Entretenimento

No Casamento Do Meu Ex-Marido, Ignorei A Mesa Da Humilhação E Sentei Na Primeira Fila Com Os Três Filhos Que Ele Nunca Soube Que Existiam

Não pensei. Apenas entreguei a mão de Lucas a Noah e me virei para minha assistente, que estava alguns passos atrás.

— Leve os três para dentro do carro. Agora.

— Mamãe, você vem? — Caio perguntou.

A pergunta me atingiu com força, porque até aquele momento eu havia controlado cada detalhe daquela tarde. Os carros, os advogados, os documentos, até o momento exato em que a transferência seria anunciada. Mas aquela fotografia mudava tudo. Alguém tinha observado meus filhos antes do casamento. Alguém sabia onde estudavam.

Abaixei-me diante deles.

— Vou encontrar vocês em cinco minutos.

Lucas estudou meu rosto com uma seriedade que não combinava com seus cinco anos.

— Você está com medo.

Engoli em seco.

— Estou tomando cuidado.

Beijei a testa dos três e esperei até vê-los cercados pelos meus seguranças. Então caminhei rapidamente na direção em que o homem de terno cinza havia desaparecido.

— Espere.

A voz de Eduardo veio atrás de mim.

Não parei.

— Volte para sua noiva.

Ele segurou meu braço, mas soltou imediatamente quando me virei.

— O que aconteceu?

Mostrei a fotografia.

A reação dele foi instantânea.

— Quem tirou isso?

— É exatamente o que pretendo descobrir.

Ele leu a mensagem duas vezes.

— Isso foi na escola deles?

— Semana passada.

Eduardo levantou os olhos.

— Eu vou com você.

— Não.

— São meus filhos também.

As palavras ficaram entre nós.

Cinco anos atrás, eu teria dado qualquer coisa para ouvi-lo dizer aquilo. Agora pareciam chegar tarde demais.

— Biologicamente, sim. Mas você os conheceu há menos de uma hora.

A dor em seu rosto apareceu antes que ele conseguisse escondê-la.

— E de quem foi a escolha?

Não respondi.

Porque aquela pergunta tinha respostas demais.

Seguimos pela lateral da mansão. O homem havia desaparecido, mas uma porta de serviço estava aberta. Eduardo entrou primeiro. O corredor levava à antiga ala administrativa da propriedade, onde os Montenegro mantinham escritórios privados.

Ouvi passos.

Acelerei.

Quando chegamos ao final do corredor, encontramos apenas uma porta balançando e uma pequena sala vazia.

Sobre a mesa havia um copo de café ainda quente.

— Ele estava aqui — Eduardo disse.

Meu telefone vibrou novamente.

Outra mensagem.

“Não confie em quem diz que não sabia.”

Eduardo leu por cima do meu ombro.

— Minha mãe.

— Talvez.

— Você acha que existe outra pessoa?

Antes que eu respondesse, ouvimos a voz de Eleonora.

— Vocês dois perderam completamente o juízo?

Ela apareceu no corredor acompanhada por um homem baixo, de cabelos grisalhos, que reconheci imediatamente: doutor Henrique Vasconcelos, advogado particular da família.

O mesmo sobrenome do escritório que havia recebido meu exame.

Eduardo avançou.

— Henrique, você solicitou este documento?

O advogado empalideceu ao ver a folha.

Eleonora tentou interromper.

— Eduardo, Carolina está esperando diante de quatrocentos convidados.

— Que espere.

A frieza da resposta surpreendeu até Eleonora.

Eduardo colocou o documento sobre a mesa.

— Minha assinatura foi falsificada. Quero saber por quem.

Henrique ajeitou os óculos.

— Eu precisaria verificar nossos arquivos.

— Você se lembra de tudo que acontece com esta família há trinta anos.

— Eduardo...

— Quatro anos atrás. Três crianças. Um exame de DNA. Você se lembra?

O advogado olhou para Eleonora.

Foi rápido.

Mas todos vimos.

Eu me aproximei.

— Então ela sabia.

