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Meu Marido Escolheu A Amiga Dele Na Emergência E Disse: “Minha Esposa Pode Esperar” — Cinco Horas Depois, Ele Encontrou Minha Aliança E Uma Carta Do Advogado

“Uma vida?”

Minha voz saiu quase inaudível. Mariana baixou os olhos, como se tivesse ido longe demais, enquanto Teresa permanecia imóvel perto da porta. Alexandre foi o primeiro a reagir.

“Isso não tem nada a ver com Sofia.”

“Tudo tem a ver comigo”, respondi. “Minha mãe deixou documentos para me proteger da sua família. Vocês conhecem essa fotografia. E agora Mariana diz que seu pai devia uma vida aos Ribeiro. Então alguém vai começar a falar.”

Teresa fechou a porta do quarto. O gesto simples me assustou mais do que qualquer grito.

“Augusto era jovem”, disse ela. “A empresa estava começando. Seu pai, Eduardo Ribeiro, era sócio informal dele.”

Meu peito apertou. Meu pai morrera quando eu tinha seis anos. Cresci ouvindo que fora vítima de um acidente numa estrada durante uma viagem de negócios.

“Meu pai nunca foi sócio dos Monteiro.”

“Foi”, Bernardo interrompeu. “Ou pelo menos existem registros financeiros que sugerem isso.”

Teresa lançou-lhe um olhar duro.


“Você não sabe o que aconteceu.”

“Então explique”, falei.

Ela demorou alguns segundos.

“Seu pai conseguiu o primeiro grande contrato da empresa. Sem Eduardo, Augusto teria falido. Mas os dois começaram a discordar sobre dinheiro. Depois houve o acidente.”

A palavra caiu no quarto como uma pedra.

“Que acidente?”

Teresa me encarou.

“O acidente que matou seu pai.”

Meu corpo inteiro ficou rígido.

Minha mãe sempre dissera que Eduardo estava sozinho quando perdeu o controle do carro numa estrada molhada perto de Campinas.


“Meu pai morreu num acidente de carro.”

“Sim.”

“Então o que Augusto tinha a ver com isso?”

Teresa não respondeu.

Mariana começou a falar, mas Alexandre segurou seu braço.

“Não faça isso.”

Ela olhou para ele.

“Você sabia que esse dia chegaria.”

Foi a segunda vez que senti o chão desaparecer.

“Você sabia também?”


Alexandre soltou Mariana imediatamente.

“Eu descobri depois do nosso casamento.”

“Quando?”

“Sofia—”

“Quando?”

“Há pouco mais de um ano.”

Um ano. Durante um ano ele dormira ao meu lado conhecendo alguma coisa sobre a morte do meu pai.

“Continue.”

Alexandre passou a mão pelo rosto.

“Meu pai estava no carro.”


Meu coração disparou.

“Não.”

“Estava.”

Teresa finalmente se sentou.

“Eduardo dirigia. Augusto estava no banco do passageiro. Eles discutiram naquela noite. O carro saiu da pista. Seu pai morreu no local. Augusto sobreviveu.”

Eu me lembrei da certidão de óbito, das histórias da minha mãe, das fotografias que ela guardava numa caixa azul. Nunca havia outro nome associado ao acidente.

“Por que isso foi escondido?”

Ninguém respondeu.

Bernardo abriu a pasta e começou a procurar alguma coisa.

“Porque talvez não tenha sido apenas um acidente”, disse Mariana.


Teresa levantou-se abruptamente.

“Chega!”

“Você passou vinte e quatro anos mandando todo mundo ficar calado!”, Mariana gritou.

O monitor ao meu lado começou a apitar mais rápido.

Clara aproximou-se, mas levantei a mão.

“Deixa ela falar.”

Mariana respirou fundo.

“Meu pai trabalhava para Augusto naquela época. Era contador da empresa. Quando morreu, deixou documentos. Eu encontrei alguns depois que minha mãe faleceu.”

“Que documentos?”

“Relatórios financeiros. Uma cópia do boletim original. E uma carta.”


“Você tem isso?”

Ela hesitou.

“Não mais.”

Alexandre virou-se para ela.

“Você disse que tinha destruído.”

“Eu menti.”

O rosto de Teresa perdeu a cor.

“Mariana, onde estão?”

“Num lugar onde você nunca procuraria.”

Foi quando compreendi algo.


“É por isso.”

Todos olharam para mim.

“É por isso que você sempre esteve perto deles.”

Mariana não respondeu.

“Todos esses anos. As ligações, os jantares, as crises. Você não era apenas amiga de Alexandre.”

Ela começou a chorar.

