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No Altar, Meu Noivo Disse Que Eu Pertencia A Ele — Então Tirei Meu Vestido De Noiva E Revelei O Que Ele Jamais Imaginou

A mulher se chamava Clara Ferraz.

E, durante os primeiros minutos, ninguém acreditou nela.

O agente federal manteve distância suficiente para observar suas mãos, Eleanor exigiu um documento de identidade e eu permaneci junto ao piano, segurando a carta do meu avô contra o peito enquanto tentava compreender como uma mulher que eu nunca vira antes sabia tanto sobre minha família.

Clara entregou a carteira.

“Minha irmã morreu há seis anos”, disse. “Passei cinco deles tentando provar que não foi um acidente.”

“E o último?”, perguntei.

“Passei tentando continuar viva.”

Eleanor ergueu os olhos.

“Quem ameaçou você?”

Clara olhou diretamente para mim.


“Beatriz Blackwell.”

A mãe de Eduardo.

A mulher das pérolas na primeira fila da catedral.

Lembrei-me da expressão dela quando os documentos caíram do meu vestido. Não parecia surpresa. Naquele momento eu interpretara como vergonha.

Agora já não tinha certeza.

“Provas”, Eleanor exigiu.

Clara abriu a pasta.

Havia extratos, fotografias e cópias de correspondências. No fundo, um caderno de capa azul.

“Era de Marina.”

Senti um aperto no estômago.


Clara abriu numa página marcada.

A caligrafia mudava à medida que as anotações avançavam. No início, Marina descrevia Eduardo como encantador. Depois surgiam dúvidas. Nomes de empresas. Datas. Transferências.

E então aparecia repetidamente um nome:

**B.B.**

Beatriz Blackwell.

“Marina descobriu que Eduardo estava usando o relacionamento para conseguir informações sobre o Grupo Ferraz”, Clara explicou. “Mas ele não trabalhava sozinho.”

“Beatriz dava as ordens?”

“Era o que Marina acreditava.”

“Por quê?”

Clara olhou para a caixa retirada do piano.


“Porque Aurora não é apenas uma fortuna.”

Meu coração acelerou.

“Então o que é?”

Ela puxou uma fotografia aérea antiga.

Mostrava uma enorme propriedade industrial no interior de São Paulo.

“Reconhece?”

Balancei a cabeça.

“Seu avô comprou essa área há quase trinta anos. Oficialmente, é um conjunto de terrenos e instalações de pesquisa pertencentes à Fundação Aurora.”

Eleanor examinou a fotografia.

“Pesquisa de quê?”


“Tecnologia de armazenamento energético. Seu avô financiou um grupo de engenheiros durante quase duas décadas. Eles desenvolveram patentes extremamente valiosas.”

Comecei a entender.

“E os Blackwell queriam as patentes.”

“Queriam controlar a empresa que poderia explorá-las.”

Clara apontou para o homem desconhecido na fotografia encontrada dentro do piano.

“Este é Samuel Nogueira. Ele era o engenheiro-chefe.”

O nome da gravação.

“Está vivo?”

“Espero que sim.”

A resposta não me agradou.


“Quando falou com ele pela última vez?”

“Há quatro dias.”

Eleanor imediatamente perguntou:

“Onde?”

“Ele me ligou de um número descartável. Disse que alguém havia acessado os arquivos antigos da Aurora. Depois perguntou se Helena ainda pretendia se casar no dia sete.”

Meu sangue esfriou.

“Hoje.”

Clara assentiu.

“Quando confirmei, ele disse: ‘Então Beatriz finalmente conseguiu.’”

Fiquei em silêncio.


Eduardo havia me machucado.

Mentido.

Ameaçado.

Tentado tomar minhas ações.

Era fácil colocá-lo no centro de tudo porque eu conhecia sua crueldade.

Mas talvez ele fosse apenas a parte mais visível de algo construído antes mesmo de nos conhecermos.

Meu celular tocou.

Meu pai.

Atendi.

“Helena, onde você está?”


“Na casa do vovô.”

Silêncio.

“Você encontrou o compartimento.”

Não era uma pergunta.

“Você sabia.”

“Sabia que existia. Nunca soube onde.”

Olhei para Clara.

“Você conhece Samuel Nogueira?”

Meu pai respirou fundo.

“Conheço.”


“E Beatriz?”

Outro silêncio.

“Pai.”

“Sim.”

“Quanto?”

“Mais do que gostaria.”

