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No Altar, Meu Noivo Disse Que Eu Pertencia A Ele — Então Tirei Meu Vestido De Noiva E Revelei O Que Ele Jamais Imaginou

Por alguns segundos, pensei que tivesse ouvido errado.

“Repita.”

Do outro lado da ligação, Gabriel respirou fundo.

“O nome que aparece no estatuto original é Eduardo Blackwell.”

Olhei para minha mãe. Ela percebeu imediatamente que alguma coisa havia mudado.

“Isso é impossível. Meu avô desprezava os Blackwell.”

“Eu sei.”

“Eduardo era praticamente uma criança quando o documento foi criado.”

“Eu também sei.”

“Então por que Augusto colocaria o nome dele?”


“Ele não colocou.”

Meu coração acelerou.

“O estatuto foi adulterado?”

“Sim.”

Finalmente, uma peça se encaixava.

“Por isso você o roubou.”

“Eu precisava do original antes que Beatriz destruísse a prova.”

“Você poderia ter vindo até mim.”

Gabriel soltou uma risada amarga.

“Até hoje você nem sabia que eu existia.”


“Mas sabia tudo sobre mim.”

Silêncio.

“Mais do que gostaria.”

As mensagens.

As fotografias.

“Era você.”

“Algumas.”

“Algumas?”

“Eu mandei a fotografia de Marina. O vídeo da catedral. O aviso sobre seu pai. Mas não mandei a mensagem dizendo para você ir sozinha ao estacionamento.”

Um frio percorreu minha nuca.


Então havia outra pessoa nos conduzindo.

“Quem mandou?”

“Não sei.”

“Gabriel, onde você está?”

“Num lugar seguro.”

“Traga o estatuto para Eleanor.”

“Não.”

“Por quê?”

“Porque ainda não sei quem posso confiar.”

Olhei para minha mãe.


“Nem em mim?”

A resposta demorou.

“Quero confiar.”

A ligação terminou.

Minha mãe se aproximou.

“Ele falou comigo?”

“Não.”

A dor em seu rosto foi imediata.

Antes que pudesse perguntar qualquer coisa, Eleanor entrou na biblioteca.

“Eduardo quer depor.”


“Então vamos ouvi-lo.”

“Há outra coisa. A perícia preliminar encontrou um detalhe no pen drive.”

“Qual?”

“Alguns arquivos foram inseridos nele depois que você o colocou no buquê.”

Fiquei imóvel.

“Meu buquê ficou sozinho no camarim por vinte minutos.”

“Quem teve acesso?”

Pensei.

Minha assessora. Floristas. Segurança. Minha mãe.

Vanessa.


E Beatriz.

“Precisamos das câmeras.”

Eleanor assentiu.

Uma hora depois, estávamos diante de um monitor na sede da Polícia Federal.

As imagens mostravam meu camarim às 8h36.

Eu saía.

Às 8h41, Vanessa entrava.

Meu estômago se apertou.

Ela permanecia lá por três minutos.

Quando saiu, carregava o celular na mão.


“Foi ela.”

“Espere”, Eleanor disse.

Às 8h47, outra pessoa apareceu.

Meu pai.

Entrou.

Saiu dois minutos depois.

Então, às 8h52, surgiu uma terceira figura.

O padre que celebraria nosso casamento.

Ele fechou a porta atrás de si.

Ficou dentro do camarim durante seis minutos.


“Por que o padre estaria lá?”

Eleanor ampliou a imagem.

Quando ele saiu, carregava algo pequeno na mão.

Um adaptador USB.

Meu coração disparou.

“Encontre-o.”

Mas o padre havia desaparecido depois da cerimônia.

Enquanto os agentes iniciavam a busca, fomos para a sala onde Eduardo aguardava com seu advogado.

Sem o terno perfeitamente ajustado e sem a multidão para impressionar, ele parecia menor.

Mas não menos perigoso.


Sentei-me diante dele.

“Seu nome está no estatuto da Aurora.”

Ele fechou os olhos.

“Então Gabriel encontrou.”

“Você sabia que ele estava vivo?”

“Minha mãe suspeitava.”

“Você me conheceu para encontrá-lo.”

“No começo.”

Aquelas duas palavras doeram de uma maneira que eu não esperava.

“No começo?”


Eduardo me encarou.

“Não vou pedir que acredite em mim, Helena. Eu fiz coisas imperdoáveis.”

“Você me machucou.”

“Eu sei.”

“Você me ameaçou.”

“Eu sei.”

“Então não transforme isso em arrependimento romântico.”

Ele abaixou a cabeça.

