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No Altar, Meu Noivo Disse Que Eu Pertencia A Ele — Então Tirei Meu Vestido De Noiva E Revelei O Que Ele Jamais Imaginou

Por um segundo, ninguém na sala subterrânea disse nada.

Na pequena tela do sistema de segurança, meu pai fechou a porta do carro e ficou diante de Beatriz Blackwell como se aquela cena fosse perfeitamente normal.

Como se ele não tivesse me telefonado poucas horas antes dizendo que ela havia desaparecido.

Como se eu não tivesse acabado de descobrir que os dois se conheciam havia onze anos.

“Não”, murmurei.

Clara aproximou o rosto do monitor.

“Eles vieram juntos.”

Samuel ficou imóvel.

“Roberto não faria isso.”

Eu me virei para ele.


“Você parece conhecer muito bem meu pai.”

“Conheço há mais de trinta anos.”

Mais uma coisa que ninguém havia achado necessário me contar.

Eleanor segurou meu braço antes que eu alcançasse a porta.

“Você fica aqui.”

“É meu pai.”

“Exatamente.”

Os agentes subiram primeiro.

Pelo monitor, vimos Beatriz parar no centro do galpão. Meu pai permaneceu alguns passos atrás.

Ela parecia absurdamente elegante para uma fugitiva. O vestido usado no casamento continuava impecável, mas as pérolas haviam desaparecido.


Então Beatriz ergueu o rosto diretamente para a câmera.

“Helena”, disse.

Havia áudio.

Meu corpo inteiro enrijeceu.

“Sei que está me vendo. Traga Samuel e a pasta vermelha.”

Meu pai reagiu.

“Isso não fazia parte do acordo.”

Beatriz se virou para ele.

“Nosso acordo terminou no instante em que sua filha decidiu transformar o casamento em um espetáculo.”

“Você prometeu me trazer até ela.”


“E trouxe.”

Meu coração bateu com violência.

Meu pai não estava ajudando Beatriz.

Ele a havia seguido até mim.

Ou talvez fosse exatamente o que queria que eu acreditasse.

Beatriz continuou:

“Cinco minutos, Helena. Depois disso, seu pai descobrirá quanto vale a palavra de uma Blackwell.”

Eleanor desligou o áudio.

“Ela quer provocar uma reação.”

Samuel pegou a pasta vermelha.


“E vai conseguir.”

“Não”, Eleanor respondeu. “Essa pasta fica aqui.”

Samuel riu sem humor.

“Você ainda não entende.”

Abriu-a sobre a mesa.

Esperávamos encontrar documentos.

Havia apenas cópias.

“Os originais não estão aqui”, ele disse.

“Então onde estão?”

“Com Augusto.”


Meu avô estava morto havia onze anos.

“Isso não faz sentido.”

“Seu avô não confiava em cofres particulares. Antes de morrer, transferiu os documentos originais para uma custódia jurídica que só poderia ser aberta por você depois de assumir oficialmente a Fundação Aurora.”

“Depois dos trinta.”

“Exatamente.”

Amanhã.

Tudo voltava ao meu aniversário.

“Então Beatriz precisa de mim viva.”

Samuel me encarou.

“Até amanhã.”


A frase me atravessou.

Clara apertou o caderno da irmã.

“Foi isso que aconteceu com Marina?”

Samuel baixou os olhos.

“Marina descobriu a existência dos documentos.”

Clara perdeu a cor.

“Você sabia?”

“Eu tentei ajudá-la.”

“Minha irmã morreu e você ficou escondido!”

“Porque dois dias antes do acidente ela me pediu que desaparecesse.”


Clara avançou, mas Eleanor se colocou entre os dois.

“Por quê?”

Samuel respirou fundo.

“Porque Marina descobriu que havia alguém dentro da família Almeida fornecendo informações aos Blackwell.”

Olhei imediatamente para o monitor.

Meu pai.

“Quem?”

“Ela nunca conseguiu provar.”

“Mas suspeitava de alguém.”

Samuel assentiu.


“Sim.”

“Meu pai?”

“Não.”

Aquilo me surpreendeu.

“Então quem?”

Um ruído no monitor interrompeu a conversa.

Meu pai acabara de se afastar de Beatriz.

“Não vou participar disso”, ele disse.

Beatriz sorriu.

“Você participa desde o começo, Roberto.”


Meu estômago se contraiu.

“Você procurou meu marido vinte e quatro anos atrás”, ela continuou. “Você pediu dinheiro. Depois voltou quando Augusto morreu.”

Meu pai parecia devastado.

“Eu estava tentando salvar a empresa.”

“Você estava tentando salvar a si mesmo.”

Olhei para Samuel.

“Isso é verdade?”

Ele não respondeu.

“Samuel.”

“Seu pai estava endividado.”


Senti como se mais uma parede caísse dentro de mim.

“Quanto?”

“Mais do que a empresa podia suportar.”