“Eu cresci naquela casa, Sofia. Meu pai morreu quando eu tinha quinze anos. Teresa pagou minha escola, minha faculdade, minhas despesas. Eu achava que era carinho.”

“E não era?”

“Era controle.”

Teresa deu um passo na direção dela.


“Depois de tudo que fizemos por você—”

“Vocês fizeram porque meu pai sabia demais.”

O silêncio seguinte foi absoluto.

Bernardo fechou lentamente a pasta.

“Do que exatamente o pai de Mariana sabia?”

Ela olhou para Teresa.

“Que Augusto desviava dinheiro da empresa antes da morte de Eduardo Ribeiro.”

Meu estômago revirou.

“Meu pai descobriu?”

“Sim.”


“E naquela noite eles discutiram por isso?”

Mariana assentiu.

“Foi o que meu pai escreveu.”

Clara apertou meu ombro.

De repente, a participação da família Ribeiro na empresa ganhou outro significado. Talvez não tivesse sido um investimento. Talvez tivesse sido compensação.

“Minha mãe recebeu as ações depois que meu pai morreu”, murmurei.

Bernardo assentiu.

“Poucas semanas depois.”

Olhei para Teresa.

“Vocês compraram o silêncio dela.”


“Não.” A resposta veio rápida demais. “Helena exigiu garantias para você.”

“Garantias contra quem?”

Teresa ficou em silêncio.

Contra vocês, pensei.

Alexandre se aproximou da cama.

“Sofia, eu não sabia de tudo isso quando casei com você.”

“Mas descobriu há um ano.”

“Meu pai me contou parte da história antes de morrer.”

Augusto Monteiro morrera onze meses antes. Eu estivera ao lado de Alexandre no hospital. Segurara sua mão durante o funeral. Teresa me abraçara e dissera que eu era a filha que nunca tivera.

A lembrança me causou náusea.

“O que Augusto contou?”

“Que existia um acordo com sua mãe. Que suas ações nunca poderiam ser tocadas.”

“Então por que tentou reorganizar a empresa?”

Ele congelou.

Teresa respondeu por ele.

“Porque precisávamos de capital.”

“Não perguntei a você.”

Encarei meu marido.

“Você tentou usar minhas ações?”

“Eu não sabia que eram suas.”

Bernardo tirou uma folha da pasta.

“Curioso. Porque esta solicitação menciona explicitamente o Fundo Ribeiro.”

Alexandre ficou pálido.

“Eu assinei o que o jurídico preparou.”

Aquela frase eu conhecia. Era a mesma maneira como ele sempre fugia das próprias escolhas.

Antes que eu pudesse responder, Artur apareceu na porta, ofegante.

“Senhor Alexandre, precisamos conversar.”

“Agora não.”

“É sobre a empresa.”

Teresa virou-se.

“O que aconteceu?”

Artur olhou para mim antes de responder.

“O banco suspendeu a linha de crédito.”

Alexandre ficou imóvel.

“Por quê?”

“Porque receberam uma notificação informando que a acionista majoritária retomou pessoalmente o controle das ações.”

Todos olharam para mim.

Bernardo parecia tão surpreso quanto eles.

“Eu não fiz isso.”

Artur engoliu em seco.

“Tem mais.”

Entregou o celular a Alexandre.

“Uma convocação extraordinária do conselho foi protocolada hoje de manhã.”

“Por quem?”

Artur demorou a responder.

“Por Sofia Ribeiro.”

“Eu estou dizendo que não fui eu.”

Bernardo pegou o aparelho e leu a tela. Seu rosto mudou.

“Essa assinatura digital é legítima.”

Meu coração começou a bater violentamente.

“Como alguém pode assinar em meu nome?”

Ele não respondeu. Em vez disso, abriu rapidamente a pasta deixada por minha mãe e retirou o documento bancário que eu recebera na primeira noite.

Observou uma sequência de números.

Depois olhou para Clara.

“Quando Helena morreu, alguém recebeu procuração para ativar o fundo caso Sofia estivesse incapacitada?”

Clara empalideceu.

“Helena mencionou uma segunda pessoa.”

“Quem?”

“Ela nunca me disse o nome.”

Nesse instante, meu celular vibrou.

Uma mensagem de um número desconhecido.

**Sofia, não confie em ninguém que esteve naquele quarto hoje. Sua mãe também não confiava. Se quiser saber o que realmente aconteceu com seu pai, pergunte por que o relatório da autópsia desapareceu.**

Logo abaixo havia uma fotografia antiga.

Meu pai estava diante da sede original da empresa ao lado de Augusto Monteiro e do pai de Mariana.

Mas havia uma quarta pessoa na imagem.

Ampliei a fotografia com os dedos.

Minha respiração parou.

Eu conhecia aquele rosto.

Era Clara.

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