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Meu Marido Escolheu A Amiga Dele Na Emergência E Disse: “Minha Esposa Pode Esperar” — Cinco Horas Depois, Ele Encontrou Minha Aliança E Uma Carta Do Advogado

Fiquei olhando para a fotografia até os rostos perderem nitidez. Clara parecia ter pouco mais de trinta anos, o cabelo comprido preso atrás da cabeça, parada entre meu pai e o pai de Mariana como alguém que não estava ali por acaso.

Levantei o celular.

“Você quer me explicar isso?”

Clara viu a imagem e ficou imóvel.

Teresa fechou os olhos.

A reação dela confirmou antes mesmo de Clara abrir a boca.

“Vocês se conheciam.”

“Sofia…”

“Não me chama assim como se eu ainda fosse uma criança. Você conhecia meu pai. Conhecia Augusto. Conhecia o pai da Mariana.”

Clara sentou-se lentamente.


“Conhecia.”

A palavra doeu mais do que eu esperava.

“Minha mãe morreu há quatro anos. Você esteve ao meu lado no enterro. Esteve no meu casamento. Me recebeu aqui dizendo que queria me proteger. Em nenhum momento achou importante contar?”

“Prometi à sua mãe.”

“Todo mundo fez promessas à minha mãe e, aparentemente, nenhuma delas incluía dizer a verdade para mim.”

Bernardo pediu que Alexandre, Teresa e Mariana saíssem. Alexandre protestou, mas Clara surpreendeu a todos.

“Eles ficam.”

Olhei para ela.

“Por quê?”

“Porque, se eu começar a falar, ninguém vai sair daqui fingindo que não sabia.”


Clara respirou fundo.

“Eu trabalhei durante dois anos na Ribeiro & Associados. Foi assim que conheci Helena e Eduardo. O pai de Mariana, Paulo Lemos, cuidava da contabilidade da sociedade informal entre Eduardo e Augusto.”

Mariana levou a mão à boca.

“Meu pai nunca me contou.”

“Ele tentou proteger você.”

Clara olhou para mim.

“Eduardo descobriu que Augusto estava retirando dinheiro das contas e usando empresas de fachada. Queria denunciá-lo. Paulo encontrou as transferências. Eu ajudei sua mãe a copiar os registros.”

“E na noite do acidente?”

Clara hesitou.

“Seu pai marcou uma reunião com Augusto. Disse que, se ele não devolvesse o dinheiro e se afastasse da administração, iria à polícia.”


“Augusto entrou no carro com ele.”

“Sim.”

“E meu pai morreu.”

“Sim.”

“Você acha que Augusto matou meu pai?”

O rosto de Clara se contraiu.

“Eu não sei.”

Teresa soltou uma respiração amarga.

“Não minta agora.”

Todos olharam para ela.


Teresa caminhou até a janela.

“Augusto chegou em casa naquela madrugada coberto de sangue. Tinha uma fratura no braço. Disse que Eduardo perdeu o controle depois de uma discussão.”

“Você acreditou?”

“Naquela época, sim.”

“E depois?”

Ela demorou.

“Depois encontrei uma camisa.”

Alexandre franziu a testa.

“Mãe?”

“Havia sangue no punho e um botão arrancado. Augusto mandou queimá-la.”


Meu estômago se contraiu.

“Isso prova o quê?”

“Nada. E foi exatamente isso que eu disse a mim mesma durante anos.”

Mariana começou a chorar silenciosamente.

Bernardo perguntou:

“Por que o relatório da autópsia desapareceu?”

Teresa virou o rosto.

“Pergunte a Clara.”

O quarto pareceu encolher.

Olhei para ela.


Clara apertou as mãos.

“Eu retirei uma cópia.”

“Retirou?”

“Helena pediu.”

“Por quê?”

“Porque o relatório apontava uma lesão que não combinava com a versão oficial.”

Senti minha garganta secar.

“Que lesão?”

“Seu pai tinha um trauma na parte posterior da cabeça ocorrido antes do impacto principal.”

Alexandre deu um passo para trás.


“Meu Deus.”

“Isso significa que ele foi atacado?”, perguntei.

“Significa que havia uma dúvida. Nada além disso. Helena queria uma investigação independente, mas três dias depois recebeu uma ameaça.”

“De Augusto?”

“Nunca descobrimos.”

“E então ela aceitou as ações.”

Clara assentiu.

