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Meu Marido Jogou Um Teste De DNA Na Mesa E Disse Que Nossa Filha Não Era Dele — Então O General Entrou Pela Porta

Por alguns segundos, ninguém pareceu compreender o que o General Azevedo acabara de dizer.

Rafael foi o primeiro a reagir.

— Como assim o número não é da minha mãe?

Azevedo ainda segurava o telefone junto ao corpo.

— Exatamente o que eu disse.

Helena, que momentos antes parecia prestes a desmoronar, ergueu a cabeça.

— Então está vendo? Eu não mandei mensagem nenhuma.

Havia alívio demais em sua voz.

O general percebeu.

Eu também.


— Não comemore ainda, senhora Helena — disse Azevedo. — Seu envolvimento com Lívia e os documentos falsificados continua sendo objeto de investigação.

O alívio desapareceu.

Rafael passou a mão pelo rosto.

— Então quem é “H”?

— Ainda estamos confirmando.

— Mas vocês têm o número.

— Temos.

A mulher de terno abriu novamente a pasta e puxou uma folha impressa.

— O aparelho está registrado em nome de uma empresa de fachada.

— Que empresa? — perguntei.


Ela respondeu:

— Horizonte Consultoria Patrimonial.

Helena deixou escapar um pequeno som.

Foi quase nada.

Mas o general virou-se imediatamente para ela.

— Conhece esse nome?

— Não.

A resposta veio rápida demais.

Rafael a encarou.

— Mãe.


— Eu disse que não conheço.

Azevedo inclinou ligeiramente a cabeça.

— Curioso.

Ele retirou outra fotografia do envelope.

Era uma imagem de uma placa comercial num prédio discreto.

Abaixo do nome Horizonte Consultoria Patrimonial, aparecia um endereço.

Rafael se aproximou.

Então congelou.

— Eu conheço esse prédio.

Meu estômago se apertou.


— De onde?

Ele apontou para a foto.

— Fui lá duas vezes.

Helena fechou os olhos.

— Rafael...

— Você me levou.

Agora a sala parecia pequena demais.

Rafael se virou para a mãe.

— Você disse que era o escritório do advogado que estava ajudando com o teste de DNA.

Helena permaneceu em silêncio.


— Foi ali que eu assinei os papéis para o investigador.

Azevedo franziu o cenho.

— Que papéis?

— Autorização para análise das amostras. Confidencialidade. Coisas assim.

Ele olhou para a mulher de terno.

Ela começou a fazer anotações.

— O senhor leu tudo antes de assinar?

Rafael fechou os olhos.

A resposta estava evidente.

— Não.


Senti uma mistura amarga de raiva e incredulidade.

— Então talvez sua assinatura naquele pedido de incapacidade não tenha sido falsificada.

Rafael me olhou.

— Eu nunca teria assinado aquilo conscientemente.

— Mas assinou coisas sem ler.

Ele não conseguiu negar.

O General Azevedo estendeu a mão.

— Senhor Rafael, precisamos localizar todos os documentos que lhe entregaram naquele escritório.

— Alguns devem estar no meu e-mail.

— Então não apague absolutamente nada.


Rafael tirou o celular do bolso.

Antes de conseguir desbloqueá-lo, Helena tentou agarrar o aparelho.

— Não!

Rafael recuou.

Todos a encararam.

— Por que não? — perguntou ele.

— Porque você não sabe no que está se metendo.

Aquela frase mudou tudo.

Azevedo deu um passo à frente.

— A senhora sabe?


Helena percebeu novamente que havia falado demais.

— Estou dizendo que pessoas assim podem ser perigosas.

— Pessoas assim quem?

Ela se calou.

Eu senti Clara se mexer contra meu peito e olhei para ela.

Minha filha tinha finalmente adormecido.

Tão pequena.

Tão alheia ao fato de que adultos haviam transformado sua existência numa arma.

Quando levantei os olhos, já não sentia choque.

Só uma clareza fria.


— Helena, você vai contar tudo agora.

Ela me encarou.

— Não me dê ordens.

— Você ajudou pessoas a falsificar um teste de DNA. Tentou criar documentos sobre minha capacidade mental. Existe uma apólice no nome da minha filha e mensagens falando em “cuidar da criança”.

Minha voz permaneceu baixa.

— Então, sim. Você vai falar.

Rafael aproximou-se da mãe.

— Quem está por trás disso?

Por um instante, alguma coisa desmoronou no rosto dela.

