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Minha Sogra Me Expulsou Da Van Na Frente De Um Resort De Luxo E Mandou: “Volte Para A Pobreza” — Mas O Segurança Olhou Meu Documento E Perguntou: “Senhora, Por Que Não Disse Que Este Lugar Era Seu?”

Renato percebeu meu olhar e pousou lentamente o tablet sobre o capô da van. Não tentou fugir. Não levantou a voz. Aquela calma, que durante três anos fora uma das razões pelas quais eu confiava nele, naquele momento parecia quase ameaçadora.

“Maia”, disse ele, “se Augusto realmente escreveu aquilo, há uma razão. Mas provavelmente não é a razão que você está imaginando.”

“Você sabia que meu pai estava vivo?”

“Não.”

“Sabia do cofre?”

Ele hesitou.

Foi o suficiente.

Daniel avançou.

“Você sabia.”

“Eu sabia que existia uma área lacrada na estrutura antiga do resort.”


“Há quanto tempo?”, perguntei.

“Desde a reforma.”

Três anos.

Três anos trabalhando ao meu lado.

“E nunca me contou.”

“Porque encontrei instruções para não abrir.”

Soltei uma risada curta.

“Todo mundo decidiu me proteger mentindo para mim.”

Renato abaixou a cabeça.

“Parece que sim.”


“Entregue seu telefone, cartão de acesso e chaves.”

Ele obedeceu sem discutir.

Viviane aproximou-se.

“Vai deixá-lo simplesmente sair?”

“Não. A segurança vai acompanhá-lo até uma sala administrativa enquanto verificamos tudo.”

Renato olhou para mim.

“Antes disso, preciso mostrar uma coisa.”

“Mostre daqui.”

Ele indicou o tablet.

“Abra os registros da câmera 14 de ontem.”


Um segurança acessou o arquivo.

A câmera mostrava o portão de serviço quase vazio. Às 23h17, um funcionário atravessava o corredor externo.

Renato.

Ele parou perto da câmera e entregou um envelope a alguém fora do enquadramento.

Daniel soltou uma exclamação.

“Você estava encontrando alguém.”

“Continue.”

Às 23h19, a pessoa entrou parcialmente no quadro.

Era o motorista.

Meu corpo ficou tenso.


“Explique.”

Renato respirou fundo.

“Ele se apresentou há duas semanas como investigador contratado por Augusto Andrade.”

“E você acreditou?”

“Não imediatamente. Até ele me mostrar isto.”

Renato abriu uma pasta protegida no tablet. Dentro havia uma fotografia antiga.

Meu pai e Renato.

A imagem fora feita muito antes de eu comprar o resort.

“Você conhecia meu pai.”

“Conheci.”


Senti a raiva subir.

“Quantas mentiras ainda existem?”

“Augusto me contratou vinte anos atrás. Eu era analista financeiro da antiga sociedade.”

Viviane se apoiou na van.

“Você trabalhava com Roberto?”

Renato assentiu.

“Foi ele quem me apresentou a Augusto.”

Daniel fechou os punhos.

“Então você sabe quem matou meu pai?”

“Não. Mas sei por que ele morreu.”


A resposta caiu como uma pedra.

“Roberto descobriu que o esquema não havia terminado depois do desaparecimento de Augusto. Alguém continuava movimentando recursos usando empresas antigas. Martins Eventos era uma delas.”

Viviane ficou pálida.

“Foi por isso que a empresa nunca foi encerrada…”

“Provavelmente.”

Voltei-me para Renato.

“Por que meu pai mandaria eu não confiar em você?”

“Talvez porque ele não tenha escrito aquilo.”

O silêncio voltou.

Renato ampliou a imagem da câmera 14.


“A folha está virada para a câmera. Augusto segura o papel, mas observe a mão direita.”

A imagem estava granulada. Ainda assim, percebi.

Meu pai mantinha a mão fechada junto ao corpo.

Dois dedos estavam estendidos.

Depois três.

Depois novamente dois.

“Ele está fazendo sinais?”, Clara perguntou.

Renato assentiu.

“É um código simples que usávamos em auditorias de risco.”

“E significa?”


Renato olhou para mim.

“Coação.”

Meu coração acelerou.

Meu pai não estava caminhando livremente com o motorista.

Estava sendo obrigado.

“Então o aviso sobre você…”

“Pode ter sido ditado.”

Daniel imediatamente pegou o telefone.

“Temos que chamar a polícia.”

“Já chamei”, disse Renato. “Antes de descermos.”


Olhei para ele.

“Mesmo sabendo que eu poderia acusá-lo?”

“Principalmente por isso.”

Pela primeira vez, minha desconfiança vacilou.

Não desapareceu.