“Augusto transferiu a participação que Eduardo deveria ter recebido. Helena colocou tudo num fundo para você e abandonou a investigação.”

“Minha mãe foi comprada?”

“Não!” Clara respondeu com força. “Ela estava apavorada. Alguém deixou uma fotografia sua na porta de casa.”


Eu tinha seis anos.

O pensamento fez meu corpo gelar.

“Ela escolheu manter você viva.”

Ninguém falou durante alguns segundos.

Então me lembrei da mensagem.

**Não confie em ninguém que esteve naquele quarto hoje.**

Olhei para Clara.

“Você tem a segunda procuração?”

“Não.”

“Tem certeza?”


“Absoluta.”

Bernardo interveio.

“Precisamos descobrir quem convocou o conselho. Até lá, ninguém assina nada.”

Alexandre soltou uma risada sem humor.

“Isso já deixou de ser apenas um problema familiar. Se o banco congelar as operações, centenas de funcionários ficam expostos.”

Era típico dele. Quando finalmente precisava de mim, descobria razões nobres.

“E o que você quer?”

“Que venha comigo para São Paulo.”

“Não.”

“Você pode impedir isso.”


“Mal consigo andar.”

“Pode participar remotamente.”

“Então não preciso ir com você.”

Ele apertou o maxilar.

“Você quer destruir tudo que meu pai construiu por causa do que aconteceu no hospital?”

“Não transforme sua empresa na vítima do nosso casamento.”

Alexandre ficou em silêncio.

Naquela noite, todos foram embora, exceto Clara. Eu pedi que ela também saísse.

Precisava ficar sozinha.

Às duas e dezessete da madrugada, acordei com o celular vibrando.

Era Artur.

Quase não atendi.

“Sofia?”

Sua voz estava baixa.

“O que aconteceu?”

“Eu encontrei uma coisa no arquivo pessoal do senhor Augusto.”

Sentei-me apesar da dor.

“O quê?”

“Uma gravação.”

Meu coração acelerou.

“De quando?”

“Onze meses atrás. Poucos dias antes de ele morrer.”

“Sobre meu pai?”

Silêncio.

“Sobre você.”

Artur enviou um arquivo de áudio.

Coloquei os fones.

Primeiro ouvi ruídos. Depois, a voz cansada de Augusto Monteiro.

**Se Sofia algum dia descobrir quem realmente controla o fundo, Teresa vai tentar convencê-la de que foi Helena quem planejou tudo. Não acreditem nela. Helena nunca soube da última cláusula.**

Parei a gravação.

Última cláusula?

Continuei.

**Eu cometi muitos erros com Eduardo. Mas há uma coisa que preciso corrigir antes de morrer. Sofia não pode continuar casada com Alexandre sem saber por que esse casamento aconteceu.**

Minha mão começou a tremer.

Então ouvi outra voz na gravação.

A voz de Alexandre.

**Pai, não diga isso a ela.**

Fechei os olhos.

Augusto respondeu:

**Ela merece saber que você já sabia quem ela era antes de conhecê-la.**

O ar desapareceu dos meus pulmões.

Voltei o áudio alguns segundos.

Ouvi novamente.

**Você já sabia quem ela era antes de conhecê-la.**

Na manhã seguinte, liguei para Bernardo.

“Quero todos os registros do início do meu relacionamento com Alexandre.”

“Está procurando o quê?”

Olhei para a fotografia do nosso primeiro encontro que ainda existia no meu celular. Eu sempre acreditara que fora coincidência: uma festa beneficente, amigos em comum, duas pessoas apresentadas por acaso.

“Quero descobrir se meu marido me escolheu.”

Minha voz não tremeu.

“Ou se alguém mandou que ele se aproximasse de mim.”

Quarenta minutos depois, Bernardo retornou.

“Sofia, encontrei uma transferência feita seis semanas antes de você conhecer Alexandre.”

“Para quem?”

“Uma empresa de investigação particular.”

“Contratada por Augusto?”

“Não.”

Respirei fundo.

“Por Alexandre?”

Bernardo ficou em silêncio por tempo demais.

“Sim.”

“E o que ele investigou?”

“Você.”

Fechei os olhos.

Então Bernardo acrescentou:

“Mas isso não é o pior. O relatório tinha duas pessoas como alvo.”

“Quem era a outra?”

Ouvi papéis sendo movimentados.

Quando ele respondeu, senti um frio atravessar meu corpo.

“Mariana Lemos.”

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