Entretenimento

Encontrei minha filha de 8 anos trancada no depósito da escola — e o diretor ameaçou destruir o futuro dela

Por um segundo, todo o treinamento de uma vida inteira desapareceu.

Eu não era general.

Não era o homem diante de uma comissão militar.

Era apenas um pai que acabara de ler que a filha de oito anos havia sumido de uma casa protegida.

Ferraz ainda sorria.

Aquilo me disse que ele sabia alguma coisa.

Levantei-me.

— Onde ela está?

Um dos oficiais da Corregedoria segurou meu braço antes que eu atravessasse a mesa.

— General Carlos.


Afastei a mão dele sem tirar os olhos de Ferraz.

— Perguntei onde está minha filha.

Ferraz ajeitou calmamente a manga do uniforme.

— Não faço ideia do que o senhor está falando.

— Há dez segundos sugeriu exatamente o contrário.

— Talvez eu apenas esteja lembrando que decisões têm consequências.

O representante do Ministério Público Militar imediatamente se aproximou.

— General Ferraz, a partir deste momento, aconselho que não diga mais nada.

Ferraz inclinou a cabeça.

— Excelente conselho.


Meu celular tocou.

Henrique.

Atendi no primeiro toque.

— Fale.

A voz dele estava ofegante.

— A equipe chegou para substituir o turno às sete e cinquenta. A casa estava vazia. Nenhum sinal de luta.

— E os homens que estavam com ela?

— Dois desapareceram. O terceiro foi encontrado desacordado numa construção a quatro quilômetros dali.

Meu peito apertou.

— Vivo?


— Sim.

— Minha filha?

Silêncio.

— Ainda não encontramos.

Fechei os olhos por uma fração de segundo.

Precisava pensar.

Pânico não encontraria minha filha.

Disciplina, sim.

— Quem conhecia o endereço?

Henrique respondeu imediatamente:


— Eu. Você. Três integrantes da equipe. A psicóloga. E o oficial que autorizou o uso da residência no sistema.

— Nome.

Houve uma pausa.

— Tenente-coronel Marcelo Farias.

Eu conhecia Marcelo.

Ele trabalhava diretamente na estrutura administrativa subordinada a Ferraz.

Olhei para o homem sentado diante de mim.

O sorriso havia desaparecido.

— Henrique, localize Farias agora.

— Já tentei. Telefone desligado.


— Bloqueie acessos, cartões, veículos e contas funcionais. Quero imagens de todas as câmeras num raio de dez quilômetros da casa.

— Carlos...

— Encontre minha filha.

Desliguei.

Um dos membros da comissão parecia atordoado.

— Isso está relacionado ao caso?

Coloquei meu telefone sobre a mesa.

— Minha filha desapareceu de uma residência protegida poucos minutos antes de vocês tentarem deter Ferraz.

Todos olharam para ele.

Ferraz se levantou.


— Isso é absurdo.

— Sente-se — ordenou o oficial da Corregedoria.

— O senhor não pode associar meu nome ao desaparecimento de uma criança sem prova alguma.

— Ainda não associei — respondi.

Aproximei-me lentamente.

— Mas o senhor sabia que havia alguma coisa acontecendo com ela antes de eu receber a mensagem.

Ele abriu a boca.

— Eu estava fazendo uma provocação.

— Uma provocação muito específica.

Pela primeira vez, Ferraz pareceu calcular cuidadosamente cada palavra.


A audiência foi suspensa imediatamente.

Enquanto ele era retirado sob custódia, entreguei à Corregedoria tudo o que havíamos encontrado na madrugada.

A lista.

A assinatura digital.

Os arquivos recuperados.

A conexão financeira entre Horizonte e Grupo Vértice.

Mas eu não fui com eles.

Minha prioridade estava em outro lugar.

Quinze minutos depois, eu estava no centro de operações improvisado montado por Henrique.

Na parede principal havia imagens de câmeras rodoviárias, mapas e registros de veículos.


O homem encontrado desacordado já havia recobrado a consciência.

Seu depoimento mudou tudo.

Por volta das seis e quarenta, uma viatura militar havia chegado à residência.

Os homens mostraram credenciais válidas.

Disseram que existia uma ameaça imediata e que a menina precisava ser transferida.

O líder da equipe desconfiou.

Ligou para confirmar a ordem.

