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No Casamento Do Meu Ex-Marido, Ignorei A Mesa Da Humilhação E Sentei Na Primeira Fila Com Os Três Filhos Que Ele Nunca Soube Que Existiam

Corri para a janela antes mesmo de Eduardo conseguir pronunciar o nome do pai. Lá embaixo, os dois portões principais estavam fechados, e uma fila de carros começava a se formar diante deles. Alguns convidados discutiam com os seguranças. Outros levantavam os celulares, tentando entender por que ninguém podia sair. No meio do jardim, Carolina continuava vestida de noiva, mas já não parecia uma mulher abandonada diante do altar. Estava falando ao telefone, de costas para nós, enquanto o senador Augusto permanecia ao lado dela com uma tranquilidade que me incomodou imediatamente.

— Onde estão meus filhos?

Liguei para minha assistente.

Ela atendeu no primeiro toque.

— Estamos no estacionamento, mas o portão lateral também foi fechado.

— Entre no SUV e tranque as portas. Não deixe ninguém chegar perto deles.

— Entendido.

Eduardo já estava ao telefone com o chefe da segurança.

— Abra os portões.

Ouvi a resposta abafada.

O rosto dele mudou.

— Como assim, você não pode?

Ele desligou.

— O sistema de segurança foi bloqueado remotamente. Ninguém consegue liberar os acessos.

Henrique empalideceu.

— Isso não deveria ser possível.

— Para quem? — perguntei.

Ele hesitou.

— Para alguém de fora.

Eleonora, até então silenciosa, caminhou até a janela.

— Não é alguém de fora.

Todos olharam para ela.

— Explique — Eduardo exigiu.

Ela respirou fundo.

— Esta propriedade tem um sistema independente instalado depois do acidente de Álvaro. Pouquíssimas pessoas receberam acesso completo.

— Quantas?

— Quatro.

— Quem?

Eleonora olhou primeiro para Eduardo.

— Seu pai. Eu. Henrique...

Ela parou.

— E?

Antes que respondesse, meu celular tocou.

Era minha assistente.

— Senhora, tem alguém aqui.

Meu coração disparou.

— Quem?

— Carolina.

Olhei imediatamente pela janela.

Ela não estava mais no jardim.

— Não abra a porta.

— Ela está sozinha.

— Não abra.

Saí correndo.

Eduardo veio atrás de mim.

Quando chegamos ao estacionamento, encontrei Carolina parada a poucos metros do SUV. Meu segurança mantinha-se entre ela e o veículo. Pela janela escura, consegui distinguir os rostos dos meninos.

Carolina virou-se para nós.

O vestido branco arrastava sobre o cascalho.

— Precisamos conversar.

— Longe dos meus filhos.

— É justamente sobre eles.

Eduardo parou.

— Carolina, o que você sabe?

Ela olhou para ele por alguns segundos.

— Mais do que você imagina.

Eleonora surgiu atrás de nós.

— Carolina, volte para os convidados.

Carolina riu.

— Ainda está dando ordens?

A tensão entre as duas era antiga. Percebi naquele instante.

— Você sabia dos meninos? — perguntei.

— Não até três meses atrás.

Eduardo ficou rígido.

— Três meses?

— Foi quando sua mãe veio procurar meu pai.

Eleonora avançou.

— Cuidado com o que vai dizer.

Carolina ignorou.

— Nosso casamento nunca foi apenas um casamento, Eduardo. Era um acordo.

— Eu sei que nossas famílias tinham interesses em comum.

— Não. Você sabe a versão bonita.

Ela retirou um pequeno pen drive do buquê.

— Os Montenegro estão muito mais endividados do que você imagina. Empresas, propriedades, participações... tudo foi usado como garantia.

Eu já sabia de boa parte daquilo. Minha equipe havia passado meses comprando discretamente dívidas e direitos creditórios ligados ao grupo.

Mas Carolina continuou:

— Há uma dívida que você não comprou.

Aquilo me fez prestar atenção.

— Com quem?

— Meu pai.

O senador Augusto apareceu na entrada do estacionamento.

— Carolina.

Ela fechou os dedos sobre o pen drive.

— Não se aproxime.

