Entretenimento

Meu marido me expulsou da mansão com nossos gêmeos de dez dias — sem saber quem realmente era a dona de tudo

A imagem congelada na tela permaneceu diante dos meus olhos.

Viviane.

Guilherme.

Eduardo Ferraz.

Os três entrando no meu escritório como se tivessem todo o direito de estar ali.

— Quanto tempo faz? — perguntei.

Marcos verificou o sistema.

— Dois minutos.

— Então ainda estão lá.

— Sim.


— Chame a segurança.

Ricardo segurou meu braço.

— Não.

Olhei para ele.

— Por quê?

— Porque, se eles entraram no seu escritório, provavelmente querem alguma coisa específica. Se os expulsarmos agora, nunca saberemos o quê.

Marcos concordou.

— Podemos bloquear as saídas sem alertá-los.

Olhei novamente para a imagem.

— Faça isso.


Marcos começou a enviar comandos pelo celular.

— Portas externas bloqueadas. Elevadores restritos. Segurança posicionada nos corredores.

— E as câmeras?

— Ativas.

— Não intervenha ainda.

Ricardo me encarou.

— Você quer observar.

— Quero saber o que eles vieram buscar.

Seguimos para uma sala de monitoramento no andar inferior.

Na tela, meu escritório apareceu em vários ângulos.


Viviane estava diante do cofre embutido atrás de uma estante.

Guilherme permanecia perto da porta.

Eduardo examinava os documentos sobre minha mesa.

— Eles sabem onde procurar — murmurei.

Ricardo respondeu:

— Ou alguém contou.

Observei Viviane tirar um pequeno envelope da bolsa.

Meu coração acelerou.

Ela abriu o envelope e retirou uma chave antiga.

— Essa chave...


Ricardo ficou imóvel.

— Você reconhece?

— Seu pai tinha uma igual.

— Para o cofre?

— Não.

Ele aproximou-se da tela.

— Para o arquivo privado.

Olhei para ele.

— Que arquivo?

— O que seu pai mantinha antes de criar a estrutura da holding.


Na tela, Viviane inseriu a chave em uma pequena fechadura escondida atrás de uma fotografia.

Um compartimento se abriu.

Guilherme se aproximou.

Eduardo também.

Dentro havia uma caixa metálica.

— Eles sabiam — falei.

Ricardo respirou fundo.

— Sabiam de alguma coisa.

Viviane retirou a caixa.

Mas, antes que pudesse abri-la, Guilherme segurou seu braço.


Os dois discutiram.

Mesmo sem áudio, era possível perceber a tensão.

Eduardo tentou intervir.

Então Guilherme apontou para ele.

Eduardo respondeu com alguma coisa.

Viviane ficou furiosa.

Pegou a caixa e a colocou sobre a mesa.

Foi quando Marcos ativou o áudio.

A voz de Guilherme ecoou pela sala.

— Você prometeu que o documento estaria aqui.


Viviane respondeu:

— Eu disse que deveria estar.

— Você me fez acreditar que meu pai deixou isso para mim.

— Seu pai não deixou nada para você.

Guilherme ficou imóvel.

Eduardo soltou uma risada curta.

— Agora você finalmente entende.

— Entendo o quê? — perguntou Guilherme.

Eduardo aproximou-se.

— Que você nunca foi o herdeiro.


Meu coração apertou.

Guilherme ficou olhando para ele.

— Então quem é?

Eduardo olhou para Viviane.

Ela não respondeu.

— Helena — disse ele.

Guilherme empalideceu.

Eu não consegui respirar por alguns segundos.

— O que exatamente ele quis dizer? — perguntei.

Ricardo não respondeu.


Na tela, Guilherme bateu a mão sobre a mesa.

— Você sabia disso desde o começo?

Viviane desviou os olhos.

— Eu sabia que Helena tinha acesso ao patrimônio.

— Não foi isso que perguntei!

— Seu pai me contou sobre o acordo.

— E você me mandou casar com ela por causa disso?

Viviane ficou em silêncio.

Meu corpo inteiro ficou tenso.

Guilherme começou a rir, mas havia desespero na voz.


— Então foi isso.

Eduardo colocou uma pasta sobre a mesa.

— Não apenas isso.

Ele abriu a pasta.

— Seu casamento ativou a transferência prevista pelo acordo. Mas havia uma segunda condição.

Guilherme olhou para ele.

— Qual?

Eduardo sorriu.

— Helena precisava permanecer sem saber quem realmente controlava os ativos.

Marcos olhou para mim.