Mas abriu espaço para outra coisa.

“Precisamos encontrar o cofre”, falei.

Renato balançou a cabeça.

“Seu pai disse para não fazer isso antes de descobrirmos quem alterou o contrato.”

“Então vamos descobrir.”


Voltamos para a sala de reuniões. Pedi que a equipe jurídica enviasse todas as versões do acordo com a Sterling. Quatro minutos depois, havia seis arquivos diante de nós.

A cláusula 47 aparecia apenas na última versão.

“Quem enviou esta?”, perguntei.

Renato examinou os metadados.

“Não veio da Sterling.”

Daniel se inclinou.

“Então de onde?”

“Foi inserida depois que o documento chegou ao servidor do resort.”

Meu estômago apertou.

“Por qual usuário?”

Renato permaneceu em silêncio.

“Diga.”

“Presidência.”

Minha conta.

Outra vez.

Mas dessa vez havia registro físico do terminal utilizado.

Meu escritório.

Às 02h13 da madrugada de três dias antes.

“Eu estava em São Paulo”, falei.

Renato assentiu.

“Eu sei.”

A câmera do corredor naquela madrugada havia ficado fora do ar por exatamente onze minutos.

Clara, que observava os registros, franziu a testa.

“Espera.”

Ela aproximou uma lista.

“O elevador privativo registrou alguém.”

Renato abriu o histórico.

Às 02h08, uma credencial havia levado alguém diretamente ao meu andar.

Não era de Daniel.

Nem de Viviane.

Nem de Renato.

Era um cartão de hóspede.

Suíte 603.

“Quem estava hospedado lá?”, perguntei.

Renato consultou o sistema.

A reserva fora feita sob o nome de Henrique Vale.

Nunca ouvira falar dele.

Mas Viviane ouviu.

A cor desapareceu completamente de seu rosto.

“Não.”

Daniel percebeu.

“Você conhece esse nome?”

Viviane sentou-se devagar.

“Henrique Vale era advogado do seu pai.”

“Do meu?”

“Não. Do seu pai, Daniel.”

Ela fechou os olhos.

“Foi a última pessoa que Roberto encontrou antes de morrer.”

Renato pesquisou mais.

“Há algo estranho. Henrique Vale oficialmente morreu há quatro anos.”

Daniel soltou uma risada incrédula.

“Mais um morto?”

Então meu telefone tocou.

Número desconhecido.

Atendi.

Nenhuma voz.

Apenas uma gravação.

Meu pai dizia:

“Maia, não vá ao cofre. Eles querem que você abra para eles.”

Depois ouvi uma voz masculina ao fundo.

“De novo.”

Meu pai repetiu a frase.

A ligação terminou.

Segundos depois, chegou uma localização.

Uma área desativada do resort, perto da antiga casa de máquinas.

Renato olhou para o mapa.

“É onde fica o compartimento lacrado.”

Todos compreenderam ao mesmo tempo.

Não estavam apenas nos observando.

Estavam dentro da propriedade.

Então as luzes da sala apagaram.

O sistema de emergência acendeu quase imediatamente, cobrindo tudo com uma iluminação fraca.

O rádio do segurança chiou.

“Sr. Han, perdemos as câmeras do setor antigo.”

Outro funcionário respondeu:

“Porta de manutenção aberta.”

Levei a mão ao bolso.

A chave continuava comigo.

Daniel ficou ao meu lado.

“Eles precisam disso.”

“Sim.”

Renato olhou para a porta.

“E sabem que está com Maia.”

Meu celular vibrou mais uma vez.

Desta vez havia uma fotografia.

Meu pai estava sentado diante do velho cofre, vivo, com as mãos presas à frente do corpo. Sem ferimentos aparentes, mas claramente mantido ali contra a vontade.

Ao lado dele estava um relógio digital marcando vinte minutos.

A mensagem dizia:

TRAGA A CHAVE SOZINHA.

Olhei para a imagem até perceber algo que os outros ainda não haviam visto.

No reflexo metálico do cofre aparecia parte do rosto do homem que segurava a câmera.

Viviane aproximou-se e soltou um som sufocado.

Daniel olhou.

Seu corpo inteiro endureceu.

“Eu conheço esse homem.”

“Quem é?”

Daniel não respondeu imediatamente.

Foi Viviane quem pronunciou o nome.

“Henrique Vale.”

Então Daniel ampliou o reflexo.

“Não, mãe.”

Ele apontou para uma pequena cicatriz junto à orelha do homem.

“Henrique não tinha isso.”

Viviane ficou imóvel.

Daniel me encarou.

“Meu pai tinha.”

E, pela primeira vez, ninguém na sala conseguiu dizer com certeza se Roberto Martins realmente havia morrido.

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