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Meu Pai Puxou O Cobertor Que Escondia Minha Gravidez — E Os Hematomas Revelaram Uma Mentira Que Começou Antes Do Meu Casamento

Eu fiquei olhando para a fotografia sem conseguir piscar. Rafael aparecia ao lado da minha mãe e do meu pai com uma expressão que eu jamais tinha visto nele. Não havia arrogância, nem impaciência, nem aquele sorriso condescendente que ele usava quando queria me fazer sentir pequena. Naquela imagem, ele parecia jovem, educado e perfeitamente à vontade ao lado dos meus pais.

Meu estômago se contraiu.

— Isso não pode ser ele.

O policial aproximou a fotografia.

— Temos certeza de que é Rafael.

Meu pai pegou a imagem com as mãos tensas.

— Onde vocês encontraram isso?

— Estava armazenada no cartão de memória. Havia outras fotografias, mas essa foi a que chamou nossa atenção.

Passei os dedos pela borda da fotografia.

— Pai... você conhecia Rafael antes de mim?


Ele não respondeu.

E aquele silêncio foi pior do que qualquer resposta.

— Pai?

Ele respirou profundamente.

— Eu conheci Rafael uma vez.

Meu coração pareceu afundar.

— Uma vez?

— Anos atrás.

— E você nunca me contou?

Ele fechou os olhos por um instante.


— Porque eu não sabia que ele seria o homem que entraria na sua vida.

Senti uma mistura de raiva e confusão.

— Mas como ele conheceu a mamãe?

Meu pai colocou a fotografia sobre a mesa.

— Essa é a pergunta que precisamos responder.

O policial retirou outro documento do envelope.

— Há uma sequência de arquivos no cartão. A maioria está protegida por senha. Mas conseguimos recuperar um áudio.

Meu coração disparou.

— O áudio da minha mãe?

— Sim.


O policial colocou um pequeno gravador sobre a mesa.

Meu pai olhou para mim.

— Você quer ouvir?

Eu queria dizer não.

Queria fechar os olhos e voltar para alguns meses atrás, quando meu maior problema parecia ser escolher o nome do bebê.

Mas alguma coisa dentro de mim sabia que minha mãe havia deixado aquilo por uma razão.

Assenti.

O áudio começou com alguns segundos de silêncio.

Então ouvi a voz dela.

A voz que eu não escutava havia seis anos.


— Mariana, se você está ouvindo isso, provavelmente já descobriu que Rafael não apareceu na nossa vida por acaso.

Levei a mão à boca.

Meu pai ficou completamente imóvel.

A gravação continuou.

— Eu não queria que você soubesse. Augusto também não. Fizemos isso para proteger você.

Uma pausa.

— Rafael trabalhou durante algum tempo para uma empresa que mantinha contratos com pessoas ligadas ao nosso círculo familiar. Ele descobriu informações que não deveria ter descoberto. Depois disso, começou a procurar maneiras de se aproximar de você.

Meu corpo inteiro ficou gelado.

— Não...

Minha mãe continuou:


— No início, achei que ele estivesse interessado em você de verdade. Depois percebi que fazia perguntas demais sobre nossa família. Sobre seu pai. Sobre mim. Sobre documentos que mantínhamos em segurança.

O áudio ficou alguns segundos em silêncio.

— Se um dia você se casar com ele, não entregue nenhum documento pessoal, nenhuma informação financeira e, principalmente, nunca permita que ele tenha acesso às coisas que guardei.

Meu pai fechou os olhos.

Eu olhei para ele.

— Por que você nunca me contou?

Ele não respondeu.

A gravação prosseguiu.

— Augusto acredita que tudo isso está relacionado ao que aconteceu comigo. Se alguma coisa acontecer, ele saberá onde procurar. Mas existe alguém dentro da nossa própria família que está ajudando Rafael.

A gravação terminou abruptamente.


O quarto ficou silencioso.

— Alguém da família... — murmurei.

Meu pai pegou o gravador.

— Precisamos descobrir quem.

O policial recebeu uma ligação. Ouviu atentamente por alguns segundos e então mudou de expressão.

— Coronel, acabaram de localizar outra coisa.

— O quê?

— Uma câmera escondida no apartamento.

Meu coração acelerou.

— Onde?


— No quarto de vocês.

Meu pai ficou rígido.

— Quem instalou?

— Ainda não sabemos. Mas a câmera estava ativa.

Senti um frio percorrer minha coluna.

— Então alguém estava nos observando?

— Sim.

Meu pai levantou-se imediatamente.

— Quero a equipe técnica naquele apartamento agora.

O policial assentiu e saiu.


Eu fiquei olhando para meu pai.

— Pai, eu não entendo. Se Rafael já conhecia você e a mamãe antes de mim, por que ele esperou tantos anos?

— Talvez não tenha esperado.

A resposta me fez franzir a testa.

— O que quer dizer?

Ele pegou a fotografia novamente.

— Lembra quando você me contou que conheceu Rafael em um evento de uma empresa onde trabalhava?

— Sim.

— Quem apresentou vocês?

Pensei por alguns segundos.


— Uma colega. Camila.

Meu pai ficou sério.

— Qual era o sobrenome dela?

— Camila... Ferreira.

Ele imediatamente pegou o celular.

— Vou verificar.

Enquanto ele fazia uma ligação, uma enfermeira entrou para conferir meus sinais. Eu tentei me concentrar no bebê, mas minha cabeça estava presa naquela fotografia.

Rafael.

Minha mãe.

Meu pai.


Juntos.

Antes mesmo de eu saber que ele existia.

Poucos minutos depois, meu pai desligou.

— Camila Ferreira deixou a empresa há quatro anos.

— E daí?

— Ela não desapareceu.

— Então onde está?

Ele me encarou.

— Trabalha atualmente para uma empresa de consultoria ligada ao grupo empresarial que aparece nos documentos da sua mãe.

Senti a garganta secar.

— Ela conhecia Rafael?

— Conhecia.

Antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa, o telefone do meu pai tocou novamente.

Desta vez, ele não atendeu imediatamente.

Olhou para a tela.

O número era desconhecido.

— Atenda — falei.

Ele colocou no viva-voz.

— Coronel Almeida?

A voz masculina era baixa.

Meu pai imediatamente ficou alerta.

— Quem está falando?

— Alguém que deveria ter falado com você há seis anos.

Meu pai se levantou.

— Identifique-se.

A voz soltou uma pequena risada nervosa.

— Não posso. Mas posso lhe dizer uma coisa: sua filha nunca esteve segura ao lado de Rafael.

Meu coração disparou.

— Quem é você? — perguntou meu pai.

Houve silêncio.

Então o homem respondeu:

— A pessoa que tentou avisar sua esposa antes de ela morrer.

Meu pai segurou o telefone com força.

— O que você sabe sobre a morte dela?

A resposta demorou alguns segundos.

— Sei que não foi um acidente.

Meu sangue gelou.

— E sei que Rafael não estava sozinho.

A ligação caiu.

Meu pai tentou retornar imediatamente, mas o número já não existia.

Eu fiquei olhando para ele.

— Pai...

Ele não respondeu.

Seu rosto havia perdido toda a cor.

Então o celular dele recebeu uma mensagem.

Uma única fotografia.

Era minha mãe, sentada dentro de um carro, poucos dias antes de morrer.

No banco traseiro havia uma pasta preta.

E, sobre a pasta, aparecia claramente uma etiqueta com meu nome.

Mariana Almeida.

Meu pai ampliou a imagem.

No canto inferior da fotografia havia uma data.

**O mesmo dia em que Rafael conheceu oficialmente minha família.**

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