Entretenimento

Meu Marido Jogou Um Teste De DNA Na Mesa E Disse Que Nossa Filha Não Era Dele — Então O General Entrou Pela Porta

Por alguns segundos, fiquei olhando para a fotografia sem conseguir compreender o que acabara de ouvir.

— Meu pai?

O General Azevedo continuava com os olhos presos à imagem.

— Sim.

Rafael se aproximou lentamente.

— Você conheceu o pai dela?

Azevedo ergueu os olhos.

— Conheci.

Minha garganta secou.

Meu pai havia morrido quando eu ainda era jovem. Em casa, quase nunca falávamos sobre os anos em que ele servira. Eu crescera sabendo apenas que fora um militar reservado, disciplinado e incapaz de levar os problemas do quartel para dentro da família.


— O que Henrique fazia com ele?

Azevedo não respondeu imediatamente.

Isso me assustou mais do que qualquer resposta rápida poderia assustar.

— General.

Ele respirou fundo.

— Seu pai participou de uma investigação administrativa muitos anos atrás. Henrique Vasconcelos apareceu naquele processo como intermediário de empresas que forneciam serviços para instalações militares.

Helena levou a mão à boca.

— Meu Deus.

Rafael se virou para ela.

— Você sabia?


— Não dessa parte.

Azevedo continuou:

— Havia suspeitas de documentos adulterados, contratos falsos e desvio de recursos. Seu pai foi uma das pessoas que se recusaram a aceitar relatórios manipulados.

Olhei novamente para a fotografia.

Henrique sorria.

Meu pai não.

— Ele denunciou Henrique?

— Ajudou a construir o processo que acabou expondo o esquema.

— E o que aconteceu?

Azevedo apertou os lábios.


— Henrique desapareceu antes que todas as acusações fossem concluídas.

Então tudo começou a ganhar uma forma diferente.

A obsessão com minha carreira.

Os registros sobre minha promoção.

As fotografias de Clara.

O interesse em destruir meu casamento.

— Isso nunca foi apenas sobre Rafael — murmurei.

— Não — respondeu o general.

Helena desabou na cadeira.

— Henrique me usou.


Rafael soltou uma risada amarga.

— Você facilitou bastante.

Ela levantou os olhos para o filho.

— Eu não sabia que ele queria se vingar dela.

— Mas sabia que estava tentando separá-la da própria filha.

Helena não respondeu.

Eu também não precisava mais ouvir justificativas.

— Por que Clara? — perguntei a Azevedo. — Se Henrique odiava meu pai, por que esperar tantos anos? Por que mexer com uma criança?

O general olhou para a fotografia antiga.

— Porque você entrou para o Exército.


Senti um arrepio.

— Ele acompanhava minha carreira?

— Parece que sim.

A mulher de terno recebeu outra mensagem.

— General.

Entregou-lhe o aparelho.

Azevedo leu.

— Encontraram mais material no apartamento.

Meu coração acelerou.

— O quê?


— Uma caixa com recortes, cópias de registros públicos e fotografias suas desde o início da sua carreira militar.

Rafael ficou horrorizado.

— Há quanto tempo esse homem observa minha esposa?

— Pelo menos sete anos.

Sete anos.

Antes do casamento.

Antes de Clara.

Antes de Rafael sequer existir na minha vida.

A sala pareceu inclinar.

— Então o teste de DNA...


— Era uma ferramenta — concluiu Azevedo. — Não o objetivo principal.

Ele caminhou até a mesa e organizou os documentos.

— Henrique precisava criar uma crise dentro da sua casa. Uma acusação de infidelidade destruiria a confiança entre vocês. Um processo envolvendo incapacidade psicológica poderia prejudicar sua reputação. Uma disputa pública pela guarda de Clara poderia atingir sua avaliação profissional.

Rafael fechou os olhos.

— E eu entreguei tudo a ele.

Ninguém respondeu.

Porque era verdade.

Henrique não precisara invadir nossa casa.

Rafael e Helena haviam aberto a porta.

Azevedo apontou para o falso laudo.


— Ele usou ressentimentos que já existiam.

Olhou para Helena.

— Medo de perder o filho.

Depois para Rafael.

— Insegurança dentro do casamento.

Finalmente para mim.

— E sabia que, se atacasse sua família no momento certo, poderia atingir também sua carreira.

Clara se mexeu nos meus braços.

Beijei sua testa.

— E a apólice?


