Mariana voltou à sala de jantar exatamente vinte minutos depois.
Renato ainda estava rindo quando ela entrou.
Sônia estava sentada como uma rainha à cabeceira da mesa de outra pessoa, com as pérolas brilhando sob o lustre. Camila mantinha o celular inclinado na própria direção, provavelmente gravando o que imaginava que seria mais uma humilhação.
Mariana colocou a bandeja de prata no centro da mesa.
O ambiente cheirava a vinho, perfume e arrogância.
Renato se recostou na cadeira, com um sorriso debochado.
— Finalmente — disse ele. — Está vendo? Foi tão difícil assim?
Mariana não respondeu.
Apenas apoiou uma das mãos sobre a tampa polida.
Pela primeira vez naquela noite, havia alguma coisa naquela calma que o deixou inquieto.
Sônia estreitou os olhos.
— Por que você está olhando para a gente desse jeito?
Mariana passou os olhos lentamente pelos três.
— Porque quero me lembrar muito bem deste momento.
Camila riu.
— Que momento?
— A última vez que vocês ficam sentados dentro da minha casa acreditando que são donos de mim.
O sorriso de Renato desapareceu.
Mariana levantou a tampa.
Não havia macarrão.
Dentro da bandeja estavam fotografias, extratos bancários, mensagens impressas e um pequeno tablet que já reproduzia as imagens das câmeras de segurança.
O rosto de Renato apareceu na tela.
Sua voz ecoou pela sala de jantar.
— Se você contar isso para alguém, Mariana, ninguém vai acreditar em você.
Sônia perdeu a cor.
Camila se endireitou tão depressa que sua taça virou, derramando vinho sobre a toalha branca.
Renato avançou para pegar o tablet, mas Mariana deu um passo para trás.
— Encoste nele — disse ela em voz baixa — e os policiais lá fora vão acrescentar destruição de provas à lista.
O silêncio se rompeu.
Sônia sussurrou:
— Policiais?
Como se aquela palavra tivesse sido um chamado, luzes vermelhas e azuis começaram a piscar através das janelas da sala de jantar.
Renato se virou para as portas de vidro.
Dois investigadores entraram logo atrás do advogado de Mariana.
E, atrás deles, surgiu uma mulher que Renato não via havia três anos.
A antiga assistente de Mariana.
A mesma que ele jurava que jamais abriria a boca.
Ela segurava uma pasta contra o peito e encarava Renato com uma mistura de medo e fúria nos olhos.
— Eu assinei o depoimento — disse ela.
As pernas de Renato quase cederam.
Mas Mariana estava olhando para Sônia.
Porque Sônia não estava olhando para os policiais.
Ela encarava uma das fotografias sobre a bandeja.
Uma fotografia que Mariana nunca havia colocado ali.
No verso, escritas com tinta vermelha, havia cinco palavras:
Seu marido não foi o primeiro.







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