Meu pai havia me dito que a criação da pasta Aquisição Helena servira para proteger minhas ações de uma tomada hostil.

Talvez aquela parte fosse verdade.

Mas agora eu entendia de onde vinha a ameaça.

“Os Blackwell financiaram meu pai.”

Samuel assentiu.

“E cobraram o favor depois.”

Subimos.

Eleanor protestou, mas eu não ficaria escondida enquanto meu pai era usado para me atrair.

Quando entrei no galpão, Beatriz sorriu.

“Finalmente.”

Meu pai virou-se.

“Helena, volte.”

“Não.”

Parei a vários metros deles, com agentes posicionados atrás das estruturas laterais.

“Você mentiu para mim.”

Meu pai abaixou a cabeça.

“Sim.”

“Você conhecia os Blackwell.”

“Conhecia o pai de Eduardo.”

“Você devia dinheiro a eles.”

“Sim.”

“E Aquisição H?”

Ele respirou fundo.

“Era minha tentativa de impedir que eles tomassem suas ações como pagamento.”

Pela primeira vez, a história fazia algum sentido.

Não o absolvia.

Mas explicava.

Beatriz bateu palmas lentamente.

“Que reunião familiar emocionante.”

Olhei para ela.

“Eduardo decidiu colaborar.”

O sorriso desapareceu por meio segundo.

Foi suficiente.

“Ele vai entregar você.”

“Meu filho não consegue nem escolher uma gravata sem minha aprovação.”

“Talvez tenha aprendido.”

Ela recuperou a expressão.

“Eduardo sempre foi fraco.”

A frase me atingiu.

Não porque eu sentisse pena dele.

Mas porque reconheci nela exatamente o desprezo que Eduardo usava comigo.

Talvez crueldade também pudesse ser ensinada.

“Você o colocou na minha vida?”

“Eu apresentei possibilidades. Eduardo fez o resto.”

“E Marina?”

Clara surgiu atrás de mim.

“Responda.”

Beatriz olhou para ela sem surpresa.

“Você continua parecida com sua irmã.”

Clara tremeu.

“Você matou Marina?”

“Não.”

“Mentira.”

“Marina morreu porque começou a correr quando deveria ter parado.”

“Isso é uma confissão?”

Beatriz sorriu.

“É uma observação.”

Eleanor apareceu.

“Beatriz Blackwell, a senhora está detida.”

Beatriz não se moveu.

“Então detenha-me.”

Foi fácil demais.

Até Eleanor percebeu.

Os agentes se aproximaram.

Beatriz ergueu as mãos.

Nenhuma resistência.

Quando passaram por mim, ela inclinou a cabeça.

“Você realmente acredita que vim aqui buscar uma pasta?”

Meu sangue esfriou.

Olhei para Samuel.

Ele já corria para o subsolo.

Nós o seguimos.

A porta estava aberta.

A mesa permanecia intacta.

A pasta vermelha também.

Mas a caixa metálica retirada do piano havia desaparecido.

“Não”, murmurei.

Um agente verificou a saída de emergência.

Arrombada.

Beatriz não viera sozinha.

Alguém entrara enquanto todos olhávamos para ela.

Samuel vasculhou a mesa.

“Levaram o gravador de Augusto.”

“E os documentos?”

“Alguns.”

“Quais?”

Ele verificou rapidamente.

Então ficou imóvel.

“Os registros sobre Marina continuam aqui.”

“Então o que levaram?”

Samuel levantou os olhos.

“O estatuto original da Fundação Aurora.”

Meu pai entrou na sala.

“Por que isso importa?”

Samuel parecia genuinamente assustado.

“Porque existe uma cláusula no estatuto original que não aparece nas cópias atuais.”

“Que cláusula?”

Ele olhou para mim.

“Se Helena morrer antes de assumir a administração aos trinta anos, o controle não volta para a família Almeida.”

Senti um arrepio.

“Para quem vai?”

Samuel demorou alguns segundos.

“Para o segundo beneficiário indicado por Augusto.”

“Quem?”

“Eu nunca soube. O nome estava apenas no original.”

Meu celular vibrou.

Outra mensagem do número desconhecido.

Desta vez havia uma fotografia tirada segundos antes.

Eu estava nela, entrando no galpão.

Alguém nos observava.

Abaixo, uma única frase:

**Agora eles têm o estatuto. Pergunte a Roberto quem é o segundo beneficiário.**

Olhei para meu pai.

Ele não perguntou o que dizia a mensagem.

Apenas fechou os olhos.

E naquele instante eu soube.

Ele conhecia o nome.

“Pai.”

Roberto permaneceu em silêncio.

“Quem recebe Aurora se eu morrer?”

Quando finalmente abriu os olhos, não havia mais como esconder.

“Seu irmão.”

O mundo pareceu parar.

Eu era filha única.

Ou pelo menos havia passado trinta anos acreditando que era.

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