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Meu Marido Me Deu Um Tapa Pelo Jantar Atrasado — Então Eu Servi A Verdade Em Uma Bandeja De Prata

Mariana não percebeu que havia parado de respirar até sentir o peito doer. Do outro lado do vidro, a mulher permanecia imóvel, segurando o envelope junto ao peito. O rosto estava mais envelhecido do que na fotografia que Mariana guardara por tantos anos, os cabelos agora tinham fios prateados, mas os olhos eram exatamente os mesmos. Não havia dúvida. Mesmo depois de vinte e dois anos, mesmo depois de todas as mentiras, Mariana reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar.

— É ela — sussurrou.

Dr. Augusto colocou uma mão sobre o ombro dela.

— Mariana, você não precisa sair.

— Eu esperei por esse momento a minha vida inteira.

Renato deu um passo na direção dela.

— Não faça isso sozinha.

Mariana virou-se lentamente.

— Você já fez muita coisa por mim, Renato. Mentiu, me escondeu informações, permitiu que sua família me enganasse e ainda teve coragem de me bater. A última pessoa que eu quero ao meu lado agora é você.

Ele parou.


Mariana atravessou a sala. Um dos investigadores abriu a porta principal, e o ar frio da noite entrou na casa. Ela caminhou até o portão acompanhada de Dr. Augusto. Cada passo parecia irreal. Quando ficou diante da mulher, nenhuma das duas conseguiu falar.

A mulher levantou os olhos.

— Mariana...

Aquela voz.

Foi suficiente.

Mariana sentiu as lágrimas escorrerem antes mesmo de perceber que estava chorando.

— Mãe?

A mulher levou a mão à boca. Os olhos se encheram de lágrimas.

— Você ficou tão parecida comigo.

Mariana soltou uma risada quebrada, quase dolorosa.


— Eu passei vinte e dois anos acreditando que você estava morta.

— Eu sei.

— Não. Você não sabe.

A mulher abaixou a cabeça.

— Tem razão.

Mariana segurou o portão com força.

— Onde você estava?

— Longe.

— Isso não é uma resposta.

— Eu sei.


— Por que nunca voltou?

A mulher respirou fundo.

— Porque me fizeram acreditar que, se eu aparecesse, você seria a próxima.

Mariana ficou em silêncio.

— Quem?

A mulher olhou para a casa.

Seu olhar parou em Sônia, que observava tudo através da janela.

— Eles.

Sônia fechou os olhos.

Mariana sentiu uma onda de raiva.


— Minha mãe, meu pai... tudo isso aconteceu por causa deles?

— Não exatamente.

A mulher estendeu o envelope.

— Primeiro você precisa ver isso.

Mariana pegou o envelope. Dentro havia três fotografias, uma chave pequena e uma folha dobrada.

Ela abriu a folha.

Reconheceu imediatamente a assinatura do pai.

**“Se alguma coisa acontecer comigo, procure o cofre número 17.”**

Mariana levantou os olhos.

— Onde fica?


— No banco onde seu pai mantinha os documentos pessoais.

Dr. Augusto ficou tenso.

— Esse banco fechou há quinze anos.

— A agência fechou — respondeu a mulher. — O cofre não desapareceu.

Mariana olhou para a pequena chave.

— Você tinha isso esse tempo todo?

— Não.

— Então como conseguiu?

A mulher hesitou.

— Seu pai me entregou três dias antes do acidente.


Mariana sentiu o coração apertar.

— Você falou com ele antes de ele morrer?

— Sim.

— E o que ele disse?

A mulher começou a chorar.

— Que havia descoberto algo muito maior do que os desvios financeiros. Algo que poderia destruir pessoas poderosas. Ele queria tirar você do país.

— Por que não me levou?

A mulher fechou os olhos.

— Porque naquela noite tudo deu errado.

Antes que pudesse continuar, ouviram um barulho vindo da casa.


Um dos investigadores correu para dentro.

Mariana se virou.

Renato estava diante da mesa, olhando para o próprio celular.

Camila havia desaparecido.

Sônia permanecia sentada, imóvel.

— Onde está Camila? — perguntou Mariana.

