Entretenimento

“Meu marido entrou no meu quarto de hospital e tentou me tirar da cama — então ele fez algo que mudou tudo”

Por alguns segundos, não consegui respirar.

Não por causa da hemorragia.

Não por causa da dor que ainda pulsava no meu abdômen.

Mas por causa daquelas sete palavras brilhando na tela do celular de Carlos.

Ela perdeu o bebê como a gente planejou?

Minha irmã.

Elena percebeu que eu estava olhando para a mensagem e imediatamente virou o aparelho para baixo.

— Renata, você precisa ficar calma.

— Quem mandou isso?

Minha voz saiu tão fraca que quase não me reconheci.


Elena hesitou.

— O contato está salvo como Patrícia.

Fechei os olhos.

Patrícia Almeida.

Minha irmã mais nova.

A mulher que tinha ficado com Helena durante quase todas aquelas três semanas em que eu estava internada.

A mulher que me mandava mensagens todas as manhãs perguntando se eu tinha dormido bem.

A mulher que, dois dias depois do acidente, apareceu ao lado da minha cama com uma sacola de roupas limpas e chorou enquanto penteava meu cabelo.

Meu estômago se contraiu.

O monitor acelerou novamente.


— Renata.

O Dr. Paulo se aproximou.

— Precisamos controlar seu sangramento. O restante pode esperar.

— Não pode.

Ele me encarou por alguns segundos.

— Se continuarmos perdendo tempo, você pode colocar sua vida e a gestação em risco.

Gestação.

A palavra ainda parecia pertencer à vida de outra pessoa.

Levei a mão lentamente até a barriga.

Durante doze semanas, um bebê tinha crescido dentro de mim sem que eu soubesse.


E Carlos sabia?

Patrícia sabia?

Pior.

O que exatamente eles tinham planejado?

— O bebê está vivo? — perguntei.

— Neste momento, sim. O batimento está presente. Mas precisamos agir agora.

Assenti.

Antes que Elena guardasse o celular em um saco plástico transparente, segurei seu pulso.

— Não apague nada.

Ela sustentou meu olhar.


— Não vou apagar.

— Nem deixe Carlos pegar o telefone.

— A polícia vai receber o aparelho.

As portas se abriram e fui levada para o procedimento.

Enquanto as luzes do teto passavam uma após a outra sobre mim, tentei organizar os últimos vinte e um dias.

Patrícia tinha insistido para ficar com Helena.

Carlos aparecera pouco no hospital.

Quando aparecia, quase sempre perguntava primeiro quanto tempo os médicos achavam que eu ainda ficaria internada.

E havia outra coisa.

Uma lembrança pequena.


Tão pequena que eu quase a descartei.

Três dias antes do acidente, Patrícia tinha aparecido na minha casa sem avisar.

Trouxera café.

Nós duas ficamos na cozinha enquanto Carlos estava no escritório.

Eu tinha reclamado de náuseas naquela manhã.

Patrícia ficou imóvel por um segundo.

Depois sorriu.

— Deve ser estresse.

Na época, não pensei nisso.

Agora me lembrava exatamente da maneira como ela tinha olhado para mim.


Não para meu rosto.

Para minha barriga.

Quando acordei depois do procedimento, o quarto estava escuro, exceto pela luz amarelada sobre a pia.

Elena estava sentada perto da janela.

— O bebê?

Foi a primeira coisa que perguntei.

Ela se levantou.

— O batimento continua estável.

Chorei.

Não foi um choro bonito.


Meu rosto se contraiu e as lágrimas correram até minhas orelhas enquanto eu permanecia imóvel naquela cama, incapaz até de me virar.

Eu tinha descoberto meu filho no mesmo dia em que descobrira que alguém talvez tivesse tentado tirá-lo de mim.

Elena colocou um lenço na minha mão.

— A polícia quer conversar com você quando estiver pronta.

— Carlos ainda está aqui?

— Não.