— Senhora Valença...

Eu já estava entendendo.

— Queriam me manter isolada.

Ricardo assentiu lentamente.

— Até que o Projeto Aurora pudesse ser transferido.

Na tela, Guilherme pegou um documento.

— Então, se ela descobrir...

Eduardo respondeu:

— O acordo deixa de proteger vocês.

— E o dinheiro?

— Continua com Helena.

Guilherme ficou furioso.

— Então por que eu passei todos esses anos acreditando que seria meu?

Eduardo olhou para Viviane.

— Porque sua mãe precisava que você acreditasse.

Viviane finalmente perdeu a paciência.

— Eu fiz tudo para proteger meu filho!

— Você fez tudo para controlar o patrimônio dele — respondeu Eduardo.

Ela avançou contra ele.

— Não fale como se fosse diferente!

Eduardo sorriu.

— Eu nunca disse que era.

Eu senti um nó no estômago.

Aquela não era uma aliança.

Era uma guerra entre três pessoas que haviam passado anos tentando usar o mesmo patrimônio.

E eu era o centro dela.

Marcos aumentou o volume.

Guilherme abriu outro documento.

— Isso aqui é a transferência das ações?

Eduardo respondeu:

— É uma cópia.

— Onde está o original?

— Com Helena.

Guilherme ficou pálido.

— Ela não sabe que possui isso.

— Ainda não.

Olhei para Ricardo.

— O que é?

Ele demorou a responder.

— As ações que seu pai colocou sob proteção quando você era criança.

— Quantas?

— Vinte e dois por cento da holding.

Marcos ficou em silêncio.

Eu também.

Vinte e dois por cento.

Não era apenas uma participação.

Era suficiente para alterar completamente o equilíbrio do conselho.

E Guilherme acabara de tentar vender direitos sobre algo que nunca lhe pertenceu.

Então Eduardo disse algo que fez meu sangue gelar.

— Existe um problema.

Guilherme olhou para ele.

— Qual?

— Helena já bloqueou os ativos.

— E daí?

— Daí que o bloqueio não cobre essas ações.

Meu coração parou.

Marcos verificou imediatamente o sistema.

— Ele tem razão.

— Como?

— Essas ações estão registradas em uma estrutura independente.

Ricardo fechou os olhos.

— A estrutura que seu pai criou.

Eduardo continuou:

— E quem controla essa estrutura?

Ninguém respondeu.

Ele sorriu.

— Helena.

A sala ficou silenciosa.

Na tela, Viviane percebeu a mesma coisa.

— Então tudo o que fizemos...

Eduardo a interrompeu.

— Foi inútil.

Guilherme pegou o celular.

— Eu ainda tenho uma saída.

— Qual? — perguntou Viviane.

Ele olhou para a câmera de segurança.

Diretamente para ela.

E então disse:

— Fazer Helena assinar.

Meu corpo ficou imóvel.

Marcos virou-se para mim.

— Senhora Valença, acho que precisamos tirar os bebês daqui imediatamente.

— Por quê?

Ele apontou para outra câmera.

A imagem mostrava o estacionamento subterrâneo.

Um homem acabara de entrar.

Depois outro.

E outro.

Não eram funcionários da empresa.

E estavam carregando pastas e equipamentos.

Ricardo olhou para a tela.

— Eles trouxeram uma equipe.

— Para quê?

Ele respondeu em voz baixa:

— Para forçar uma transferência.

Olhei novamente para meu escritório.

Guilherme estava segurando o documento.

Viviane chorava.

Eduardo permanecia imóvel.

Então Guilherme recebeu uma mensagem no telefone.

Ele leu.

Seu rosto mudou.

— O que foi? — perguntou Eduardo.

Guilherme levantou os olhos.

— Helena está aqui.

Eduardo congelou.

Eu me aproximei do microfone da sala de monitoramento.

— Sim, Guilherme.

Os três ficaram imóveis.

— E ouvi tudo.

Na tela, Guilherme olhou diretamente para a câmera.

Pela primeira vez, não havia arrogância em seu rosto.

Havia medo.

Eu continuei:

— Agora vocês vão me explicar por que meu pai deixou uma parte da minha própria empresa nas mãos da família Montenegro.

Ninguém respondeu.

Então Viviane caminhou até a câmera.

E disse:

— Porque seu pai não confiava em você.

Senti um golpe no peito.

— Por quê?

Ela fechou os olhos.

— Porque ele sabia que você não era filha única.

Meu sangue gelou.

Continua — clique na Parte 8 para continuar lendo.

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