Fechei os olhos.

“Venha até aqui.”

“Não posso.”

“Por quê?”


A voz dele mudou.

“Porque Beatriz desapareceu.”

Olhei para Eleanor.

“Como assim?”

“Quando os agentes começaram a separar os convidados, ela pediu para usar o banheiro. Encontraram uma janela aberta. O carro dela também sumiu.”

Clara empalideceu.

“Ela sabe.”

“Sabe o quê?”, perguntei.

Clara apontou para a caixa.

“Que você encontrou isso.”


Eleanor já estava falando ao telefone com os agentes.

Enquanto ela organizava a busca, voltei ao conteúdo da caixa.

Havia documentos jurídicos, correspondências do meu avô e um envelope marcado com uma única palavra:

**SAMUEL.**

Abri.

Dentro havia coordenadas e uma sequência de números.

Clara reconheceu imediatamente.

“É o código da antiga instalação da Aurora.”

“Então vamos até lá.”

Eleanor ouviu.

“Não.”

“Samuel pode estar lá.”

“E Beatriz também.”

“Exatamente.”

Ela me encarou.

“Você não é investigadora.”

“Não. Sou a pessoa que todos eles estão tentando controlar.”

Clara fechou o caderno da irmã.

“E sou a pessoa que perdeu alguém tentando descobrir por quê.”

Duas horas depois, chegamos à propriedade acompanhadas por agentes federais.

O lugar parecia abandonado. Galpões baixos, vegetação crescendo sobre o asfalto, janelas cobertas de poeira.

As coordenadas nos levaram ao prédio mais afastado.

A porta estava destrancada.

Lá dentro encontramos computadores antigos, armários vazios e uma sala subterrânea protegida por teclado numérico.

Digitei a sequência encontrada no envelope.

A porta abriu.

Samuel Nogueira estava lá.

Vivo.

Sentado diante de uma mesa repleta de documentos.

Era um homem de quase setenta anos, cabelos brancos e rosto cansado.

Quando me viu, seus olhos se encheram de lágrimas.

“Você se parece tanto com Augusto.”

“Meu avô disse que você sabia a verdade.”

“Sei parte dela.”

“Então comece por Beatriz Blackwell.”

Samuel olhou para Eleanor, depois para os agentes.

“Beatriz quer Aurora, mas não apenas pelo dinheiro.”

“Pelas patentes.”

Ele balançou a cabeça.

“Também.”

“Então por quê?”

Samuel abriu uma gaveta e retirou uma pasta vermelha.

“A Fundação Aurora guarda registros que podem provar como a Blackwell Holdings construiu parte do próprio império.”

Clara se aproximou.

“Fraude?”

“Espionagem industrial, suborno, falsificação de patentes. Talvez coisa pior.”

Ele colocou a pasta diante de mim.

“Seu avô descobriu tudo.”

Meu coração apertou.

“Foi por isso que ele morreu?”

Samuel não respondeu imediatamente.

E esse silêncio respondeu por ele.

Antes que eu pudesse perguntar novamente, Eleanor recebeu uma ligação.

Seu rosto mudou.

“Repita.”

Todos ficamos imóveis.

Ela desligou lentamente.

“O advogado de Eduardo acabou de protocolar um pedido de soltura.”

“Já?”

“E apresentou uma alegação inesperada.”

“Qual?”

Eleanor me encarou.

“Eduardo afirma que está disposto a colaborar integralmente.”

“Contra quem?”

“Contra a própria mãe.”

Samuel se levantou tão depressa que derrubou a cadeira.

“Não deixem Eduardo falar sem proteção.”

“Por quê?”

“Porque se ele realmente decidiu entregar Beatriz, ela não vai fugir.”

Um estrondo ecoou no andar de cima.

Os agentes sacaram suas armas e correram para a porta.

Outro barulho.

Depois silêncio.

Samuel ficou branco.

“Ela vai apagar as provas.”

A luz se apagou.

Por alguns segundos, ficamos mergulhados na escuridão.

Então as lâmpadas de emergência acenderam.

Olhei para a mesa.

A pasta vermelha continuava ali.

Mas Samuel estava olhando para um pequeno monitor conectado ao sistema de segurança.

Uma câmera externa ainda funcionava.

Um carro preto acabara de parar diante do prédio.

A porta traseira se abriu.

Beatriz Blackwell desceu.

Mas ela não estava sozinha.

Meu pai saiu do outro lado do carro.

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