Aquela única palavra trouxe um alívio que me fez perceber o quanto eu tinha vivido com medo dele.

— E Helena?

Elena desviou os olhos.

Meu corpo inteiro ficou tenso.


— Onde está minha filha?

— Está segura. Uma assistente social está verificando tudo antes de permitir que alguém a leve até você.

— Patrícia está com ela?

Elena não respondeu imediatamente.

Foi resposta suficiente.

— Quero minha filha longe dela.

— Já informamos isso.

Pouco depois, dois policiais entraram no quarto. Uma deles se apresentou como inspetora Camila Nogueira.

Ela não começou perguntando sobre meu casamento.

Começou pelo celular.


— Senhora Almeida, reconhece esta pessoa?

Mostrou uma fotografia de Patrícia.

— É minha irmã.

— E reconhece esta conversa?

Camila colocou diante de mim uma impressão.

Havia mais do que uma mensagem.

Muito mais.

Meu peito apertou.

As mensagens anteriores não diziam diretamente o que tinham feito, mas eram piores justamente porque pareciam peças de alguma coisa que eu ainda não conseguia enxergar.

Patrícia: “Ela ainda não sabe.”


Carlos: “Melhor assim.”

Patrícia: “Você tem certeza de que vai funcionar?”

Carlos: “Só precisamos que pareça consequência do acidente.”

Senti frio.

— Isso estava no telefone dele?

— Sim.

— De quando são?

Camila apontou para os horários.

Algumas tinham sido enviadas antes do acidente.

Outras, depois.

Olhei para ela.

— Vocês acham que Carlos causou meu acidente?

— Ainda não sabemos.

— Mas vocês estão investigando.

— Estamos.

Minha respiração ficou curta.

Camila puxou outra folha.

— Há uma coisa que precisamos perguntar. Seu marido tinha acesso às suas informações médicas?

— Sim. Durante anos.

— Inclusive ao histórico relacionado à sua dificuldade de engravidar?

— Sim.

Ela fez uma anotação.

— E sua irmã?

— Patrícia sabia de quase tudo.

A porta se abriu.

Uma assistente social apareceu.

Atrás dela estava Helena.

Minha filha correu até a cama e parou no último segundo, lembrando dos meus ferimentos.

— Mãe.

Abri os braços.

Ela se inclinou cuidadosamente sobre meu peito.

Enterrei o rosto em seus cabelos.

Por alguns segundos, Carlos, Patrícia, o acidente e aquelas mensagens deixaram de existir.

Até Helena sussurrar:

— A tia Patrícia disse que você talvez não voltasse para casa.

Meu sangue gelou.

Afastei-a apenas o suficiente para olhar seu rosto.

— Quando ela disse isso?

— Ontem.

Camila levantou os olhos imediatamente.

— Helena — perguntei, tentando manter minha voz calma —, ela disse mais alguma coisa?

Minha filha mordeu o lábio.

— Ela estava falando com o papai no telefone.

— O que você ouviu?

Helena olhou para a policial, depois para mim.

— A tia perguntou se ele tinha certeza de que os médicos não iam descobrir.

Ninguém falou.

Camila fechou lentamente a pasta.

Então seu telefone vibrou.

Ela leu a mensagem que acabara de receber e sua expressão mudou.

— Senhora Almeida, nossa equipe acabou de verificar as imagens de segurança do estacionamento onde aconteceu o acidente.

Meu coração começou a bater tão forte que senti a pulsação na garganta.

— E?

Camila se aproximou da cama.

— Seu carro não foi atingido por um motorista desconhecido ao acaso.

Ela colocou o telefone diante de mim.

Na tela havia uma imagem congelada, granulada, registrada poucos minutos antes da colisão.

Ao lado do meu carro estava uma pessoa inclinada perto da roda dianteira.

Mesmo de costas, reconheci imediatamente aquela bolsa vermelha.

Eu a tinha dado de presente no Natal.

Era de Patrícia.

**Continua — clique na Parte 4 para continuar lendo.**

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