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No Altar, Meu Noivo Disse Que Eu Pertencia A Ele — Então Tirei Meu Vestido De Noiva E Revelei O Que Ele Jamais Imaginou

Reconheci a letra do meu avô antes mesmo de terminar a primeira frase.

Augusto Almeida escrevia de um jeito peculiar, inclinando as palavras para a direita e pressionando tanto a caneta que algumas letras deixavam marcas no verso da folha. Quando criança, eu recebia cartões de aniversário escritos exatamente daquela maneira.

Segurei a carta com as duas mãos.

**Helena, se você estiver lendo isto, significa que alguém descobriu o que realmente pertence a você.**

Continuei.

**E, se isso aconteceu, provavelmente também descobriram que seu pai não controla tudo o que leva o sobrenome Almeida.**

Levantei os olhos.

Meu pai fechou os olhos por um instante.

“Continue”, disse ele.

Voltei à carta.


Meu avô explicava que, anos antes de sua morte, havia criado uma estrutura patrimonial separada da Almeida Participações. Não constava nos ativos operacionais da família nem poderia ser transferida por casamento, procuração comum ou decisão do conselho.

Chamava-se Fundação Aurora.

Eu nunca ouvira aquele nome.

“Que fundação é essa?”

Meu pai puxou lentamente um banco e sentou-se.

“Uma estrutura que seu avô criou para concentrar patentes, imóveis e participações que ele não queria deixar sob controle direto da empresa.”

“Quanto vale?”

Ele demorou.

“Hoje?”

“Quanto?”


“Talvez três vezes o valor da Almeida Participações.”

Minha garganta secou.

Eduardo não queria apenas minhas ações.

Aquilo era muito maior.

Eleanor se aproximou.

“Se a fundação está protegida, como Eduardo poderia acessá-la?”

Olhei novamente para a carta.

A resposta estava algumas linhas abaixo.

**Aos trinta anos, Helena receberá automaticamente o direito de administração da Fundação Aurora. Caso esteja legalmente casada nessa data, determinadas prerrogativas sucessórias poderão ser exercidas conjuntamente pelo cônjuge, conforme a versão original do estatuto.**

Meu aniversário.


Olhei para meu pai.

“É amanhã.”

Ele assentiu.

Finalmente entendi por que Eduardo havia insistido tanto naquela data para o casamento.

Não era romantismo.

Não era coincidência.

Era prazo.

“Você sabia.”

“Descobri há três semanas que ele sabia.”

“E não me contou?”


“Eu queria cancelar tudo sem colocar você em risco.”

Uma risada amarga escapou de mim.

“Eu já estava em risco.”

Meu pai olhou para os hematomas parcialmente escondidos pelo robe.

Sua expressão desmoronou.

“Eu não sabia disso.”

“Porque nunca perguntou.”

Ele não tentou se defender.

Aquilo, estranhamente, doeu ainda mais.

Eleanor pegou a pequena chave que acompanhava a carta.


“E isto?”

Meu pai balançou a cabeça.

“Não sei.”

A carta terminava com uma instrução:

**A chave abre aquilo que não pude confiar a nenhum advogado. Procure onde sua avó deixou de tocar piano.**

Meu coração apertou.

A casa antiga dos meus avós, em Higienópolis.

Depois da morte da minha avó, o piano de cauda permanecera fechado numa sala que ninguém usava. Meu avô nunca permitiu que o instrumento fosse vendido.

“Precisamos ir até lá”, falei.

Eleanor imediatamente negou.


“Não antes de sabermos quem enviou aquelas mensagens.”

Como se tivesse ouvido seu nome invisível, meu celular vibrou.

Número desconhecido.

**Se quiser saber por que Marina Ferraz morreu, vá sozinha.**

Abaixo havia um endereço.

Não era a casa dos meus avós.

Era um estacionamento subterrâneo na Avenida Paulista.

Meu pai viu.

“Você não vai.”

“Não vou sozinha.”


“Helena...”

“Passei anos obedecendo a homens que diziam estar me protegendo.”

Eleanor interrompeu:

“E desta vez ele tem razão.”

Olhei para ela.

“Então vamos descobrir quem enviou.”

Quarenta minutos depois, eu já havia trocado o vestido de noiva por roupas simples trazidas pela minha assessora. Eleanor organizou uma saída discreta pela sacristia, enquanto meu pai e minha mãe permaneceram na catedral para prestar depoimentos preliminares.