“Não estou tentando.”

Eleanor colocou uma cópia do registro diante dele.

“Quem alterou o estatuto?”

“Meu pai.”

Beatriz sempre fora o centro da conspiração.

Mas agora surgia outra figura.

“Augusto Blackwell?”

Eduardo assentiu.

“Ele descobriu que o documento permitia indicar um beneficiário secundário. Subornou alguém no escritório responsável pela custódia e inseriu meu nome.”

“Por quê você?”

“Porque eu tinha seis anos. Parecia inocente. Se Helena morresse antes dos trinta e a fraude não fosse descoberta, Aurora poderia acabar sob tutela vinculada à minha família.”

Meu estômago revirou.

“Então o plano existia desde que eu era criança.”

“Sim.”

“E sua mãe continuou depois que seu pai morreu.”

“Ela transformou o plano em obsessão.”

“Marina?”

Eduardo ficou em silêncio.

“Olhe para mim.”

Ele ergueu os olhos.

“Eu amei Marina.”

Clara tinha razão.

“E usou ela.”

“Sim.”

“Ela morreu por causa de vocês?”

“Minha mãe mandou alguém segui-la naquela noite. Marina percebeu. Acelerou. Perdeu o controle.”

“Então Beatriz causou a morte dela.”

“Indiretamente.”

Minha vontade era atravessar a mesa.

Mas permaneci sentada.

“E meu pai?”

“Roberto nunca trabalhou para minha mãe como ela afirma. Ele devia dinheiro ao meu pai, mas passou anos tentando desfazer o que tinha feito.”

“Por que não me contou?”

Eduardo riu amargamente.

“Na sua família, esconder a verdade é chamado de proteção.”

Eu não podia discordar.

“Quem é Samuel?”

A mudança no rosto dele foi imediata.

“Finalmente chegamos à pergunta certa.”

Eleanor se inclinou.

“Explique.”

“Samuel Nogueira nunca foi apenas engenheiro-chefe da Aurora.”

“Então o que era?”

“Sócio oculto de Augusto Almeida.”

“Isso não explica por que Gabriel disse que Samuel organizou sua adoção.”

“Não. Mas isto explica.”

Eduardo pediu ao advogado uma pasta.

Dentro havia uma certidão antiga.

Colocou-a diante de mim.

“Minha mãe guardava isso.”

Era um registro de nascimento.

Samuel Nogueira.

Nome da mãe: Cecília Nogueira.

Nome do pai: em branco.

No verso havia uma anotação posterior, resultado de uma investigação particular.

**Paternidade provável: Augusto Almeida.**

Meu avô.

“Samuel era filho do meu avô?”

“Meio-irmão de Roberto.”

Então Samuel era meu tio.

E poderia ter motivos próprios para controlar Aurora.

Meu celular vibrou.

Gabriel.

Uma fotografia.

O estatuto aberto sobre uma mesa.

Abaixo:

**Encontrei a página original. Eduardo não mentiu. O nome dele foi acrescentado depois.**

Outra mensagem chegou.

**Mas há algo pior.**

Uma segunda fotografia mostrava uma assinatura.

Samuel Nogueira.

Logo abaixo, Gabriel escreveu:

**Foi Samuel quem autenticou a alteração.**

Levantei os olhos para Eleanor.

“Precisamos encontrar Samuel.”

Ela já pegava o telefone quando um agente entrou apressado.

“Doutora Pierce, encontramos o padre.”

“Ótimo.”

“Não exatamente.”

Ele colocou uma bolsa transparente sobre a mesa.

Dentro estava o adaptador USB visto nas câmeras.

“Havia arquivos nele.”

“Quais?”

O agente olhou para mim.

“Uma gravação feita onze anos atrás.”

“De quem?”

“Augusto Almeida e Samuel Nogueira.”

Ligaram o áudio.

A voz do meu avô surgiu primeiro:

“Eu não vou permitir que você use Helena para corrigir o que fizeram com você.”

Depois Samuel:

“Ela tem tudo porque nasceu com o sobrenome certo.”

“Ela é uma criança.”

“E eu era seu filho.”

Meu corpo congelou.

A voz de Augusto ficou dura.

“Se tocar em Helena ou Gabriel, você nunca verá um centavo de Aurora.”

Seguiu-se um silêncio.

Então Samuel respondeu:

“Você não vai viver para protegê-los para sempre.”

A gravação terminou.

Ninguém falou.

Meu celular vibrou novamente.

Gabriel.

Desta vez, apenas cinco palavras:

**Samuel acabou de me encontrar.**

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