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Oito Minutos Depois Do Nosso Divórcio, Meu Ex Disse Que Não Havia Nada Para Dividir — Então Levei Nossos Filhos E As Provas Para Guarulhos

Por alguns segundos, ninguém se mexeu. A voz de Talita permanecia do outro lado da porta, baixa e trêmula, tão diferente da mulher que havia atendido o telefone de Bruno naquela manhã. Eu olhei para Rafael, depois para meus filhos. Caio estava de pé, confuso, enquanto Mariana continuava segurando o desenho que havia feito no carro.

— Não abra — Rafael repetiu. — Se ela realmente sabe alguma coisa, pode falar daqui.

Talita soltou um suspiro.

— Eu não vim para machucar vocês. Eu vim porque Bruno está mentindo para todos. Inclusive para mim.

Aquilo me atingiu de uma maneira inesperada.

— Abra — falei.

— Sara...

— Abra.

Rafael hesitou, mas finalmente destrancou a porta. Talita entrou rapidamente e fechou atrás de si. Estava sem maquiagem, com os cabelos presos de qualquer maneira e os olhos vermelhos. Não parecia a mulher elegante que eu havia visto nas fotografias da imobiliária.

Ela olhou para Mariana.


Por um instante, seu rosto se desfez.

— Meu Deus...

— Não olhe para ela — falei, colocando Mariana atrás de mim. — Fale comigo.

Talita engoliu em seco.

— Bruno não sabe que estou aqui.

— Então por que veio?

Ela colocou uma pequena bolsa sobre a mesa e retirou um envelope.

— Porque descobri que ele nunca me contou toda a verdade.

— Sobre Mariana?

Ela assentiu.


— Sobre tudo.

Senti uma raiva tão profunda que precisei apertar os dedos contra a palma da mão.

— Você estava com ele enquanto eu ainda era casada.

— Eu sei.

— Você sabia que ele mentia para mim.

— Eu sabia que ele dizia que o casamento de vocês estava terminado havia muito tempo. Eu acreditei nele.

— E agora?

Talita abaixou os olhos.

— Agora sei que fui usada também.

Rafael pegou o envelope.


— O que tem aqui?

— Uma cópia de um contrato que Bruno assinou há cinco anos. E uma fotografia.

Ele abriu.

Era um documento de transferência patrimonial.

Meu nome aparecia nele.

Mas não era a minha assinatura.

— Essa assinatura é falsa — murmurei.

Talita assentiu.

— Bruno precisava retirar você de uma estrutura jurídica criada pelo seu pai. Ele descobriu que uma parte do patrimônio estava protegida em nome de Caio e Mariana. Só que havia uma condição.

— Qual?


Talita olhou diretamente para mim.

— O dinheiro só poderia ser administrado pelo pai biológico de Mariana até ela completar dezoito anos.

Senti minhas pernas enfraquecerem.

— Isso não faz sentido. Bruno é o pai dela.

Talita ficou em silêncio.

Foi um silêncio longo demais.

— Não — ela disse finalmente. — Bruno não é.

Mariana levantou os olhos.

— Mamãe?

Aproximei-me dela imediatamente.


— Está tudo bem, meu amor.

Mas minhas próprias palavras pareciam falsas.

Rafael encarou Talita.

— Você tem provas?

Ela abriu a bolsa novamente e retirou uma fotografia antiga.

Dessa vez, reconheci o local.

Era o hospital onde Mariana nasceu.

Na fotografia, eu estava sentada em uma cama, segurando minha filha recém-nascida. Ao meu lado estava meu pai.

Mas havia outra pessoa na imagem.

Um homem jovem.


Eu não o reconheci.

— Quem é ele?

Talita respirou fundo.

— O nome dele é Daniel Ferreira.

O nome não significava nada para mim.

— Onde ele está?

Talita demorou a responder.

— Morto.

O silêncio tomou conta da sala.

— Então como ele poderia ser o pai de Mariana?


— Porque ele morreu seis meses depois do nascimento dela.

Meu coração começou a bater mais rápido.

— Você está dizendo que meu pai sabia?

— Seu pai sabia de tudo.

Olhei para a gravação sobre a mesa.

De repente, as palavras dele ganharam outro significado.

“Mariana é a chave.”

— Como você descobriu?

Talita passou a mão pelo rosto.

— Há três semanas, Bruno recebeu uma carta. Eu o vi queimá-la. Depois ele começou a perguntar sobre os documentos antigos da sua família. Eu estranhei. Ontem, encontrei uma cópia escondida no escritório dele.


— E o que dizia?

Talita me encarou.

— Que, se Mariana deixasse o Brasil antes de completar determinada idade, o patrimônio seria congelado e uma investigação seria aberta.

Rafael ficou pálido.

— Então é por isso que ele está tentando impedir a viagem.

Talita assentiu.

— Não apenas pela guarda. Ele precisa de Mariana no Brasil.

— Para controlar o dinheiro?

— Não.

Ela respirou fundo.


— Para impedir que um teste de DNA seja realizado.

Meu corpo ficou completamente imóvel.

— Que teste?

Talita olhou para Mariana novamente.

— Um teste que pode provar quem realmente é o pai dela.

Antes que eu pudesse responder, ouvimos passos no corredor.

Rafael apagou imediatamente o computador.

Talita ficou branca.

Alguém parou diante da porta.

Então uma voz masculina disse:


— Sara, abra a porta.

Bruno.

Caio segurou minha mão.

Mariana se escondeu atrás de mim.

Bruno bateu novamente.

— Eu sei que a Talita está aí.

Talita fechou os olhos.

E, pela primeira vez, percebi que ela estava com mais medo de Bruno do que eu.

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