Vanessa havia sido separada dos demais convidados.

Antes de sair, passei por ela.

“Marina Ferraz.”


Vanessa ergueu os olhos.

“Quem está me enviando mensagens sobre ela?”

“Eu não sei.”

“Você conhecia Marina?”

Uma hesitação.

Pequena demais para ser inocente.

“Vanessa.”

“Só vi fotografias.”

“De quem?”

Ela mordeu o lábio.


“Eduardo guardava uma caixa.”

“Que caixa?”

“Coisas das mulheres.”

Meu estômago revirou.

“Que coisas?”

“Fotos. Cartas. Objetos pessoais.”

“Como troféus?”

Vanessa não respondeu.

Não precisava.

“E onde está essa caixa?”


“Na casa da mãe dele.”

Essa informação ficou comigo durante todo o caminho.

Eu e Eleanor não fomos ao estacionamento. Dois agentes foram enviados primeiro. Não encontraram ninguém.

Encontraram apenas um envelope preso sob uma coluna.

Dentro havia uma fotografia de Marina e um bilhete:

**A chave não pertence ao piano. Pertence ao compartimento que está dentro dele. Eduardo já sabe disso.**

Meu sangue gelou.

“Como alguém sabe da carta?”, perguntei.

Eleanor encarou o bilhete.

“Essa é exatamente a pergunta que devemos fazer.”

Seguimos imediatamente para a antiga casa dos meus avós.

Quando chegamos, o portão estava aberto.

Deveria estar trancado.

Um dos agentes entrou primeiro.

A porta principal apresentava sinais de arrombamento.

Corremos para a sala de música.

Meu coração afundou.

O piano estava aberto.

O banco havia sido virado.

Partes do revestimento inferior tinham sido arrancadas.

“Chegamos tarde”, murmurei.

Mas então me lembrei das palavras do bilhete.

O compartimento que está dentro dele.

Ajoelhei-me.

Passei os dedos pela madeira sob o teclado até encontrar uma pequena abertura quase invisível.

A chave encaixou.

Um clique.

Uma placa estreita deslizou.

Dentro havia uma caixa metálica.

Intacta.

Respirei aliviada.

Eduardo não a encontrara.

Eleanor colocou luvas antes de retirar a caixa.

Dentro havia documentos, um pequeno gravador antigo e três fotografias.

Peguei a primeira.

Meu avô.

Meu pai.

E um homem que eu não reconhecia.

Na segunda, estava Marina Ferraz.

Na terceira, Eduardo.

Todos haviam sido fotografados diante do mesmo prédio.

No verso havia uma data.

Onze anos antes.

E uma frase escrita pelo meu avô:

**Se algo acontecer comigo, procure Samuel. Ele sabe por que os Blackwell querem Aurora.**

“Samuel quem?”, perguntei.

Eleanor pegou o gravador.

Havia uma fita dentro.

Apertamos play.

Ruído.

Depois surgiu a voz do meu avô.

“Se você está ouvindo isto, Helena, então Roberto falhou em manter você longe dos Blackwell.”

Meu peito apertou.

“Seu pai cometeu erros, mas existe uma coisa que você precisa entender antes de julgá-lo.”

Uma pausa.

“Eduardo não foi o primeiro Blackwell a tentar entrar em nossa família.”

Olhei para Eleanor.

A gravação continuou.

“Vinte e quatro anos atrás, a mãe de Eduardo tentou exatamente a mesma coisa.”

Um barulho surgiu no corredor.

O agente imediatamente levou a mão ao rádio.

Passos.

Alguém estava dentro da casa.

“Polícia Federal!”, ele gritou. “Identifique-se!”

Uma sombra apareceu na porta.

Era uma mulher.

Devia ter pouco mais de cinquenta anos. Estava encharcada de suor e segurava uma pasta contra o peito.

Reconheci seu rosto das fotografias antigas que vira durante a investigação.

Meu coração disparou.

“Marina?”

A mulher balançou a cabeça.

“Não.”

Ela entrou lentamente na luz.

“Sou a irmã dela.”

Seus olhos foram diretamente para o gravador em minhas mãos.

“E, se você acabou de ouvir o nome da mãe de Eduardo, Helena, precisa sair desta casa agora.”

“Por quê?”

A mulher olhou para a janela.

Então disse algo que fez Eleanor imediatamente pegar o telefone.

“Porque Eduardo nunca comandou esse plano.”

Ela me encarou.

“A mãe dele comandou.”

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