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Oito Minutos Depois Do Nosso Divórcio, Meu Ex Disse Que Não Havia Nada Para Dividir — Então Levei Nossos Filhos E As Provas Para Guarulhos

Meu primeiro impulso foi sair correndo. Não para longe de Bruno, mas para dentro da sala onde meus filhos estavam. Eu precisava vê-los, tocar seus cabelos, ter certeza de que ainda estavam ali. A ideia de que alguém pudesse usar Mariana para me pressionar fez meu estômago se contrair. Fechei a mão ao redor do celular e olhei para Rafael.

— Como eles sabem que estou aqui?

— Essa é exatamente a pergunta que precisamos responder — disse ele.

— E a gravação?

Rafael ficou em silêncio por alguns segundos.

— Se essa mensagem for verdadeira, provavelmente está relacionada aos documentos que Henrique encontrou.

— Provavelmente?

— Sara, não sabemos quem enviou. Pode ser uma armadilha.

Olhei novamente para a tela. A mensagem continuava ali.

**“Seu pai deixou uma gravação para você.”**


Meu pai sempre dizia que algumas verdades só deveriam ser reveladas quando não houvesse mais ninguém capaz de nos proteger das consequências. Na época, eu achava que era apenas uma das frases estranhas dele. Agora, pela primeira vez, pensei que talvez ele soubesse que um dia eu precisaria descobrir algo que havia sido enterrado comigo.

— Quero ouvir a gravação.

Rafael respirou fundo.

— Então precisamos sair daqui.

— Para onde?

— Há uma sala de reuniões no terminal executivo. Henrique deixou instruções para que a senhora fosse levada até lá caso alguma coisa acontecesse.

Peguei as mochilas das crianças.

— Vamos.

Antes de sairmos, porém, o celular de Rafael vibrou.

Ele olhou para a tela e imediatamente guardou o aparelho.


— O que foi?

— Nada.

— Rafael.

Ele hesitou.

— A segurança do aeroporto identificou Bruno entrando no estacionamento reservado.

Meu coração afundou.

— E Talita?

— Não está mais com ele.

Aquela informação me deixou ainda mais inquieta.

Se Talita havia chegado com Bruno e desaparecido minutos depois, para onde ela tinha ido?


Saímos por uma porta lateral. Um funcionário nos conduziu por um corredor reservado, enquanto Caio segurava minha mão e Mariana caminhava ao meu lado, sonolenta. Eu tentava agir normalmente, mas cada passo parecia me aproximar de alguma coisa que eu não tinha certeza de querer descobrir.

Quando chegamos à sala, Rafael fechou a porta.

Sobre a mesa havia um computador antigo.

Ao lado dele, um pequeno gravador.

E um envelope branco com meu nome.

Reconheci imediatamente a caligrafia.

Meu pai.

Sentei.

Abri o envelope com os dedos trêmulos.

Havia apenas uma folha.


**“Sara, se você está lendo isto, significa que eu não consegui lhe contar pessoalmente.”**

Parei.

Meus olhos ficaram embaçados.

Continuei.

**“Nunca confie no que Bruno disser sobre o nascimento de Mariana.”**

O mundo pareceu ficar silencioso.

Caio percebeu minha expressão.

— Mãe?

Dobrei rapidamente a folha.

— Está tudo bem.


Mas não estava.

Rafael conectou o gravador ao computador.

— A senhora quer ouvir agora?

Assenti.

O áudio começou com alguns segundos de ruído.

Depois ouvi a voz do meu pai.

Mais jovem.

Cansada.

Mas inconfundível.

— Sara, se algum dia você ouvir esta gravação, é porque Bruno descobriu que eu sabia.


Levei a mão à boca.

A voz continuou:

— Eu não sei quanto tempo tenho. Também não sei em quem posso confiar. Mas preciso que você saiba uma coisa. Mariana nasceu depois de uma decisão que Bruno tomou sem o seu conhecimento. Ele acreditava que ninguém descobriria porque todos os documentos foram alterados.

Rafael congelou.

Eu também.

— Alterados como? — perguntei, embora meu pai não pudesse me ouvir.

A gravação prosseguiu.

— O documento original está guardado em um lugar que Bruno jamais procuraria. Não está em banco. Não está em casa. Está onde você passou parte da sua infância.

Meu coração começou a bater descontroladamente.

Minha infância.


A casa antiga dos meus pais.

Vendida depois da morte dele.

Ou pelo menos era isso que eu pensava.

Então meu pai disse algo que mudou tudo.

— E, Sara... existe uma razão para Bruno ter aceitado o divórcio tão facilmente.

O áudio terminou.

Silêncio.

— Isso não pode ser tudo — murmurei.

Rafael examinou o gravador.

— Há outro arquivo.


Ele clicou.

A tela mostrou um segundo áudio, criado exatamente três dias antes da morte do meu pai.

A voz dele estava muito mais fraca.

— Se você encontrou o primeiro arquivo, significa que Henrique fez o que prometeu. Agora escute com atenção. A empresa Almeida & Vasconcelos não foi criada por Bruno. Ela foi criada para proteger um patrimônio que pertence aos seus filhos.

Meu coração parou.

— Aos meus filhos?

— Sim. Mas Bruno descobriu a existência desse patrimônio quando Mariana ainda era bebê. Foi por isso que ele começou a controlar suas contas, seus documentos e até seus tratamentos médicos. Ele não queria apenas ficar com o dinheiro do divórcio. Ele queria controlar aquilo que legalmente pertencia a Caio e Mariana.

Olhei para Rafael.

— Por quê?

A voz do meu pai respondeu antes dele:


— Porque Mariana é a chave.

O áudio terminou novamente.

Nesse instante, ouvimos três batidas na porta.

Rafael se levantou.

— Fique atrás de mim.

A maçaneta começou a girar.

— Quem é? — perguntou Rafael.

Nenhuma resposta.

Então uma voz feminina veio do outro lado.

— Sara... sou eu.


Meu sangue gelou.

Eu conhecia aquela voz.

Talita.

— Preciso falar com você antes que Bruno descubra que eu vim aqui.

Rafael olhou para mim.

— Não abra.

Mas Talita continuou, quase chorando:

— Sara, eu sei o que Bruno fez com Mariana.

Do outro lado da porta, houve um silêncio breve.

Então ela acrescentou:

— E sei quem é o verdadeiro pai dela.

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