O General Azevedo segurou a folha entre dois dedos, como se estivesse contaminada.
— Isso só prova que alguém imprimiu um documento com o seu nome nele — disse. — Sem amostras verificadas, cadeia de custódia e um laboratório devidamente credenciado, isto não é prova. É teatro.
Um silêncio atônito tomou conta da sala.
O maxilar de Rafael se contraiu.
— Então o senhor está dizendo que ela não me traiu?
— Estou dizendo que você não tem qualificação alguma para acusar uma oficial condecorada do Exército de fraude com base em uma papelada sem valor que sabe-se lá quem colocou nas suas mãos.
Helena deu um passo à frente, com a voz estridente.
— Nós sabemos o que sabemos. Essa menina não se parece em nada com o meu filho.
Clara soltou um gemido baixinho contra meu ombro.
Então a expressão do General Azevedo mudou.
Ele observou Rafael com mais atenção, como se tivesse acabado de perceber algo que antes lhe escapara.
— Onde você conseguiu esse laudo?
Rafael hesitou.
— Com um investigador particular.
— Que investigador?
Rafael lançou um olhar para a mãe.
Helena respondeu por ele.
— Um amigo nos ajudou.
O General Azevedo colocou a folha novamente sobre a mesa.
— Interessante.
Ele tirou um segundo envelope de dentro do paletó do uniforme.
— Vim aqui esta noite porque a Capitã Almeida foi selecionada para um processo sigiloso de avaliação para promoção — explicou. — Como parte desse procedimento, foi realizada uma verificação de segurança envolvendo as pessoas do núcleo familiar dela.
Rafael empalideceu.
O General Azevedo abriu o envelope e retirou várias fotografias.
— Eu pretendia tratar disso em particular — continuou. — Mas, já que aparentemente estamos expondo assuntos familiares diante de todos, então vamos continuar.
Ele colocou as fotografias sobre a mesa, uma por uma.
A primeira mostrava Rafael entrando em um hotel no centro da cidade.
A segunda mostrava Rafael abraçando uma mulher no saguão.
A terceira mostrava a mesma mulher entregando uma pasta a Helena no estacionamento do hotel.
O rosto da minha sogra perdeu toda a expressão.
Rafael avançou em direção à mesa.
— Isso não tem nada a ver com o que está acontecendo aqui.
— Tem tudo a ver — respondeu o General Azevedo, friamente. — O suposto investigador está sob investigação federal por chantagem, falsificação de laudos de paternidade e extorsão contra famílias de militares.
Um murmúrio se espalhou entre os parentes.
Eu encarei Rafael.
— Você fez isso comigo?
Antes que ele pudesse responder, Clara estendeu a mãozinha em direção às fotografias e soltou uma risadinha.
O General Azevedo olhou para ela e depois voltou os olhos para Rafael.
— Há mais um problema.
Ele retirou do envelope um laudo de laboratório lacrado e o virou na minha direção.
— Este é o exame oficial que sua esposa nunca soube que eu mandei realizar depois que uma ameaça foi feita contra a filha de vocês.
Rafael parou de respirar.
O General Azevedo rompeu o lacre.
Então leu a primeira linha.
E toda a cor desapareceu de seu rosto.
**Continua — clique na Parte 3 para continuar lendo.**







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