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Meu Marido Escolheu A Amiga Dele Na Emergência E Disse: “Minha Esposa Pode Esperar” — Cinco Horas Depois, Ele Encontrou Minha Aliança E Uma Carta Do Advogado

Por alguns segundos, ninguém tocou no documento.

Meu nome nem sequer aparecia nele. Apenas o de minha mãe e o de Augusto, acompanhados de números, códigos e uma conclusão impressa no rodapé. Bernardo foi o primeiro a puxá-lo para perto.

“Não tire conclusões ainda.”

“Está escrito paternidade.”

“Está escrito investigação de vínculo genético. Quero verificar o documento inteiro.”

Mariana se sentou lentamente.

Eu não conseguia.

Meu corpo estava imóvel, mas dentro de mim tudo parecia cair ao mesmo tempo. Eduardo, o homem cuja fotografia minha mãe mantivera ao lado da cama até morrer, talvez não fosse meu pai. Augusto, pai de Alexandre, poderia ser.

E, se fosse verdade, Alexandre seria meu meio-irmão.

Meu estômago se revirou.


“Não.”

Apoiei as mãos na mesa.

“Não. Minha mãe jamais permitiria que eu me casasse com ele sabendo disso.”

Foi exatamente essa frase que devolveu alguma lógica ao caos.

Minha mãe tentara impedir meu casamento, mas nunca com desespero suficiente para alguém que acreditasse que eu estava prestes a me casar com meu próprio irmão.

“Tem alguma coisa errada.”

Bernardo concordou.

“O documento está incompleto.”

Ele apontou para a parte superior. Faltava uma página.

“O resultado final provavelmente estava em outro anexo.”


Mariana virou a caixa de cabeça para baixo. Nada.

Liguei novamente para Alexandre.

“Quero a página que você encontrou.”

“Vou levar.”

“Não venha sozinho.”

Ele ficou em silêncio.

“Traga Teresa.”

“Eu disse que não sei onde ela está.”

“Então encontre.”

Desliguei.


Saímos do banco quarenta minutos depois. Bernardo ficou com cópias digitalizadas, enquanto os originais foram colocados novamente no cofre. No carro, Mariana não conseguia me olhar.

“Você sabia de alguma coisa sobre esse exame?”

“Não.”

“E Alexandre?”

“Se soubesse que Augusto podia ser seu pai, ele nunca teria casado com você.”

“Você parece muito certa.”

Ela apertou os dedos.

“Porque Alexandre pode ser muitas coisas, Sofia. Covarde, egoísta, incapaz de colocar limites… mas não isso.”

Era estranho ouvi-la defendê-lo justamente quando eu já não precisava que ninguém me dissesse quem meu marido era.

“Você o ama?”


Mariana ficou em silêncio.

“Não estou perguntando se vocês tiveram um caso.”

“Eu sei.”

“Então?”

Ela olhou pela janela.

“Eu amei.”

Aquilo não doeu como imaginei.

“Ele sabia?”

“Sim.”

“E mesmo assim manteve você dentro do nosso casamento.”


Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.

“Alexandre me disse anos atrás que nunca poderia me amar daquela maneira.”

“Mas nunca deixou você ir.”

“Não.”

“Porque precisava manter você perto por causa dos documentos.”

Mariana virou-se para mim.

Talvez aquela possibilidade nunca tivesse lhe ocorrido.

No hotel adaptado onde passaríamos algumas horas antes do voo, Bernardo recebeu a análise preliminar do documento.

Entrou no quarto quase correndo.

“O laboratório existiu. O exame é autêntico.”


Meu peito apertou.

“E?”

“Mas estamos interpretando errado.”

Ele colocou a cópia sobre a mesa.

“Helena não aparece como mãe da criança examinada.”

Olhei novamente.

“Então por que o nome dela está ali?”

“Porque foi quem solicitou o teste.”

Senti o ar voltar lentamente.

“De quem era o teste?”


“Essa informação estava na primeira página.”

A página desaparecida.

Foi quando alguém bateu à porta.

Alexandre entrou.

Trazia a folha arrancada do caderno e uma pasta cinza.

“Encontrei minha mãe.”

“Cadê ela?”

“No apartamento antigo do meu pai.”

Ele colocou a pasta diante de mim.

“Ela me deu isso.”


Dentro havia correspondências de Helena, documentos médicos e uma fotografia de duas mulheres muito jovens: minha mãe e Teresa.

Elas estavam abraçadas.

“Eram amigas?”, perguntei.

“Melhores amigas”, respondeu Alexandre.

Olhei para Clara, que acabara de entrar acompanhada pelo fisioterapeuta.

Ela confirmou.

“Até Augusto.”

Teresa apareceu na porta logo atrás.

Parecia vinte anos mais velha.

“Até eu me apaixonar pelo mesmo homem que Helena.”


Meu coração acelerou.

“Augusto.”

“Sim.”

