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Ele Abandonou A Esposa Por Uma Modelo — Nove Meses Depois, Os Gêmeos Que Ele Nem Sabia Que Existiam Revelaram O Segredo Que Poderia Tirar Dele Seu Império Bilionário

A fotografia permaneceu aberta na tela do celular de Clara enquanto seus dedos começavam a tremer. Não era apenas o fato de alguém saber sobre a gravidez. A imagem havia sido tirada a menos de três metros dela, provavelmente do outro lado da rua da clínica, e Clara não percebera câmera alguma. Ampliou a fotografia e observou o reflexo de uma vitrine atrás de si. Havia um carro escuro estacionado próximo à esquina. Não conseguia identificar a placa, mas reconheceu algo pior: o mesmo veículo estivera parado duas vezes naquela semana perto da casa onde estava hospedada.

Clara fechou as cortinas imediatamente.

Ligou para o único homem que conhecia capaz de ajudá-la sem fazer perguntas desnecessárias: Miguel Ferraz, advogado que havia cuidado dos últimos assuntos da mãe dela. Miguel sabia parte da história dos documentos Ashford, embora Clara nunca tivesse contado sobre os gêmeos.

“Preciso que venha até aqui”, disse ela quando ele atendeu.

“Clara? O que aconteceu?”

“Alguém está me seguindo.”

Houve silêncio.

“Você está sozinha?”

“Sim.”

“Tranque tudo. Não saia. Estou indo.”

Clara desligou e voltou à mensagem. Tentou ligar para o número desconhecido, mas uma gravação informou que ele não existia. Aquilo não fazia sentido. Sentiu os bebês se moverem e pousou ambas as mãos sobre a barriga.

“Eu não vou deixar ninguém chegar perto de vocês”, murmurou.

Em São Paulo, Rafael ainda encarava Henrique.

“Você está sugerindo que Clara estava grávida quando assinamos o divórcio?”

“Estou perguntando se existe essa possibilidade.”

“Ela teria me contado.”

Henrique não respondeu.

A expressão do advogado foi suficiente.

Rafael levantou-se bruscamente.

“Não me olhe assim.”

“Como?”

“Como se eu tivesse dado algum motivo para ela esconder uma gravidez.”

Henrique fechou lentamente a pasta.

“Você quer mesmo que eu responda?”

A pergunta atingiu Rafael com mais força do que ele esperava. Durante meses ele havia transformado o fim do casamento em uma decisão empresarial: incompatibilidade, objetivos diferentes, uma relação que já não funcionava. Era mais fácil do que admitir que começara a se aproximar de Marina enquanto Clara ainda acreditava que os dois tentavam reconstruir o casamento.

Rafael pegou o celular.

“Encontre Clara.”

“Rafael…”

“Hoje.”

A porta se abriu antes que Henrique respondesse. Marina entrou usando óculos escuros enormes e carregando duas sacolas de uma grife francesa.

“Finalmente encontrei você.”

Ela se aproximou para beijá-lo, mas Rafael virou discretamente o rosto.

Marina percebeu.

“Algum problema?”

“Nenhum.”

Seus olhos caíram sobre os documentos.

“Clara?”

Rafael fechou a pasta.

“Assunto empresarial.”

“Então por que o nome da sua ex-mulher está numa árvore genealógica?”

O silêncio mudou imediatamente.

Henrique se levantou.

“Vou continuar a investigação.”

Quando ficaram sozinhos, Marina cruzou os braços.

“Você está procurando Clara?”

“Preciso esclarecer algumas coisas.”

“Que coisas?”

“Não dizem respeito a você.”

Marina soltou uma pequena risada.

“Engraçado. Há nove meses você dizia que tudo na sua vida dizia respeito a mim.”

Nove meses.

Rafael ergueu os olhos.

A coincidência atravessou sua mente como uma lâmina.

Marina percebeu a mudança em seu rosto.

“O quê?”

“Nada.”

Mas já não era nada.

Rafael abriu discretamente o calendário no celular e voltou até a época do divórcio. Começou a contar semanas. Lembrou-se da última noite em que ele e Clara haviam dormido juntos, semanas antes de ele anunciar definitivamente que queria se separar. Tinham discutido naquela noite. Depois Clara chorara. Ele também pedira desculpas. Durante algumas horas, acreditaram que talvez ainda houvesse algo para salvar.

A memória que Rafael havia passado meses tentando apagar agora voltava inteira.