A mulher de terno respondeu:

— Ainda estamos verificando. Mas há indícios de que foi usada para aumentar a pressão sobre Helena.

Helena levantou a cabeça.

— Lívia disse que era necessária para criar uma reserva financeira para Clara.

— E você colocou seu próprio nome como beneficiária — respondeu Rafael.

— Ela disse que era temporário!

— Você nunca questionou nada?

Helena começou a chorar outra vez.

Dessa vez ninguém a consolou.

O celular do General Azevedo tocou.


Ele atendeu.

— Fale.

A expressão dele mudou imediatamente.

— Onde?

Pausa.

— Não se aproximem sem apoio.

Meu coração começou a bater mais rápido.

Ele desligou.

— Encontraram Henrique.

— Preso? — perguntei.

— Ainda não.

— Onde está?

Azevedo olhou diretamente para mim.

— Perto do estacionamento do seu quartel.

Meu sangue gelou.

— Fazendo o quê?

— Esperando.

Rafael avançou.

— Esperando por ela?

— Provavelmente.

Azevedo já caminhava em direção à porta.

— Capitã, vamos sair pelos fundos. Uma equipe levará você e Clara para um local protegido.

— Não.

Ele parou.

— Isso não é uma ordem operacional, Almeida. É uma medida de segurança.

— Eu entendo.

Apertei Clara contra mim.

— Mas antes quero saber por que ele está esperando no quartel.

— Podemos descobrir sem colocar você em risco.

A mulher de terno recebeu outra mensagem.

Seus olhos se arregalaram.

— General.

Azevedo pegou o telefone dela.

Leu.

Depois me encarou.

— Henrique deixou um envelope na guarita.

— Para quem?

— Para você.

Rafael passou a mão pelos cabelos.

— Isso é uma armadilha.

— Talvez — disse Azevedo.

— O que há dentro?

A mulher respondeu:

— Uma fotografia e uma carta.

Meu estômago se contraiu.

— Fotografia de quê?

Ela mostrou a imagem recebida pela equipe.

Era outra fotografia antiga.

Meu pai estava nela novamente.

Mas desta vez não estava ao lado de Henrique.

Estava ao lado do próprio General Azevedo.

E, atrás dos dois, havia uma terceira pessoa.

Helena se levantou abruptamente.

— Não pode ser.

Rafael olhou para ela.

— Você conhece essa pessoa também?

Helena não respondeu.

Eu ampliei a fotografia.

O terceiro homem era mais jovem, mas o rosto era inconfundível.

Eu havia visto aquele rosto dezenas de vezes em fotografias antigas na casa de Rafael.

— Esse é o pai do Rafael.

Rafael ficou branco.

Seu pai havia morrido anos antes de nos casarmos.

Azevedo continuava olhando para a fotografia.

— Sim.

Minha respiração ficou curta.

— Então meu pai, Henrique e o pai de Rafael estavam todos ligados?

O general lentamente dobrou a cópia.

— Parece que estamos finalmente chegando à razão pela qual Henrique escolheu justamente a sua família.

Helena começou a balançar a cabeça.

— Carlos, não.

Foi a primeira vez que ela chamou o general pelo primeiro nome.

Todos perceberam.

Azevedo se virou para ela.

— Você sabia.

Helena começou a chorar.

— Eu prometi que nunca contaria.

Rafael deu um passo em direção à mãe.

— Prometeu a quem?

Ela olhou para a fotografia.

Depois para mim.

— Ao seu pai.

Rafael perdeu a cor.

— Meu pai conhecia o pai dela?

Helena fechou os olhos.

— Muito mais do que você imagina.

Antes que pudesse continuar, o telefone de Azevedo tocou novamente.

Ele atendeu.

Ouviu.

E seu rosto ficou completamente rígido.

— Repita.

Uma longa pausa.

Então ele desligou.

— Henrique entrou no quartel.

Meu coração parou por um segundo.

— Como?

Azevedo já estava chamando a equipe pelo rádio.

— Usou uma credencial antiga.

— De quem?

O general me encarou.

— Do seu pai.

E então acrescentou:

— Antes de entrar, ele entregou uma mensagem para você.

— O que dizia?

Azevedo repetiu lentamente:

— “Se a Capitã Almeida quer saber por que o pai dela morreu acreditando que havia falhado, venha ouvir a verdade sobre as duas famílias.”

Continua — clique na Parte 9 para continuar lendo.

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