Teresa entrou e fechou a porta.

“Augusto conheceu Helena antes de mim. Eles tiveram um relacionamento curto. Depois ela conheceu Eduardo.”

“E o exame?”

Teresa olhou para Mariana.

Não para mim.

Mariana percebeu.

“Por que está olhando para mim?”


Teresa começou a chorar.

Era a primeira vez que eu a via chorar de verdade.

“Porque o exame era seu.”

Mariana riu, nervosa.

“Isso não faz sentido.”

“Seu pai, Paulo, não podia ter filhos.”

O rosto dela mudou.

“Mentira.”

“Ele descobriu depois que você nasceu.”

“Minha mãe teve outro homem.”

“Sim.”

“Quem?”

Teresa fechou os olhos.

“Augusto.”

O silêncio pareceu explodir.

Mariana recuou.

“Não.”

Alexandre ficou branco.

“Pai era pai da Mariana?”

“Biologicamente, sim.”

Mariana empurrou a cadeira para trás.

“Então foi por isso que vocês me mantiveram perto.”

“Augusto queria cuidar de você sem destruir a família de Paulo. Quando sua mãe morreu, nós assumimos suas despesas.”

Mariana olhou para Alexandre, horrorizada.

“Você sabia?”

“Não.”

Pela primeira vez, acreditei nele imediatamente.

Aquela verdade também o destruía.

Tudo que parecera uma ligação emocional estranha entre Alexandre e Mariana agora adquiria uma forma muito mais cruel. Augusto mantivera a própria filha dentro da casa, mas sem lhe dar o próprio sobrenome.

“E meu pai?”, perguntei.

Teresa enxugou o rosto.

“Eduardo descobriu.”

“Foi por isso que morreu?”

“Não.”

“Então por quê?”

Teresa caminhou até a mesa e colocou uma pequena chave diante de mim.

“Porque descobriu algo pior.”

Meu corpo ficou tenso.

“O quê?”

“A fraude de Augusto era muito maior do que Paulo imaginava. Havia dinheiro de investidores desaparecendo. Eduardo decidiu denunciá-lo.”

“E você seguiu o carro naquela noite.”

“Sim.”

Finalmente.

“Por quê?”

“Porque Augusto me ligou durante a discussão. Estava desesperado. Pediu que eu fosse buscá-lo.”

“Você chegou antes do acidente?”

Teresa assentiu.

“Vi Eduardo parar no acostamento. Augusto saiu do carro.”

Olhei para a fotografia do acidente.

A porta do passageiro aberta.

“Então Augusto não estava no carro quando ele caiu.”

“Não.”

“Quem estava?”

Teresa começou a tremer.

“Outra pessoa entrou.”

“Quem?”

Antes que respondesse, Clara falou atrás de mim.

“Teresa.”

A voz dela estava estranhamente baixa.

“Não faça isso.”

Virei-me.

Clara estava pálida.

Teresa encarou a mulher que eu considerara família durante toda a vida.

“Você já deixou Helena carregar esse segredo até o túmulo.”

Meu coração começou a bater violentamente.

“Clara estava no carro?”

Teresa não respondeu diretamente.

Em vez disso, apontou para a pequena chave.

“Essa chave abre um armário na antiga sede da Ribeiro & Associados. Helena me pediu que nunca entregasse a você, a menos que alguém tentasse tomar suas ações.”

“Por quê?”

“Porque lá está o relatório completo da morte de Eduardo.”

Clara deu um passo para trás.

Então tudo aconteceu muito rápido.

Ela pegou a bolsa.

“Eu preciso ir.”

“Não”, falei.

Clara parou.

“Olhe para mim.”

Ela não conseguiu.

“Você estava no carro com meu pai?”

Seus ombros começaram a tremer.

“Sofia…”

“Sim ou não?”

Quando finalmente levantou os olhos, havia culpa neles.

“Sim.”

Minha garganta fechou.

“Você bateu nele?”

“Não.”

“Então o que aconteceu?”

Clara chorava agora.

“Eu tentei impedir.”

“Impedir o quê?”

Ela abriu a boca.

Seu celular tocou.

Clara olhou para a tela e perdeu completamente a cor.

Antes que pudesse escondê-la, vi o nome.

**Artur.**

Alexandre também viu.

“Por que meu assistente está ligando para você?”

Clara rejeitou a chamada.

Imediatamente chegou uma mensagem.

Eu estava perto o suficiente para ler.

**Eles encontraram a chave. Precisamos pegar o relatório antes de Sofia.**

Olhei para Clara.

Depois para Alexandre.

Então para a mulher que havia organizado minha fuga de São Paulo, chamado meu advogado e colocado nas minhas mãos os primeiros documentos.

De repente, compreendi a parte mais assustadora de todas.

Talvez Clara não tivesse me ajudado a descobrir a verdade.

Talvez tivesse me levado exatamente pelas pistas que queria que eu encontrasse.

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