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Meu Pai Puxou O Cobertor Que Escondia Minha Gravidez — E Os Hematomas Revelaram Uma Mentira Que Começou Antes Do Meu Casamento

Meu pai ficou encarando a fotografia como se estivesse tentando arrancar dela uma resposta que não aparecia. Eu, porém, não conseguia olhar para outra coisa além da pasta preta no colo da minha mãe. A imagem era antiga, mas havia algo nela que me incomodava profundamente. Minha mãe parecia assustada. Não era a expressão de quem estava simplesmente preocupada com alguma coisa. Era a expressão de alguém que sabia que estava sendo observado.

— Amplie a imagem — pedi.

Meu pai fez isso.

No reflexo do vidro do carro, quase escondido pela sombra, havia um homem parado na calçada.

Meu coração acelerou.

— Quem é aquele?

O policial se aproximou da tela.

— A imagem está muito desfocada.

Meu pai, porém, permaneceu em silêncio.

— Pai?


Ele aproximou o telefone do rosto.

— Eu conheço esse carro.

— Que carro?

— O veículo estacionado atrás do carro da sua mãe.

Olhei novamente.

Era um sedã escuro.

— De quem era?

Meu pai respirou fundo.

— De um oficial que trabalhava comigo naquela época.

O silêncio voltou.


— E onde ele está agora?

Meu pai não respondeu imediatamente.

— Morto.

Senti um arrepio.

— Como?

— Acidente de carro. Dois meses depois da morte da sua mãe.

Helena entrou novamente no quarto naquele momento e percebeu imediatamente que alguma coisa havia mudado.

— Aconteceu alguma coisa?

Meu pai mostrou a fotografia.

Ela observou durante alguns segundos.


— Isso pode ser importante.

— Não pode ser apenas coincidência — falei.

Helena assentiu.

— Provavelmente não.

Meu pai guardou o telefone.

— Mariana, preciso que você me conte exatamente como conheceu Rafael. Tudo. Mesmo aquilo que parece insignificante.

Fechei os olhos.

Comecei pelo evento.

Depois falei sobre Camila.

Sobre a maneira como Rafael se aproximou.


Sobre como ele parecia conhecer detalhes da minha família que eu nunca havia contado.

Sobre a rapidez com que começou a insistir para que eu me casasse.

E então lembrei de uma coisa.

— Ele me perguntou sobre a mamãe.

Meu pai levantou a cabeça.

— Quando?

— Pouco depois de começarmos a namorar.

— O que exatamente ele perguntou?

Tentei lembrar.

— Perguntou onde ela guardava as coisas importantes. Eu achei estranho, mas ele disse que queria entender melhor a família.


Meu pai fechou os olhos.

— E você respondeu?

— Disse que não sabia.

Ele assentiu lentamente.

— Ainda bem.

Nesse instante, um dos policiais apareceu à porta.

— Coronel, conseguimos acessar parte dos arquivos da câmera.

Meu pai se levantou.

— O que encontraram?

O policial colocou um tablet sobre a mesa.


— A câmera foi instalada há aproximadamente cinco meses.

Meu coração apertou.

Cinco meses.

Era justamente quando Rafael começou a controlar cada detalhe da minha rotina.

— Há gravações de todos esses meses? — perguntei.

— Algumas foram apagadas.

— Algumas?

— Mas conseguimos recuperar pequenos trechos.

O vídeo começou.

Era o nosso quarto.


Eu aparecia dormindo.

Depois Rafael entrava.

Ele se aproximava da cama, verificava se eu estava acordada e retirava alguma coisa da gaveta.

A gravação seguinte mostrava Sônia entrando no quarto.

Os dois conversavam.

O áudio estava baixo, mas algumas palavras eram compreensíveis.

— Ela ainda não assinou — disse Rafael.

Sônia respondeu:

— Então faça alguma coisa.

Meu coração disparou.


Meu pai pediu para aumentar o volume.

A gravação continuou.

— Não posso obrigá-la — disse Rafael.

Sônia respondeu:

— Pode convencê-la. Você fez isso desde o começo.

A imagem travou.

O policial explicou:

— Essa parte foi danificada.

Meu pai cerrou a mandíbula.

— Continue.


Outra gravação apareceu.

Dessa vez, Rafael estava sozinho.

Ele segurava um documento.

Ficou olhando para ele durante alguns segundos antes de dizer algo que fez meu sangue gelar.

— Depois que ela assinar, tudo termina.

O vídeo terminou.

Eu olhei para meu pai.

— O que ele queria que eu assinasse?

O policial respondeu:

— Ainda não sabemos.


Meu pai permaneceu em silêncio.

Então pediu:

— Volte para a gravação anterior.

O policial voltou.

— Pare aqui.

A imagem congelou quando Rafael retirava algo da gaveta.

Meu pai apontou.

— Amplie.

A imagem ficou granulada, mas era possível identificar um pequeno envelope branco.

Havia uma assinatura na frente.

Minha assinatura.

Meu coração começou a bater descontroladamente.

— Eu nunca assinei aquilo.

Helena se aproximou.

— Tem certeza?

— Absoluta.

Meu pai ficou olhando para o envelope.

— Então alguém falsificou sua assinatura.

— Mas para quê?

Ninguém respondeu.

Poucos minutos depois, o policial recebeu outra informação pelo rádio.

— Coronel, encontramos o documento.

Meu pai virou-se.

— Onde?

— No apartamento.

— E o que é?

O policial hesitou.

— Um pedido de transferência de propriedade.

Senti meu corpo inteiro ficar frio.

— Propriedade de quê?

Ele olhou para mim.

— De um imóvel que pertenceu à sua mãe.

Meu pai ficou imóvel.

— Qual imóvel?

O policial entregou a folha.

Meu pai leu.

Sua expressão mudou imediatamente.

— Não.

— O quê? — perguntei.

Ele não respondeu.

Tirei o documento das mãos dele.

O endereço estava escrito na primeira página.

Era uma casa antiga no interior de Minas Gerais.

Eu conhecia aquele lugar.

Minha mãe sempre dizia que era o único patrimônio que jamais venderia.

Abaixo do endereço havia outra informação.

O beneficiário da transferência seria Rafael.

Mas havia um detalhe ainda mais assustador.

A data da assinatura falsa era de três semanas atrás.

E, naquele dia, eu estava internada em casa, dopada por medicamentos que Rafael dizia serem necessários para minha gravidez.

Levantei os olhos.

— Ele tentou roubar a casa da minha mãe.

Meu pai balançou a cabeça.

— Não apenas a casa.

Ele apontou para a última página.

Havia uma cláusula adicional.

Se Mariana Almeida morresse antes da conclusão da transferência, todos os bens relacionados ao patrimônio materno seriam automaticamente direcionados ao beneficiário indicado.

Meu estômago se revirou.

— Pai...

Ele segurou minha mão.

— Agora entendemos por que ele precisava que você parecesse doente.

Naquele momento, o telefone de um dos policiais tocou.

Ele atendeu.

Ouviu por alguns segundos.

Depois ficou completamente pálido.

— Coronel... encontraram alguém dentro da casa da sua mãe.

Meu pai levantou a cabeça.

— Quem?

O policial respirou fundo.

— Camila Ferreira.

E antes que pudéssemos perguntar qualquer coisa, ele acrescentou:

— Ela está viva. E afirma que precisa falar com Mariana imediatamente.

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