Entretenimento

Encontrei minha filha de 8 anos trancada no depósito da escola — e o diretor ameaçou destruir o futuro dela

Durante alguns segundos, ninguém falou.

Eu conhecia aquele código.

Não era apenas uma identificação administrativa qualquer.

Ele pertencia ao Sistema Integrado de Segurança Operacional, uma rede interna usada para documentos que jamais deveriam circular fora de instalações militares autorizadas.

O perito ampliou a tela.

— O arquivo foi criado há quatro meses e onze dias.

Exatamente na mesma época em que Álvaro admitira ter começado a receber instruções sobre minha rotina.

— Quem tinha acesso? — perguntei.

— Ainda estamos verificando.

— Não. — Apontei para o código. — Quero saber de qual setor saiu.


Ele digitou rapidamente.

Quando a resposta apareceu, senti meu estômago endurecer.

Diretoria de Aquisições Estratégicas.

O mesmo setor responsável por analisar parte dos contratos que eu havia questionado.

A investigadora percebeu minha reação.

— Isso significa alguma coisa para o senhor?

— Significa que não estamos procurando alguém que conseguiu informações sobre o Exército.

Olhei para ela.

— Estamos procurando alguém de dentro dele.

Minha primeira preocupação continuava sendo minha filha.


Liguei para uma pessoa em quem confiava havia mais de vinte anos.

Coronel Henrique Moura.

Ele servira comigo em duas missões e era um dos poucos homens a quem eu confiaria minha própria vida.

— Preciso de uma equipe discreta — disse assim que ele atendeu. — Proteção integral para minha filha. Nenhum nome em sistema aberto. Nenhuma rota repetida.

O tom dele mudou imediatamente.

— Houve ameaça?

— Houve comprometimento interno.

Do outro lado da linha, silêncio.

Henrique sabia exatamente o que aquilo significava.

— Entendido.


Minha filha seria levada naquela noite para uma residência segura pertencente à família de Henrique, acompanhada por profissionais de proteção e por uma psicóloga especializada em trauma infantil.

Antes de sair da escola, ajoelhei-me diante dela.

— Você vai passar a noite em um lugar diferente hoje.

Ela imediatamente segurou meu braço.

— Sem você?

A pergunta quase me fez abandonar tudo.

Quase.

Passei a mão pelo cabelo dela.

— Só por algumas horas.

— Porque aqueles homens estão bravos com você?


Meu coração parou por um instante.

— Que homens?

Ela hesitou.

— A professora falava deles.

Olhei para a investigadora.

— O que exatamente ela dizia?

Minha filha apertou os lábios, tentando lembrar.

— Uma vez ela saiu da sala porque o telefone tocou. Quando voltou, estava nervosa. Disse para o diretor que “o coronel queria resultado”.

A investigadora ficou imóvel.

— Ela falou algum nome?


Minha filha pensou.

Então assentiu.

— Renato.

Conhecia apenas um coronel Renato ligado àquela investigação.

Coronel Renato Vasconcelos.

Chefe de coordenação técnica da Diretoria de Aquisições Estratégicas.

Um homem que havia sentado à minha frente três semanas antes, olhando diretamente nos meus olhos e dizendo que apoiaria qualquer investigação necessária.

Eu não disse nada na frente da minha filha.

Apenas a abracei.

Depois que ela saiu protegida pela equipe de Henrique, pedi que Gabriela fosse interrogada novamente.


Dessa vez, quando pronunciamos o nome Renato, ela perdeu completamente a compostura.

— Eu nunca falei com ele pessoalmente!

A investigadora se inclinou.

— Então conhece o nome.

Gabriela começou a respirar rápido.

— Álvaro mencionava.

— Quantas vezes?

— Não sei.

— Tente lembrar.

Ela fechou os olhos.


— Quando alguma coisa dava errado, Álvaro dizia que Renato ficaria furioso.

— Furioso por quê?

— Porque o general não estava desistindo.

Olhei para Álvaro através do vidro da sala ao lado.

Ele estava sentado com os ombros curvados, muito diferente do homem que poucas horas antes ameaçara colocar minha filha numa lista negra.

