Entretenimento

Cinco Minutos Após Assinar O Divórcio, Ela Embarcou Com Os Filhos — Então O Ultrassom Da Amante Revelou Um Segredo Que Mudou Tudo

Passei o resto daquela noite sentada no escritório do meu avô, sem conseguir tirar os olhos da janela. A chuva começou pouco depois da meia-noite, batendo contra o vidro como pequenos dedos impacientes. Meus filhos dormiam no andar de cima, e eu deveria estar ao lado deles, mas aquela última mensagem havia destruído a única certeza que ainda me restava.

Meu avô poderia estar vivo.

A ideia parecia absurda. Eu havia visto seu corpo no funeral. Havia recebido documentos oficiais, ouvido o médico confirmar a morte e acompanhado o caixão até o túmulo. Durante três anos, chorei por ele. Visitei seu túmulo em aniversários e datas importantes. Falei com uma fotografia dele quando sentia falta de seus conselhos.

E agora alguém estava dizendo que tudo aquilo poderia ter sido uma encenação.

— Augusto — chamei.

Ele estava sentado no outro lado da mesa, com as mãos entrelaçadas.

— Você sabia?

Ele demorou a responder.

— Eu suspeitava.

— Não perguntei se suspeitava. Perguntei se sabia.


Augusto fechou os olhos.

— Seu avô me pediu para acreditar que ele estava morto.

Senti um nó na garganta.

— Isso não faz sentido.

— Para proteger você, fazia.

Levantei-me bruscamente.

— Proteger de quem?

— Da mesma pessoa que está tentando recuperar os documentos que você levou.

— Quem?

Augusto ficou em silêncio.


— Você está fazendo isso de novo — falei. — Sempre sabe alguma coisa, mas me entrega apenas metade da verdade.

Ele respirou fundo.

— Porque metade da verdade é tudo o que eu consigo provar.

Peguei o pen drive que Marcelo havia deixado e coloquei sobre a mesa.

— Então vamos descobrir o resto.

Augusto trouxe um notebook antigo do armário. O computador demorou alguns minutos para ligar. Conectei o dispositivo e uma única pasta apareceu na tela.

“JULIANA — MEMÓRIA.”

Meu coração acelerou.

Havia três arquivos.

O primeiro era um vídeo.


Cliquei.

A imagem mostrou o escritório do meu avô muitos anos atrás. A gravação parecia ter sido feita por uma câmera escondida. Meu avô estava sentado atrás da mesa. Em frente a ele estavam duas pessoas.

Patrícia.

E um homem.

O homem estava de costas.

Mas então ele levantou o braço para pegar um documento.

No pulso, o relógio rachado.

Parei o vídeo.

— É ele.

Augusto assentiu.


— Seu avô o chamava de Álvaro.

— Meu avô sabia quem ele era?

— Sabia.

Continuei assistindo.

A voz do homem ficou clara.

— Quando Juliana completar dezoito anos, os bens estarão sob controle dela. Se ela assinar a procuração, tudo poderá ser transferido.

Meu corpo ficou gelado.

Meu avô respondeu:

— Ela nunca assinará.

Álvaro riu.


— Você ainda não entendeu. Ela não precisa querer.

O vídeo terminou.

Fiquei olhando para a tela escura.

— Quem é Álvaro?

Augusto não respondeu imediatamente.

— O pai de Marcelo.

Senti como se o chão tivesse desaparecido.

— Então ele não morreu.

— Não.

— E meu avô sabia que ele estava vivo.


— Sim.

— Por que deixou Marcelo acreditar que o pai estava morto?

Augusto abaixou a cabeça.

— Porque Marcelo era jovem demais para compreender que o próprio pai estava tentando usar a família dele para chegar até você.

Fechei os olhos.

Tudo começava a se encaixar de uma forma assustadora.

O casamento.

A Vértice.

A procuração falsificada.

Patrícia.


As transferências.

A obsessão de Marcelo pela minha herança.

Mas ainda havia uma coisa que não fazia sentido.

— E a morte do meu avô?

Augusto ficou rígido.

— Essa é a parte que você precisa ouvir de outra pessoa.

— De quem?

Ele apontou para o segundo arquivo.

Abri.

Era um áudio.


A voz do meu avô surgiu novamente.

“Juliana, se você chegou até aqui, significa que o plano falhou.”

Minha respiração ficou presa.

“Eu não queria desaparecer. Fui obrigado a fazê-lo depois de descobrir que alguém dentro da nossa própria família estava entregando informações para Álvaro.”

Olhei para Augusto.

“Não procure essa pessoa até ter certeza de que pode se proteger. Ela esteve ao seu lado durante anos.”

O áudio terminou.

Fiquei imóvel.

— Quem da minha família?

Augusto levantou-se.


— Eu não sei.

— Você sabe.

— Não, Juliana.

— Então por que seu rosto mudou?

Ele não respondeu.

Nesse momento, ouvimos um barulho vindo do andar superior.

Uma porta bateu.

Meu coração disparou.

Subi correndo as escadas.

O quarto das crianças estava vazio.


— Lucas?

Nenhuma resposta.

— Clara?

Nada.

A janela estava aberta.

Meu sangue gelou.

Corri até ela e olhei para fora.

No jardim, as árvores balançavam com o vento.

Então ouvi a voz do meu filho atrás de mim.

— Mãe?

Virei-me.

Lucas estava parado no corredor, segurando a mão da irmã.

— Nós acordamos porque alguém estava falando lá embaixo.

Ajoelhei-me e os abracei com força.

— Vocês saíram do quarto?

— Não — disse Clara. — Mas alguém entrou.

Meu coração parou.

— Quem?

Ela apontou para o corredor.

— Um homem.

Augusto chegou atrás de mim.

— Você viu o rosto dele?

Minha filha balançou a cabeça.

— Não. Ele ficou no escuro.

Então ela acrescentou:

— Mas ele falou uma coisa.

— O quê?

Ela apertou meus dedos.

— Disse que o vovô mandou dizer que você não deveria confiar em ninguém.

Augusto ficou branco.

— Seu avô?

Antes que eu pudesse responder, ouvi o som de um carro arrancando do lado de fora.

Corri até a janela.

Um veículo preto desaparecia pela estrada.

No banco traseiro, por uma fração de segundo, vi alguém olhando para a casa.

Meu celular vibrou.

Dessa vez, a mensagem não era anônima.

Era de Marcelo.

“Juliana, acabei de encontrar meu pai.”

Logo abaixo veio outra.

“E ele me disse que seu avô está vivo.”

Senti meus joelhos enfraquecerem.

Mas a terceira mensagem foi a que realmente me fez entender que nada daquela história havia terminado.

“Ele também disse que a pessoa que traiu seu avô está dentro da casa com você.”

No comments yet