Entretenimento

Meu marido me expulsou da mansão com nossos gêmeos de dez dias — sem saber quem realmente era a dona de tudo

A mão de Guilherme permaneceu estendida por alguns segundos, segurando o envelope como se ele tivesse acabado de recuperar o controle da situação.

Marcos não tirava os olhos do documento.

— De onde você conseguiu isso? — perguntou.

Guilherme sorriu.

— Então é verdade. Você sabe exatamente o que está olhando.

Viviane se aproximou, ainda segurando a escritura da mansão.

— Guilherme, do que ele está falando?

— De algo que sua querida nora passou anos escondendo de vocês — respondeu ele.

Eu apertei os gêmeos contra o peito.

— Marcos.


Ele ergueu os olhos para mim.

— Senhora Valença, preciso que a senhora permaneça calma.

— Eu estou calma. Leia.

Marcos abriu o envelope com cuidado.

Seus olhos percorreram a primeira página.

Depois a segunda.

Na terceira, sua expressão mudou completamente.

— Helena...

— O que ele fez?

Marcos respirou fundo.


— Guilherme assinou ontem um contrato de cessão de direitos sobre o Projeto Aurora.

Meu estômago se contraiu.

Projeto Aurora.

Aquele nome não deveria existir em nenhum documento fora da minha holding.

Era o projeto estratégico mais valioso da Valença Participações Internacionais. Não era apenas uma coleção de projetos de luxo ou uma nova divisão da empresa.

Era a operação que eu havia desenvolvido em segredo durante quatro anos para adquirir uma rede internacional de propriedades e marcas de alto padrão sem revelar a identidade do verdadeiro comprador.

Se alguém descobrisse quem estava por trás da operação antes da conclusão, bilhões poderiam ser perdidos.

Olhei para Guilherme.

— Você não tinha autorização para isso.

— Eu não precisava da sua autorização.


— Precisava, sim.

Ele riu.

— Você continua pensando como se eu fosse seu empregado.

Marcos fechou o documento.

— Não. O problema é justamente o contrário.

Ele virou uma página e apontou para uma assinatura.

— Senhor Montenegro, este contrato afirma que o senhor possuía autorização para representar a controladora da Valença Participações Internacionais.

Guilherme deu de ombros.

— E agora tenho.

— Não tem — respondeu Marcos.


— O contrato diz que tenho.

— Um contrato falso não cria autoridade legítima.

O sorriso de Guilherme diminuiu.

Viviane olhou para ele.

— Você falsificou alguma coisa?

— Não fui eu quem falsificou.

Meu coração bateu mais forte.

— Então quem foi?

Guilherme me encarou.

— Você deveria perguntar ao seu próprio conselho.


Por um instante, ninguém falou.

O vento atravessou o jardim da mansão.

Eu olhei para Marcos.

Ele entendeu imediatamente.

— Vou verificar todos os registros internos.

— Não — falei.

Ele parou.

— Primeiro descubra para quem ele vendeu.

Guilherme soltou uma risada.

— Finalmente.


— Finalmente o quê?

— Finalmente você percebeu que o problema não sou eu.

Ele tirou o celular do bolso e mostrou uma fotografia.

Era uma sala de reuniões.

Uma mesa longa.

Quatro homens sentados ao redor dela.

E, no centro da mesa, uma cópia de um documento com o símbolo da Valença Participações Internacionais.

Reconheci imediatamente o homem sentado à cabeceira.

Meu sangue gelou.

Não era um empresário qualquer.


Era Eduardo Ferraz.

O presidente de uma das maiores concorrentes da minha holding.

O mesmo homem que tentava comprar nossas participações internacionais havia três anos.

— Ele recebeu alguma coisa? — perguntei.

— Ainda não.

Marcos respondeu antes de Guilherme.

— O contrato é uma promessa de transferência. Para ser executado, eles precisam provar que os direitos realmente pertencem ao senhor Montenegro.

— E pertencem?

Marcos me encarou.

— Não.


Um pequeno sorriso apareceu no meu rosto.

Guilherme percebeu.

— Não fique tão confiante.

— Por quê?

— Porque você ainda não viu a última página.

Marcos abriu novamente o documento.

Seu rosto ficou rígido.

— Há uma cláusula de penalidade.

— Quanto? — perguntei.

— R$ 1,2 bilhão.


Viviane levou a mão à boca.

— Um bilhão?

Guilherme sorriu.

— Exatamente.

— E quem deve pagar isso? — perguntei.

Ele apontou para mim.

— Você.

O silêncio foi absoluto.

Então comecei a rir.

Guilherme franziu a testa.


— O que foi?

— Você realmente acredita nisso?

— Está no contrato.

— Não. Está no seu contrato.

Ele perdeu o sorriso.

Marcos finalmente entendeu o que eu estava fazendo.

— Senhora Valença...

— Cancele a execução.

— Já estou fazendo.

— E depois?

— Vou acionar a cláusula de fraude documental.

Guilherme deu um passo para trás.

— Você não pode fazer isso.

— Posso.

— Você vai destruir meu nome.

— Não, Guilherme.

Olhei diretamente para ele.

— Você fez isso sozinho.

Pela primeira vez, ele pareceu assustado.

Mas então Viviane agarrou seu braço.

— Guilherme, diga a ela quem recebeu o pagamento.

Ele ficou em silêncio.

Marcos estreitou os olhos.

— Pagamento?

Viviane percebeu tarde demais que havia falado demais.

Eu me virei para ela.

— Quanto?

Ela não respondeu.

— Viviane.

— Não sei do que você está falando.

Guilherme fechou os olhos por um instante.

— Mãe...

— Quanto? — repeti.

Ele respondeu:

— Cinquenta milhões.

Marcos empalideceu.

— Cinquenta milhões de reais?

Guilherme assentiu.

— Um adiantamento.

— E onde está esse dinheiro? — perguntei.

Ele me encarou.

— Não está mais comigo.

— Então onde?

Ele não respondeu.

Foi nesse momento que meu telefone vibrou.

Uma mensagem de Marcos apareceu na tela.

“Senhora Valença, encontramos a origem dos R$ 50 milhões.”

Abri o arquivo.

Era uma transferência bancária.

O dinheiro havia passado por três empresas.

A última tinha um único beneficiário.

Viviane Montenegro.

Levantei lentamente os olhos.

Minha sogra ficou imóvel.

Guilherme virou-se para ela.

— Mãe?

Viviane não respondeu.

E, pela primeira vez desde que aquela porta havia se fechado na minha cara, percebi que o casamento que eles acreditavam ter destruído naquela noite talvez fosse apenas a primeira parte de uma traição muito maior.

Marcos aproximou-se de mim.

— Senhora Valença, há mais uma coisa.

— O quê?

Ele baixou a voz.

— A conta que recebeu os cinquenta milhões não foi aberta ontem.

Meu coração acelerou.

— Há quanto tempo existe?

Marcos olhou para Viviane.

— Há oito anos.

A expressão dela desmoronou.

E eu soube que aquela noite ainda estava muito longe de terminar.

Continua — clique na Parte 4 para continuar lendo.

No comments yet