Quando colocamos o nome de Renato Vasconcelos diante dele, sua reação foi ainda mais clara.

— Quero um advogado.

A investigadora apoiou as mãos sobre a mesa.

— Até cinco minutos atrás o senhor dizia não conhecer ninguém.

— Quero um advogado.


— Então conhece Renato?

Álvaro ficou calado.

Eu me aproximei.

— Minha filha ficou quase duas horas trancada no escuro por causa das ordens que o senhor aceitou cumprir.

Ele desviou os olhos.

— Eles disseram que ninguém se machucaria.

— Quem são “eles”?

Nenhuma resposta.

— Renato?

Álvaro apertou os olhos.


— O coronel era só o contato.

A investigadora e eu trocamos um olhar.

Aquilo importava.

— Contato de quem?

Álvaro balançou a cabeça.

— Eu não sei.

Dessa vez, acreditei parcialmente nele.

— Como começaram a falar com o senhor?

Ele respirou fundo.

— Um jantar beneficente da escola, no ano passado. Um empresário foi apresentado por um dos pais. Meses depois, Renato entrou em contato.


— Empresário de qual empresa?

Álvaro hesitou.

— Grupo Vértice.

O nome me atingiu imediatamente.

O Grupo Vértice não aparecia oficialmente em nenhum dos contratos que eu investigava.

Mas aparecia em outra coisa.

Era o principal investidor de duas empresas menores que estavam sob investigação.

Aquilo conectava todas as peças.

Horizonte Consultoria Educacional.

A escola.

Renato.

Os contratos militares.

E agora o Grupo Vértice.

Meu telefone tocou.

Henrique.

Atendi imediatamente.

— Carlos, temos um problema.

Meu corpo inteiro ficou em alerta.

— Minha filha?

— Está segura.

Respirei novamente.

— Então fale.

— Pedi uma verificação silenciosa sobre Renato Vasconcelos.

— E?

— Ele entrou na base há quarenta minutos.

Olhei para o relógio.

Já era noite.

— Ele não tem expediente agora.

— Eu sei.

— Onde está?

Henrique demorou um segundo para responder.

— Na área de arquivos da Diretoria de Aquisições.

Meu olhar encontrou o da investigadora.

Renato estava tentando apagar alguma coisa.

— Bloqueie as saídas.

Henrique respondeu imediatamente:

— Já fiz isso.

Peguei meu casaco.

A investigadora também se levantou.

— Vou com o senhor.

— Aquilo é instalação militar.

Ela mostrou o mandado complementar que acabara de receber.

— E isto agora é uma investigação criminal envolvendo uma criança e possível coação de testemunha.

Vinte e cinco minutos depois, nosso veículo atravessava o portão da base.

As luzes da Diretoria de Aquisições estavam quase todas apagadas.

Henrique nos esperava na entrada.

— Renato ainda está lá dentro.

— Sozinho?

— Não sabemos.

Subimos pelo corredor em silêncio.

Quando chegamos ao setor de arquivos, encontramos a porta eletrônica aberta.

Uma luz vermelha piscava no painel.

Lá dentro, dezenas de documentos estavam espalhados pelo chão.

Uma trituradora industrial ainda funcionava.

Renato Vasconcelos estava diante dela.

Quando nos viu, ficou imóvel.

Na mão direita segurava uma pasta.

— Coronel — falei.

Ele soltou lentamente o documento sobre uma mesa.

— General.

— Afaste-se da trituradora.

Por alguns segundos, ninguém se moveu.

Então Renato deu um passo para trás.

Henrique recolheu a pasta.

Dentro dela havia cópias dos contratos que eu apresentaria na audiência.

Mas não foi isso que chamou minha atenção.

Na última página havia uma lista com nomes de oficiais.

Ao lado de alguns deles estava escrito:

“Controlável.”

Ao lado de outros:

“Comprado.”

E ao lado do meu nome:

“Pressão familiar autorizada.”

Abaixo havia uma assinatura digital.

Não era de Renato.

Era de alguém com patente superior à dele.

Alguém que deveria estar sentado comigo na audiência na manhã seguinte.

Continua — clique na Parte 5 para continuar lendo.

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