Entretenimento

Meu marido me expulsou da mansão com nossos gêmeos de dez dias — sem saber quem realmente era a dona de tudo

O homem da fotografia estava diante da sede da Valença Participações Internacionais havia menos de cinco minutos.

Marcos ampliou a imagem.

— A segurança tentou identificá-lo, mas ele apresentou uma autorização assinada por um dos nossos diretores.

— Qual diretor?

Marcos verificou o nome.

Seu rosto endureceu.

— Ricardo Bastos.

Eu conhecia aquele nome.

Ricardo era um dos poucos executivos que haviam acompanhado a expansão da empresa desde os primeiros anos. Ele conhecia estruturas, contratos e operações que nem mesmo alguns membros do conselho conheciam.

— Ele está dentro do prédio?


— Ainda não. A segurança o manteve na recepção.

— Então ninguém o deixa sair.

Marcos assentiu.

— Já dei a ordem.

Guilherme soltou uma risada amarga.

— Você realmente acha que consegue controlar tudo?

Olhei para ele.

— Não. Mas consigo controlar quem entra na minha empresa.

— Sua empresa...

Ele repetiu as palavras como se ainda não conseguisse aceitar.


— Você passou anos fingindo ser outra pessoa.

— Eu nunca menti sobre quem eu era.

— Você escondeu.

— Porque não precisava que meu patrimônio definisse meu casamento.

Ele desviou os olhos.

— Talvez tenha sido exatamente por isso que tudo aconteceu.

Eu não respondi.

A frase teria me ferido meses antes.

Naquela noite, porém, só me deixou cansada.

Marcos recebeu outra mensagem.


— O carro está pronto.

Olhei para os gêmeos.

Eles continuavam protegidos sob o casaco dele, finalmente tranquilos.

— Vamos.

Um dos seguranças abriu a porta do SUV.

Antes de entrar, virei-me para Viviane e Guilherme.

— Vocês vão sair daqui.

Viviane olhou para a mansão.

— Para onde iremos?

— Não é mais problema meu.


Guilherme apertou os punhos.

— Você não pode simplesmente nos abandonar.

Olhei para ele.

— Foi exatamente isso que você fez comigo há menos de uma hora.

Ele ficou em silêncio.

— A diferença — continuei — é que eu estou deixando vocês com uma escolha. Vocês podem cooperar com a investigação ou podem continuar mentindo.

Viviane me encarou.

— E se eu cooperar?

— Então talvez eu descubra por que seu nome aparece em documentos ligados ao passado da minha família.

Ela empalideceu.


Entrei no carro.

Enquanto o veículo deixava a propriedade, observei a mansão desaparecer pelo vidro traseiro.

Não senti triunfo.

Ainda não.

Havia algo naquela história que não se encaixava.

Meu nome nos documentos ligados ao pai de Guilherme.

A conta aberta por Viviane oito anos antes.

Os cinquenta milhões.

E agora Ricardo Bastos aparecendo justamente quando o Projeto Aurora estava prestes a ser comprometido.

Não eram coincidências.


Quando chegamos à sede da empresa, a equipe de segurança já havia isolado a entrada principal.

Entrei carregando um dos bebês, enquanto uma enfermeira particular que Marcos havia chamado carregava o outro.

Assim que atravessei o saguão, vi Ricardo.

Ele estava sentado sozinho.

Terno escuro.

Pasta preta sobre os joelhos.

Nenhum sinal de nervosismo.

Quando me viu, levantou-se.

— Helena.

— Ricardo.


Ele olhou para os bebês.

Depois para mim.

— Parabéns.

— Não estamos aqui para falar dos meus filhos.

— Eu sei.

Marcos aproximou-se.

— A senhora Valença quer saber por que você trouxe esses documentos.

Ricardo colocou a pasta sobre a mesa.

— Porque alguém dentro da empresa está tentando apagar a origem do Projeto Aurora.

Meu olhar ficou fixo nele.


— Quem?

— Ainda não posso dizer.

— Então não temos nada para conversar.

Ele respirou fundo.

— Seu pai sabia que isso aconteceria.

Meu corpo ficou imóvel.

— Não fale do meu pai sem explicar.

Ricardo abriu a pasta.

Retirou uma fotografia antiga.

Eu reconheci imediatamente o rosto do meu pai.