— Eu não disse isso — Henrique respondeu.

— Não precisava.

Eleonora fechou a porta.

— Chega.

A mudança na voz dela fez Eduardo recuar meio passo.

— Sim, eu descobri que existiam crianças.

Meu coração bateu mais forte.

— Quando?

— Não imediatamente.

— Quando?

— Alguns meses depois do nascimento.

Eduardo ficou imóvel.

— Você sabia durante quatro anos?

— Eu sabia que existiam três meninos que poderiam ser seus.

— E nunca me contou?

— Porque não havia razão para destruir sua vida por uma suspeita.

Eu ri, sem humor.

— Você mandou obter o resultado.

Ela me encarou.

— Não.

Henrique baixou os olhos.

Aquilo chamou minha atenção.

— Quem mandou?

Silêncio.

Aproximei-me dele.

— Doutor Henrique, alguém fotografou meus filhos na escola. Se existe qualquer ligação entre aquela solicitação e o que está acontecendo agora, esconder informação deixou de ser lealdade profissional.

Ele passou a mão pela testa.

— Eu recebi instruções.

— De quem?

Eleonora respondeu:

— Henrique.

O aviso era claro.

Mas Eduardo colocou-se entre os dois.

— Fale.

O advogado respirou fundo.

— A ordem não veio de sua mãe.

Meu estômago se contraiu.

— Então de quem?

Henrique olhou para Eduardo.

— Do seu pai.

O silêncio foi absoluto.

Eduardo ficou pálido.

— Meu pai morreu seis anos atrás.

— Oficialmente — Henrique respondeu.

Eleonora fechou os olhos.

Foi a primeira vez que vi aquela mulher parecer verdadeiramente derrotada.

Eduardo soltou uma risada incrédula.

— Isso é absurdo.

— Seu pai não morreu naquela noite.

— Eu vi o caixão.

— Você viu um caixão fechado.

Eleonora avançou.

— Cale a boca.

Henrique, porém, parecia ter atravessado um ponto sem retorno.

— Álvaro Montenegro descobriu que parte do patrimônio da família estava sendo desviada. Poucas semanas depois, houve o acidente. Ele sobreviveu, mas acreditava que alguém dentro do próprio grupo empresarial tinha tentado matá-lo.

Eduardo precisou se apoiar na mesa.

Eu mal conseguia organizar o que estava ouvindo.

— E onde ele está?

Henrique balançou a cabeça.

— Não sei. Durante anos, recebíamos instruções através de intermediários. Uma delas foi acompanhar discretamente qualquer possível descendente de Eduardo.

Olhei para Eleonora.

— Então foi Álvaro quem descobriu meus filhos.

— Sim — Henrique respondeu. — E foi ele quem ordenou o teste.

Meu telefone vibrou pela terceira vez.

Dessa vez não era uma mensagem.

Era uma chamada de vídeo.

Número desconhecido.

Atendi.

A tela permaneceu escura durante alguns segundos.

Então apareceu o rosto de um homem idoso.

Cabelos completamente brancos. Uma cicatriz atravessava sua têmpora direita. Mas os olhos eram impossíveis de confundir.

Os mesmos olhos cinzentos de Eduardo.

Os mesmos olhos dos meus filhos.

Eleonora recuou como se tivesse visto um fantasma.

— Álvaro...

O homem ignorou a esposa.

Olhou diretamente para mim através da tela.

— Tire os meninos dessa propriedade imediatamente.

— Por quê?

Ele aproximou o rosto da câmera.

— Porque a transferência que você anunciou hoje não colocou os Montenegro nas suas mãos.

Uma pausa.

— Ela colocou você e meus netos no centro da guerra que quase me matou seis anos atrás.

Atrás de mim, ouvi um estrondo vindo do jardim.

Depois outro.

Não eram tiros.

Eram os enormes portões de ferro sendo travados.

Álvaro desviou os olhos para alguma coisa fora da câmera e falou rapidamente:

— E se os portões acabaram de fechar, significa que ele já sabe que você descobriu demais.

A ligação terminou.

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