A confiança do diretor Álvaro voltou por um último segundo.
Então minha ligação foi atendida.
— Aqui é o general Carlos. Preciso de uma resposta emergencial de proteção à criança no Colégio Álvaro de Almeida.
Os braços da professora Gabriela caíram ao lado do corpo.
O diretor Álvaro se levantou tão depressa que a cadeira bateu contra a parede.
— General? — sussurrou.
Eu o ignorei e informei ao oficial da assessoria jurídica o nome da minha filha, nossa localização e um resumo do que havia acontecido. Em seguida, encaminhei o vídeo e a gravação das ameaças que eles tinham acabado de fazer.
Minha filha estava sentada ao meu lado, envolvida no meu casaco, apertando minha mãozinha com força.
Em menos de quinze minutos, o corredor antes silencioso se encheu de investigadores estaduais, policiais civis e representantes da Secretaria de Educação.
Álvaro correu em direção à porta.
— Esta é uma instituição particular — protestou. — Vocês não podem simplesmente entrar aqui sem autorização.
Um dos policiais lhe entregou um mandado.
— Temos autorização.
A professora Gabriela começou a chorar.
— Ela estava atrapalhando a aula — insistiu. — Eu só a coloquei naquela sala por alguns minutos.
Minha gravação provava que tinham sido quase duas horas.
Então outro investigador abriu o registro de segurança do depósito.
Minha filha não tinha sido a primeira criança trancada ali.
Dezessete registros haviam sido apagados durante o ano letivo anterior.
Três crianças tinham deixado a escola sem qualquer explicação.
Uma delas havia sido hospitalizada depois de sofrer uma grave crise de pânico.
O rosto de Álvaro perdeu a cor.
— Estão exagerando tudo isso.
— Não — respondi em voz baixa. — Estão descobrindo a verdade.
Os policiais separaram os dois para interrogá-los.
Enquanto a professora Gabriela era conduzida para fora, ela se virou para minha filha.
— Você estragou tudo.
Coloquei-me imediatamente entre as duas.
— Ela contou a verdade. Você mesma destruiu tudo.
Do lado de fora, os pais já começavam a se reunir à medida que a notícia se espalhava. Alguns gritavam perguntas. Outros abraçavam os filhos que finalmente haviam encontrado coragem para falar.
Achei que o pesadelo estivesse chegando ao fim.
Então a investigadora responsável voltou segurando uma pasta escolar lacrada.
— Encontramos uma coisa escondida no cofre do diretor — disse ela.
Dentro havia fotografias de vigilância minhas e da minha filha, tiradas diante da nossa casa, no supermercado e na entrada da base militar.
Na primeira página, havia um carimbo em letras grandes:
**ALVO: GENERAL CARLOS — PONTO DE PRESSÃO IDENTIFICADO.**
Meu sangue gelou.
Álvaro não tinha escolhido minha filha como alvo porque ela era difícil.
Alguém havia ordenado que ele a usasse contra mim.
Então meu celular tocou.
Era um número restrito.
Uma voz distorcida disse:
— Retire-se da audiência militar de amanhã ou, da próxima vez, não vamos deixar a porta destrancada.
**Continua — clique na Parte 3 para continuar lendo.**







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