Ninguém respondeu.

O investigador apareceu na porta.

— Ela saiu pelos fundos.

Mariana imediatamente entendeu.


— Ela pegou alguma coisa?

O investigador olhou para Dr. Augusto.

— O computador que estava conectado ao sistema de segurança desapareceu.

Mariana sentiu o sangue gelar.

— Ela sabe que há uma cópia na nuvem?

Dr. Augusto respondeu:

— Sabe agora.

A mãe de Mariana segurou seu braço.

— Não é o computador que ela quer.

— Então o quê?


— Ela quer chegar ao cofre antes de você.

Mariana olhou para a chave em sua mão.

Pela primeira vez, percebeu que aquilo não era apenas uma lembrança deixada pelo pai.

Era uma corrida.

E alguém já estava correndo.

---

Quarenta minutos depois, Mariana estava dentro do carro com a mãe e Dr. Augusto. Dois investigadores seguiam logo atrás. Renato permanecera na casa sob custódia para prestar depoimento, enquanto Sônia seria levada separadamente.

Durante todo o caminho, Mariana não conseguia parar de olhar para a mulher sentada ao seu lado.

— Ainda não consigo acreditar que você está aqui.

— Eu também não consigo acreditar que finalmente estou ao seu lado.


— Você acompanhou minha vida?

A mãe hesitou.

— À distância.

— Como?

— Cartas.

Mariana franziu a testa.

— Nunca recebi nenhuma carta.

— Eu sei.

— Então onde estão?

A mulher apertou as mãos.

— Eu entregava a uma pessoa de confiança.

— Quem?

Ela demorou a responder.

— Seu advogado.

Mariana virou-se para Dr. Augusto.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.

— Sua mãe me pediu para proteger você sem revelar onde ela estava.

Mariana sentiu a garganta fechar.

— Quantas cartas?

— Dezenove.

— E você guardou todas?

— Sim.

A mãe dela tocou seu braço.

— Eu escrevi todos os anos. Seu primeiro emprego. Seu casamento. Quando você abriu sua empresa. Quando soube que estava sendo traída. Quando você sofreu a primeira agressão. Eu sabia de tudo.

Mariana virou o rosto para a janela.

Uma lágrima escorreu.

— E você não veio.

— Eu tive medo.

— Eu também tive.

A frase saiu tão baixa que sua mãe começou a chorar.

O carro finalmente parou diante de um prédio antigo.

Dr. Augusto apontou para a entrada.

— O banco mudou de nome duas vezes, mas os arquivos históricos foram transferidos para o subsolo.

Mariana entrou segurando a chave.

Depois de alguns minutos, encontraram uma antiga fileira de cofres. O número 17 estava quase escondido atrás de uma placa metálica.

Mariana inseriu a chave.

Um clique.

A porta abriu.

Dentro havia apenas uma caixa de madeira.

Ela a retirou lentamente.

Na tampa estava escrito:

**“Para minha filha, quando ela finalmente descobrir a verdade.”**

Mariana fechou os olhos.

— Meu pai sabia.

A mãe segurou sua mão.

— Ele sabia que um dia você descobriria.

Mariana abriu a caixa.

Havia documentos, um gravador antigo e uma fotografia.

Ela pegou a fotografia primeiro.

Seu coração disparou.

Na imagem estavam seu pai, sua mãe e um homem que Mariana reconheceu imediatamente.

O pai de Renato.

Mas havia outra pessoa ao fundo.

Uma pessoa que ela jamais esperaria ver.

Mariana aproximou a fotografia da luz.

— Não...

Sua mãe empalideceu.

— O que foi?

Mariana apontou para o homem ao fundo.

— Esse é o meu advogado.

Dr. Augusto congelou.

— Não pode ser.

Mariana virou-se lentamente para ele.

— Então me diga uma coisa.

Ela segurou a fotografia diante do rosto dele.

— Por que você aparece nesta foto tirada vinte e dois anos atrás, se eu só conheci você depois da morte do meu pai?

Dr. Augusto não respondeu.

E, pela primeira vez naquela noite, Mariana percebeu que talvez tivesse confiado na pessoa errada desde o início.

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