O senador parou.

A expressão paternal havia desaparecido.

— Você está emocionalmente abalada.

— Não. Pela primeira vez estou pensando com clareza.

Eduardo olhou entre os dois.

— Que dívida?

Carolina me entregou o pen drive.

— Há três meses, Eleonora ofereceu ao meu pai quarenta por cento do Grupo Montenegro em troca de uma linha de crédito e do casamento.

— Isso é mentira — Eleonora disse.

— Tenho as gravações.

Meu olhar caiu sobre o pequeno dispositivo.

— E os meus filhos?

Carolina respirou fundo.

— Seu pai descobriu que Eduardo tinha herdeiros biológicos. Isso mudou o acordo.

O senador Augusto começou a caminhar em nossa direção.

— Carolina, basta.

Meu segurança deu um passo à frente.

Ele parou novamente.

— Por quê? — perguntei.

Carolina olhou para os meninos dentro do carro.

— Porque existe uma cláusula no estatuto privado da holding Montenegro. Uma cláusula criada pelo avô de Eduardo décadas atrás. Se houver descendentes diretos reconhecidos de Eduardo, parte das ações familiares não pode ser transferida para terceiros sem preservar a participação deles.

Henrique chegou naquele instante e ouviu as últimas palavras.

Seu rosto confirmou tudo.

— Quanto? — perguntei.

Ele demorou.

— Cinquenta e um por cento.

Eduardo soltou o ar devagar.

De repente, compreendi.

Não eram apenas três crianças desconhecidas.

Lucas, Noah e Caio eram o obstáculo legal que impedia alguém de assumir o controle definitivo do império Montenegro.

— Foi por isso que Eleonora quis comprar a guarda deles? — perguntei.

Carolina assentiu.

— Se ela controlasse legalmente os meninos, controlaria também quem poderia representar os interesses deles.

Virei-me para Eleonora.

— Dez milhões.

Ela não respondeu.

— Você não estava tentando comprar meus filhos. Estava tentando comprar os votos deles.

— Eu estava tentando preservar esta família.

Eduardo explodiu:

— Eles são a família!

A voz dele ecoou pelo estacionamento.

Por alguns segundos, ninguém falou.

Então ouvi três batidas leves no vidro.

Lucas.

Abaixei-me imediatamente junto à porta.

Ele apontava para alguma coisa atrás de mim.

— Mamãe, aquele homem estava na minha escola.

Meu corpo congelou.

— Que homem?

Lucas apontou.

Todos nos viramos.

No andar superior da ala de hóspedes, uma cortina acabara de se fechar.

— Você tem certeza? — perguntei.

Lucas assentiu.

— Ele ficava dentro de um carro preto.

Eduardo correu para a mansão.

Eu fui atrás dele, mas Henrique segurou meu braço.

— Não suba.

— Solte.

— Você precisa ouvir uma coisa primeiro.

A expressão dele me fez parar.

— O quê?

Henrique olhou para Eleonora, depois para o senador Augusto.

— A quarta pessoa com acesso total ao sistema de segurança não é Carolina. Nem o senador.

Eleonora ficou branca.

— Henrique, não.

— Quem é? — perguntei.

Ele engoliu em seco.

— Rafael Montenegro.

Eduardo, que havia parado alguns metros à frente, virou-se lentamente.

— Meu irmão morreu com meu pai.

Henrique balançou a cabeça.

— Não.

Eleonora fechou os olhos.

Eduardo parecia incapaz de respirar.

— Meu irmão está vivo?

— Eu nunca disse isso.

— Então o que está dizendo?

Henrique olhou para a janela onde a cortina havia se fechado.

— Estou dizendo que Rafael não estava no carro naquela noite.

Nesse instante, todas as luzes da propriedade se apagaram.

Ouvi gritos vindos do jardim.

O sistema de emergência levou três segundos para acender.

Quando as luzes vermelhas iluminaram o estacionamento, corri até o SUV.

A porta traseira continuava trancada.

Noah e Caio estavam lá.

Mas o assento de Lucas estava vazio.

Sobre ele havia apenas o pequeno dinossauro de brinquedo que ele carregara desde São Paulo.

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