A chamada foi direcionada para um ramal militar verdadeiro.

A pessoa do outro lado confirmou tudo.

— Clonaram o ramal? — perguntei.


Henrique balançou a cabeça.

— Não.

Ele colocou um registro diante de mim.

— A chamada veio de dentro da Diretoria de Aquisições.

Alguém ainda estava operando.

Mesmo com Renato detido.

Mesmo com Ferraz sob custódia.

— Marcelo Farias — falei.

Henrique assentiu.

— O cartão dele foi usado para entrar no prédio às cinco e cinquenta e dois.


— E para sair?

— Não há registro.

Olhei para o mapa.

— Então pode ter saído usando outro acesso.

Uma analista chamou Henrique.

— Coronel!

Na tela apareceu uma câmera de trânsito.

Uma caminhonete escura passava por um cruzamento às sete e três da manhã.

A placa pertencia a um veículo oficial descaracterizado.

No banco traseiro, quase escondida pelo reflexo do vidro, havia uma pequena figura.

Minha filha.

Eu reconheceria aquele cabelo em qualquer lugar.

A mão dela estava pressionada contra a janela.

Henrique ampliou a imagem.

— Encontramos o veículo em outras duas câmeras.

Seguimos a rota.

Primeiro para o sul.

Depois para uma estrada secundária.

Então as imagens desapareceram.

— Último ponto?

A analista marcou uma região no mapa.

Uma área industrial abandonada nos arredores da cidade.

Meu telefone vibrou.

Número restrito.

Todo mundo na sala ficou em silêncio.

Atendi.

A mesma voz distorcida da noite anterior.

— O senhor foi avisado.

— Quero falar com minha filha.

— Retire seu depoimento. Diga que os documentos foram interpretados incorretamente. Ferraz sai. A menina volta para casa.

— Preciso ouvi-la.

— Não está em posição de fazer exigências.

Controlei minha respiração.

— Se querem que eu coopere, preciso saber que ela está viva.

Silêncio.

Então ouvi uma respiração pequena.

— Pai?

Fechei a mão com tanta força que as unhas entraram na palma.

— Estou aqui, meu amor.

— Eles disseram que você vai vir me buscar.

Olhei para Henrique.

Ele já estava sinalizando para a equipe técnica rastrear a chamada.

— Vou.

— Pai, eu estou...

A ligação foi cortada.

Henrique ergueu a mão.

— Conseguimos alguma coisa.

A chamada havia passado por vários redirecionamentos, mas o último sinal estava dentro da mesma área industrial identificada pelas câmeras.

Havia seis galpões.

Duas entradas rodoviárias.

Um antigo terminal ferroviário.

— Podemos entrar — disse Henrique.

Balancei a cabeça.

— Não sem saber em qual prédio ela está.

— Cada minuto importa.

— Exatamente por isso não vamos entrar cegos.

A analista abriu registros públicos dos imóveis.

Cinco galpões pertenciam a empresas falidas.

O sexto havia sido adquirido sete meses antes por uma subsidiária.

Quando o nome apareceu na tela, ninguém precisou dizer nada.

Grupo Vértice.

Henrique já estava dando ordens quando outra informação surgiu.

Uma câmera particular de um posto de combustível havia registrado a mesma caminhonete entrando no complexo.

Às sete e dezessete.

Nenhum registro de saída.

Encontramos o local.

Mas o que apareceu na tela seguinte me fez parar.

Outra câmera mostrava um segundo veículo entrando pelo portão vinte minutos depois.

A imagem era ruim.

A placa, porém, estava legível.

Pertencia oficialmente ao gabinete do general Augusto Ferraz.

Só havia um problema.

Naquele horário, Ferraz já estava sentado diante de mim na audiência.

Alguém estava usando os recursos dele.

Alguém que ainda não havíamos identificado dentro da operação.

E essa pessoa estava no mesmo lugar onde mantinham minha filha.

Peguei meu colete.

Henrique tentou impedir.

— Carlos, você não entra na primeira equipe.

Olhei diretamente para ele.

— Não vou comandar essa operação como pai.

Ajustei o colete.

— Vou comandá-la como o oficial que conhece essa rede melhor do que qualquer homem lá fora.

Então abri a porta.

— E vou trazer minha filha para casa.

Continua — clique na Parte 7 para continuar lendo.

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