Henrique telefonou quarenta minutos depois.

“Consegui localizar uma movimentação recente de Clara.”

Rafael afastou-se de Marina.

“Onde?”

“Uma clínica particular em Petrópolis.”

Seu coração acelerou.

“Que tipo de clínica?”

Henrique demorou alguns segundos.

“Obstetrícia.”

Rafael não respondeu.

“Há mais”, continuou Henrique. “Não consegui acessar prontuários médicos, obviamente. Mas descobri que Clara fez pagamentos recorrentes para uma especialista em gestação de alto risco.”

Rafael fechou os olhos.

“Eu quero ir até lá.”

“Isso pode ser uma péssima ideia.”

“Prepare o carro.”

Do outro lado da sala, Marina estava imóvel.

Ela ouvira o suficiente.

Três horas depois, Miguel chegou à casa de Clara. Trazia consigo uma pasta grossa e uma preocupação que ela nunca vira em seu rosto.

“Antes de falarmos sobre quem está seguindo você, preciso mostrar uma coisa.”

Ele colocou sobre a mesa uma cópia do acordo societário de 1989.

Clara reconheceu imediatamente os nomes.

“Eu já vi isso.”

“Não esta página.”

Miguel virou até um anexo que não aparecia nos documentos encontrados por Clara.

A cláusula estabelecia que os ativos transferidos pelos Ashford permaneceriam sob administração dos Almeida enquanto não existisse um descendente direto capaz de reivindicar formalmente o patrimônio. Caso surgisse um herdeiro legítimo com descendência comprovada, uma auditoria obrigatória seria aberta.

“Quanto patrimônio estamos falando?”, perguntou Clara.

Miguel permaneceu sério.

“Não é simplesmente dinheiro.”

“Então o quê?”

“Participação societária.”

Clara sentiu o estômago apertar.

Miguel apontou para um número.

Quarenta e dois por cento.

Ela leu novamente.

“Isso não pode ser verdade.”

“Se os documentos forem autênticos, sua família pode ter direito a quarenta e dois por cento da holding que deu origem ao Grupo Meridian Almeida.”

Clara afastou-se da mesa.

De repente, as falhas financeiras que começavam a aparecer nos jornais econômicos ganharam outro significado.

“Foi por isso que alguém enviou aquela pasta para Rafael?”

“Talvez.”

“Quem?”

Miguel abriu a boca, mas um ruído de motor interrompeu a conversa.

Um carro parou diante da casa.

Clara ficou pálida.

Miguel caminhou até a janela e afastou discretamente a cortina.

“Você conhece aquele homem?”

Clara aproximou-se.

O carro preto havia parado junto ao portão.

A porta traseira se abriu.

Rafael saiu.

Durante nove meses, Clara imaginara como seria vê-lo novamente. Imaginara raiva, desprezo, talvez indiferença.

Não imaginara medo.

Instintivamente, levou a mão à barriga.

Do lado de fora, Rafael ergueu os olhos para a janela.

E a viu.

Mesmo através do vidro, mesmo à distância, não havia como confundir o volume evidente sob o vestido de Clara.

Rafael ficou completamente imóvel.

Então seus olhos desceram até a barriga dela.

Clara percebeu exatamente o momento em que ele compreendeu.

Mas Miguel olhava para outra coisa.

Para o carro estacionado cinquenta metros atrás do veículo de Rafael.

O mesmo carro escuro da fotografia.

Ele puxou Clara para longe da janela.

“Rafael não veio sozinho.”

“Henrique?”

“Não.”

Miguel fechou a cortina.

“Alguém seguiu Rafael até você.”

Naquele instante, o celular de Clara vibrou novamente.

Outra mensagem do número impossível.

“Não conte a Rafael sobre os gêmeos antes de perguntar quem realmente morreu no acidente de 1991.”

Clara releu a frase duas vezes.

Então Miguel viu a mensagem sobre seu ombro.

Toda a cor desapareceu de seu rosto.

Clara virou-se para ele.

“Você sabe que acidente foi esse.”

Miguel não conseguiu esconder a reação.

“Sei.”

“Quem morreu?”

Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Quando finalmente respondeu, sua voz estava quase irreconhecível.

“Segundo os documentos oficiais, Edward Ashford.”

Miguel olhou novamente para o carro parado do lado de fora.

“Mas há vinte anos sua mãe me fez prometer que jamais contaria a você que encontraram o corpo errado.”

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