— Eu não sabia que chegaria tão longe.


O ar pareceu desaparecer da sala.

Rafael sussurrou:

— Então você sabia de alguma coisa.

Helena sentou-se lentamente.

— Lívia me procurou meses atrás.

Azevedo não interrompeu.

— Ela sabia coisas sobre vocês — continuou Helena. — Sabia que o casamento estava ruim. Sabia que Rafael se sentia deixado de lado por causa do trabalho dela.

Meu maxilar se contraiu.

— E você alimentou isso.

— Eu estava preocupada com meu filho.

— Continue — disse Azevedo.

Helena apertou as mãos no colo.

— Lívia disse que poderia descobrir se Clara era realmente filha de Rafael.

Rafael olhou para ela com repulsa.

— E você aceitou.

— Eu queria acabar com a dúvida.

— Eu não tinha dúvida até você começar a falar nisso!

Helena baixou a cabeça.

A frase pairou entre nós.

Foi então que compreendi a origem de tudo.

Rafael não havia procurado o teste porque desconfiava de mim.

Helena havia criado a desconfiança primeiro.

— O que Lívia queria em troca? — perguntou Azevedo.

— No início, nada.

O general soltou um suspiro quase imperceptível.

— Nunca é nada.

Helena continuou:

— Depois ela disse que havia encontrado informações sobre a promoção.

— Como? — perguntei.

— Não sei.

— Você nunca perguntou?

— Ela dizia ter contatos.

Azevedo cruzou os braços.

— E então?

Helena demorou.

— Ela disse que sua promoção poderia levar a uma transferência importante.

Rafael se virou para mim.

— Você sabia disso?

— Não.

O general confirmou.

— Nenhuma transferência havia sido decidida.

Helena parecia confusa.

— Mas ela disse...

— Mentiu — respondeu Azevedo.

Helena respirou fundo.

— Lívia disse que, se vocês se separassem antes da promoção, Rafael teria mais chances de manter Clara perto da família.

— Então o teste falso servia para provocar o divórcio — falei.

Helena não respondeu.

Não precisava.

Azevedo perguntou:

— E a declaração de incapacidade?

O silêncio dela foi mais longo dessa vez.

— Lívia disse que seria uma garantia.

— Garantia para quê?

Helena finalmente levantou os olhos.

— Para impedir que ela levasse Clara embora.

Rafael virou o rosto, devastado.

— Você pretendia tirar a filha dela.

— Eu pretendia impedir que ela tirasse vocês de mim!

A voz de Helena quebrou.

— Você não entende! Depois que se casou, tudo mudou. Ela virou o centro de tudo.

Rafael parecia enxergar a mãe pela primeira vez.

— Então isso nunca foi sobre proteger Clara.

Helena chorava agora.

— Eu só queria manter minha família junta.

— Você tentou destruir a minha para conseguir isso.

A frase saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar.

Helena baixou os olhos.

O telefone de Azevedo vibrou.

Ele leu a mensagem.

Depois ergueu o olhar.

— Confirmaram a identidade do titular real do número “H”.

Helena congelou.

Rafael se aproximou.

— Quem?

Azevedo demorou um segundo.

— O número está vinculado indiretamente a Henrique Vasconcelos.

Não reconheci o nome.

Mas Helena reconheceu.

Seu rosto ficou tão branco que até Rafael percebeu.

— Quem é Henrique? — perguntei.

Helena não respondeu.

Rafael encarou a mãe.

— Eu perguntei quem ele é.

Ela começou a chorar de verdade.

— Helena — disse Azevedo, com voz firme. — Quem é Henrique Vasconcelos?

Quando ela finalmente falou, sua voz era quase um sussurro.

— Meu irmão.

Rafael ficou imóvel.

— Meu tio Henrique morreu há onze anos.

Helena fechou os olhos.

— Não.

Meu coração acelerou.

Ela abriu os olhos novamente.

— Henrique está vivo.

Antes que alguém pudesse reagir, Azevedo recebeu outra mensagem.

Leu.

Sua expressão mudou completamente.

— General? — perguntei.

Ele levantou os olhos para mim.

— A equipe acabou de localizar Henrique.

— Onde?

Azevedo olhou primeiro para Rafael.

Depois para mim.

— Num apartamento alugado a menos de três quilômetros desta casa.

Ele fez uma pausa.

— E encontraram Clara nas fotografias espalhadas pela parede.

Continua — clique na Parte 7 para continuar lendo.

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