinheiro das empresas da família. Não eram grandes quantias de uma vez. Eram transferências pequenas, espalhadas por várias contas. Justamente por isso ninguém percebeu no início. Quando ele começou a investigar, descobriu que uma dessas contas estava ligada à Vértice.

Meu coração apertou.

— Marcelo?

— Ainda não havia prova de que ele estava envolvido diretamente. Mas havia algo estranho. Seu marido começou a aparecer em reuniões que não deveria conhecer. Depois, começou a pressionar seu avô para vender algumas propriedades.

— Ele dizia que era por causa dos negócios.

Augusto soltou uma risada amarga.

— Seu avô nunca acreditou nisso.

Olhei novamente para a caixa de madeira.


— E a minha assinatura?

— Essa é a parte que seu avô mais temia.

Peguei o documento falsificado e examinei cada detalhe. A assinatura parecia minha. Quase perfeita. Mas havia uma diferença mínima na curva final da letra.

— Isso não fui eu.

— Eu sei.

— Como?

Augusto apontou para a data.

— Naquele dia você estava no hospital com seu filho. Seu avô confirmou pessoalmente. Ele guardou os registros porque já suspeitava de falsificação.

Meu estômago se contraiu.

Eu me lembrava daquele dia. Meu filho tinha seis anos e passara horas com febre. Marcelo sequer apareceu no hospital. Na época, disse que estava preso em uma reunião importante.


Agora aquela lembrança parecia completamente diferente.

— Então ele sabia que estavam tentando roubar minha herança.

— Sim.

— E por que nunca me contou?

Augusto ficou em silêncio.

— Porque achava que você corria perigo.

Senti os olhos arderem.

— Perigo de quem?

Antes que ele respondesse, ouvimos minha filha gritar no andar de cima.

— Mamãe!


Levantei-me imediatamente e corri pela escada.

Encontrei os dois no corredor. Minha filha segurava uma fotografia antiga que havia encontrado dentro de uma gaveta.

— Olha quem é esse homem.

Peguei a fotografia.

Meu coração parou.

Era Marcelo.

Mais jovem, talvez vinte e poucos anos, estava ao lado do meu avô em frente à propriedade.

Mas havia outra pessoa na fotografia.

Uma mulher.

Patrícia.


A mesma mulher que, naquele dia, estava na clínica.

— Onde você encontrou isso? — perguntei.

— Dentro daquela gaveta — respondeu minha filha.

Augusto chegou logo atrás de mim.

Quando viu a fotografia, seu rosto mudou.

— Isso não deveria estar aqui.

Virei-me para ele.

— Eles já se conheciam?

Augusto não respondeu.

— Augusto!


Ele fechou os olhos.

— Patrícia trabalhou para seu avô.

A fotografia pareceu pesar toneladas na minha mão.

— Como assistente?

— Não exatamente.

— Então o quê?

— Ela era filha de um dos antigos sócios dele.

A lembrança daquela mulher chorando na clínica voltou à minha cabeça. Patrícia não parecia apenas assustada com a notícia do tumor. Havia algo mais em seu rosto quando o médico mencionou o teste de paternidade.

Alguma coisa que eu ainda não compreendia.

Meu celular vibrou novamente.


Dessa vez, uma foto havia sido enviada.

Abri.

Era uma imagem de Marcelo entrando em um prédio.

Abaixo, havia uma mensagem:

“Ele está procurando a mesma coisa que você.”

Meu coração acelerou.

— Quem está mandando isso? — perguntou Augusto.

— Não sei.

Outra mensagem apareceu.

“Você tem até amanhã para encontrar o cofre.”


Fiquei imóvel.

— Que cofre?

Augusto empalideceu.

— Seu avô nunca mencionou nenhum cofre.

— Você está mentindo.

— Juliana...

— Você sabia dessa chave!

Tirei a pequena chave da caixa e a coloquei sobre a mesa.

Augusto encarou o objeto durante vários segundos.

Então finalmente confessou:


— Existe um cofre.

Meu coração bateu violentamente.

— Onde?

— No antigo escritório do seu avô.

Descemos juntos.

O escritório estava fechado havia três anos. As cortinas permaneciam abaixadas e o cheiro de madeira antiga ainda impregnava o ambiente. Augusto caminhou até uma estante e retirou três livros de uma prateleira.

Atrás deles havia uma pequena fechadura.

Introduzi a chave.

Ouvi um clique.

A parede se abriu alguns centímetros.


Dentro havia um compartimento estreito.

Mas o cofre estava vazio.

Apenas um envelope permanecia lá.

Meu nome estava escrito na frente.

Abri com mãos trêmulas.

Dentro havia uma única folha.

“Juliana, se você encontrou este lugar, significa que Marcelo já sabe que você descobriu a verdade. Não confie em Augusto.”

Levantei os olhos imediatamente.

Augusto estava parado diante de mim.

O rosto dele havia perdido toda a cor.

— Seu avô escreveu isso? — perguntei.

Ele não respondeu.

Foi então que ouvi um barulho vindo da entrada da casa.

Uma porta se fechando.

Depois, passos.

Alguém havia acabado de entrar.

Augusto olhou para o corredor e sussurrou:

— Nós precisamos tirar as crianças daqui.

Meu celular vibrou uma última vez.

A mensagem dizia apenas:

“Não deixe Augusto chegar primeiro ao segundo cofre.”

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