Entretenimento

Minha Sogra Me Expulsou Da Van Na Frente De Um Resort De Luxo E Mandou: “Volte Para A Pobreza” — Mas O Segurança Olhou Meu Documento E Perguntou: “Senhora, Por Que Não Disse Que Este Lugar Era Seu?”

Viviane atravessou o saguão como quem acreditava que aquele lugar inteiro existia para recebê-la. Clara vinha logo atrás, já com o celular na mão, provavelmente procurando o melhor ângulo para transformar a chegada ao Pavilhão Presidencial em mais uma postagem sobre a vida que gostavam de exibir. Daniel foi o último a entrar. Ele olhou ao redor, incomodado, como se alguma coisa no silêncio dos funcionários tivesse despertado nele uma sensação ruim que ainda não conseguia explicar.

Do meu escritório no mezanino, eu observava tudo através do vidro espelhado. Renato estava ao meu lado, segurando uma pasta de couro com os documentos da Sterling e tentando não demonstrar o quanto achava aquela situação absurda.

“Quer mesmo recebê-los pessoalmente?”, perguntou.

“Quero.”

Ele hesitou.

“Depois do que fizeram com a senhora?”

Virei-me para ele.

“Principalmente por causa do que fizeram.”

Desci pelo elevador privativo alguns minutos depois. Quando as portas se abriram, ouvi a voz de Viviane antes mesmo de vê-la.

“Espero que essa proprietária não demore. Fizemos questão de mudar nossa agenda para conhecê-la.”


O recepcionista lançou um olhar rápido na minha direção, mas manteve a postura profissional.

Viviane continuou:

“Gente importante entende gente importante.”

Foi então que me viu.

O sorriso dela desapareceu por um segundo.

“Maia?”

Clara ergueu as sobrancelhas.

Daniel ficou completamente imóvel.

Continuei andando até eles sem pressa. Eu já havia trocado o vestido manchado. Vestia um conjunto bege discreto, o mesmo que usava em reuniões com investidores. Nada chamativo. Nada que Viviane consideraria digno de riqueza. Talvez por isso ela tenha demorado ainda mais para compreender.

“Você voltou?”, perguntou Clara, soltando uma risadinha. “Não me diga que veio pedir dinheiro para o táxi.”


Viviane apertou os lábios.

“Maia, estamos esperando uma reunião privada. Não é hora para suas cenas.”

Renato surgiu atrás de mim.

“Na verdade, senhora Martins, a reunião pode começar.”

Viviane imediatamente mudou de expressão.

“Ah, ótimo. A proprietária já chegou?”

Renato olhou para mim.

“Está diante da senhora.”

O silêncio foi tão absoluto que ouvi o tilintar de uma colher contra uma xícara no lounge.

Viviane piscou.


Uma vez.

Depois outra.

“Como é?”

Renato não alterou o tom.

“A senhora Maia Andrade é presidente do conselho e acionista controladora do Resort Baía de Lótus.”

Clara abaixou lentamente o celular.

Daniel me encarou como se eu tivesse me transformado diante dele.

“Isso é alguma brincadeira?”, perguntou.

“Não”, respondi.

Ele se aproximou um passo.


“Maia… você trabalha numa consultoria.”

“Trabalho.”

“Você recebe salário.”

“Também.”

“Então como…”

“Nem toda empresa precisa carregar o sobrenome do dono na fachada, Daniel.”

Viviane soltou uma risada nervosa.

“Isso é ridículo. Ela está fazendo algum tipo de encenação.”

Renato abriu a pasta e colocou sobre a mesa lateral uma cópia do registro societário.

“Os documentos são públicos, embora a estrutura acionária seja feita por meio da Andrade Capital Participações.”


Vi o momento exato em que Daniel reconheceu o nome.

Seu rosto mudou.

“Eu já ouvi falar dessa empresa.”

“Imagino”, disse Renato. “Ela controla propriedades, fundos imobiliários e participações em hotelaria em cinco estados.”

Daniel olhou para mim.

“Você nunca me contou.”

A frase saiu carregada de acusação.

Aquilo quase me fez rir.

“Você nunca perguntou.”

Ele ficou vermelho.


“Eu sou seu marido.”

“É.”

Aquela única palavra pareceu atingi-lo mais do que um grito.

Viviane recuperou parte da arrogância.

“Se isso for verdade, então essa história muda bastante.”

Olhei para ela.

“Qual história?”

Ela ajeitou o colar.

“Ora, Maia, famílias têm desentendimentos. Não precisa transformar um fim de semana desagradável em uma tragédia.”

“Um desentendimento?”


“Clara derrubou vinho sem querer.”

Clara abriu a boca, mas Viviane lançou-lhe um olhar duro.

“E a brincadeira na van foi de mau gosto”, continuou. “Mas ninguém queria realmente abandonar você.”

Olhei para Daniel.

Ele desviou os olhos.

“Interessante”, falei. “Porque recebi uma mensagem mandando que eu fosse para casa e não fizesse vocês passarem vergonha.”

Daniel empalideceu.

Viviane cruzou os braços.

“Você está exagerando porque está magoada.”

“Não.”


Aproximei-me da mesa.

“Eu estava magoada quando desci daquela van.”

Coloquei meu celular sobre a superfície.

“Agora estou apenas prestando atenção.”

O rosto dela endureceu.

“E o que isso quer dizer?”

Antes que eu respondesse, Renato recebeu uma notificação no tablet. Sua expressão mudou.

“Sra. Andrade…”

Olhei para ele.

“Pode falar.”


“Há uma questão com a conta da família Martins.”

Viviane ergueu o queixo.

“Nossa conta está perfeitamente em ordem.”

Renato demorou um instante.

“Não exatamente.”

Daniel franziu a testa.

“Como assim?”

Renato virou o tablet para mim.

“Os últimos três fins de semana da família aqui foram lançados no programa corporativo Andrade Hospitality. Suítes, spa, transporte, restaurantes… tudo faturado como benefício empresarial.”

Meu estômago apertou.


Eu jamais havia autorizado aquilo.

“Quem aprovou?”

Renato deslizou o dedo pela tela.

“Foi solicitado por alguém que utilizou credenciais internas.”

Viviane perdeu a cor.

Clara olhou para a mãe.

Daniel percebeu.

“Mãe?”

Viviane respondeu rápido demais.

“Não faço ideia do que ele está falando.”

Renato abriu outro arquivo.

“Há mais uma coisa.”

Na tela apareceu uma assinatura digital.

Meu nome.

Maia Andrade.

Mas eu nunca havia assinado aquele documento.

Daniel aproximou-se da tela.

“Maia…”

Não respondi.

A falsificação tinha sido feita meses antes.

E abaixo da minha assinatura havia o nome de quem enviara os pedidos.

D. Martins.

Ergui lentamente os olhos.

Daniel estava tão pálido quanto a mãe.

“Você quer me explicar isso?”, perguntei.

Ele abriu a boca.

Nenhuma palavra saiu.

Então o celular de Renato tocou.

Ele atendeu, ouviu por poucos segundos e olhou para mim com uma expressão que eu nunca tinha visto antes.

“Presidente, a auditoria encontrou outras transferências.”

“De quanto?”

Ele respirou fundo.

“Quase dois milhões de reais.”

Viviane agarrou a bolsa com força.

E, pela primeira vez desde que eu a conhecia, não havia desprezo em seus olhos.

Havia medo.

No comments yet