Ele estava mais jovem.

Ao lado dele havia outro homem.

O pai de Guilherme.

E, entre os dois, uma terceira pessoa.

Uma mulher.

Meu coração acelerou.

— Quem é ela?

Ricardo não respondeu imediatamente.

— Essa fotografia foi tirada oito anos antes do seu casamento.

— E daí?


— Foi quando o primeiro acordo foi assinado.

Marcos pegou a fotografia.

— Que acordo?

Ricardo abriu um documento antigo.

— Seu pai criou uma estrutura de proteção para alguns ativos da família. Mas não colocou tudo diretamente em seu nome.

— Por quê?

— Porque sabia que alguém tentaria chegar até você através do casamento.

Senti um frio percorrer minha nuca.

— Meu pai sabia que alguém tentaria se casar comigo por dinheiro?

— Não exatamente.

Ricardo apontou para uma cláusula.

— Ele sabia que havia pessoas interessadas no controle dos ativos da família. E uma delas estava muito mais próxima do que imaginava.

Marcos leu o documento.

Depois olhou para mim.

— Helena...

— Continue.

— Existe uma condição aqui.

— Qual?

Ele virou o documento para mim.

A cláusula era antiga.

Mas meu nome estava claramente registrado.

Helena Vitória Valença.

Abaixo dele havia uma segunda condição.

Se eu me casasse com qualquer pessoa ligada diretamente às famílias mencionadas no acordo, determinadas ações da holding seriam transferidas para uma estrutura de proteção independente.

Meu coração disparou.

— Guilherme sabia disso?

Ricardo respondeu:

— Não sei.

— Viviane sabia?

— Ela sabia o suficiente para tentar impedir que você descobrisse.

Fiquei em silêncio.

Então entendi.

— O casamento...

Ricardo assentiu.

— Pode ter sido planejado.

Marcos fechou a pasta.

— Isso muda tudo.

— Ainda não — falei.

— Senhora Valença?

— Quero saber quem recebeu as informações sobre o Projeto Aurora.

Ricardo me encarou.

— Foi alguém com acesso ao seu escritório particular.

— Quantas pessoas têm esse acesso?

— Quatro.

Marcos começou a listar os nomes.

— Eu, você, Ricardo e...

Ele parou.

— Quem?

Marcos consultou o sistema.

Seu rosto perdeu a cor.

— Helena, existe um quinto acesso.

— Quem?

Ele não respondeu.

— Marcos.

— Seu marido.

Olhei para a tela.

O sistema mostrava que Guilherme havia acessado arquivos internos do Projeto Aurora várias vezes nos últimos seis meses.

Meu peito apertou.

— Isso é impossível.

Ricardo balançou a cabeça.

— Não é.

— Ele não tinha autorização.

— Mesmo assim, alguém forneceu credenciais.

Marcos continuou verificando.

— E há mais.

— O quê?

— O último acesso aconteceu ontem à noite.

Fiquei imóvel.

Guilherme estava em casa naquela hora.

Ele havia acabado de me expulsar.

Mas, algumas horas antes, alguém usando suas credenciais havia baixado um arquivo específico.

— Qual arquivo?

Marcos abriu o registro.

“Estrutura Final — Projeto Aurora.”

O documento continha informações suficientes para destruir quatro anos de trabalho.

Olhei para Ricardo.

— Você disse que alguém está tentando apagar a origem do projeto.

— Sim.

— Então me diga a verdade.

Ele hesitou.

— A origem do Projeto Aurora não começou com você.

Meu coração parou por um instante.

— Como assim?

Ricardo abriu a última página da pasta.

Havia uma assinatura antiga.

Uma assinatura que eu conhecia desde criança.

Meu pai.

E ao lado dela estava outra.

Guilherme Montenegro.

Olhei para a assinatura durante vários segundos.

— Guilherme tinha quantos anos quando isso foi assinado?

Ricardo respondeu em voz baixa:

— Dezenove.

Senti o mundo ficar silencioso.

Ele não havia entrado na minha vida por acaso.

Talvez nem mesmo o casamento tivesse começado como eu acreditava.

E, pela primeira vez, percebi que a verdadeira pergunta não era mais quanto Guilherme havia roubado.

Era o que meu pai havia prometido à família Montenegro antes de morrer.

Continua — clique na Parte 6 para continuar lendo.

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