Entretenimento

Voltei de Viagem e Encontrei a Avó do Meu Marido Trancada no Quarto dos Fundos — Então Ela Me Fez Uma Revelação

“Alguém que eu já conhecia.”

Repeti as palavras de Rosalina enquanto saía do quarto do hospital.

Naquele momento, praticamente todas as pessoas em quem eu havia confiado pareciam suspeitas.

Marcelo tinha construído nosso casamento sobre uma mentira.

Beatriz ajudava a sustentá-la.

Natália havia dormido com meu marido, preparado a estrutura da holding usada contra mim e, agora, setecentos e cinquenta mil reais tinham saído de uma conta dela para uma empresa controlada por Beatriz.

Eu não queria mais interpretações.

Queria documentos.

Liguei para Augusto.

“Não confronte Natália sobre a transferência antes de eu chegar.”


“Helena, isso agora é investigação policial.”

“Eu sei. Mas conheço Natália. Se estiver mentindo, vou perceber.”

Ele ficou em silêncio.

“Vinte minutos.”

Quando cheguei à delegacia, Natália já estava numa sala de depoimento.

Seu celular permanecia apreendido sobre a mesa.

Augusto colocou o comprovante bancário diante dela.

“Reconhece?”

Ela empalideceu.

“Sim.”


Meu estômago afundou.

“Então foi você.”

Natália olhou diretamente para mim.

“Fui eu quem transferiu.”

“Para Beatriz?”

“Para uma empresa que eu descobri depois pertencer a ela.”

“Não brinque com palavras.”

“Não estou brincando.”

Augusto cruzou os braços.

“Por que transferir setecentos e cinquenta mil reais?”


Natália demorou alguns segundos.

“Porque recebi uma ligação.”

Ela pediu autorização para que Augusto abrisse uma pasta específica na cópia forense de seu telefone.

Havia um arquivo de áudio.

A voz de uma mulher surgiu, baixa e trêmula.

“Natália, meu nome é Carolina Farias. Rosalina disse que você talvez pudesse ajudar. Eles sabem que estou procurando provas. Se acontecer alguma coisa comigo, siga o dinheiro.”

Olhei para Natália.

“Você falou com Carolina?”

“Duas vezes.”

“E escondeu isso de mim também?”


“Na segunda ligação, outra pessoa entrou na linha.”

Augusto iniciou o arquivo seguinte.

Dessa vez, a voz estava distorcida.

“Se quiser receber o restante dos documentos de Carolina, transfira o valor para a conta indicada. Nenhuma polícia. Nenhuma Helena.”

A gravação terminou.

“Você pagou uma chantagem de setecentos e cinquenta mil reais sem avisar ninguém?”, perguntei.

“Eu precisava saber para onde o dinheiro iria.”

“Isso não faz sentido.”

“Faz quando você marca a transferência para rastreamento antes de autorizá-la.”

Natália explicou que havia avisado discretamente o setor antifraude de seu banco e preparado a operação para preservar os dados do beneficiário.


Ela queria que a pessoa do outro lado acreditasse que recebera o dinheiro sem resistência.

“E conseguiu os documentos?”

“Não.”

“Então perdeu três quartos de milhão.”

“Talvez.”

Augusto deslizou outro relatório sobre a mesa.

“Na verdade, não.”

Olhei para ele.

“O dinheiro saiu da conta de Natália, passou pela empresa de Beatriz e, seis minutos depois, foi enviado para outra conta.”

“De quem?”


Augusto não respondeu imediatamente.

“Estamos confirmando.”

Meu telefone vibrou.

Era uma mensagem do hospital.

Rosalina queria falar comigo novamente.

Quando voltei ao quarto, encontrei-a inquieta.

“Carolina ligou de um número bloqueado”, disse Rosalina antes mesmo que eu me sentasse. “Ela falou que estavam seguindo ela.”

“Natália confirmou que falou com ela.”

Rosalina pareceu aliviada.

“Então Natália não inventou tudo.”


“Isso não significa que seja inocente.”

“Eu não disse que era.”

A frase me fez parar.

“Você sabe mais alguma coisa sobre ela?”

“Sei que Beatriz sabia do caso.”

Meu coração acelerou.

“Desde quando?”

“Desde o começo.”

“E deixou Marcelo continuar?”

Rosalina soltou uma risada amarga.


“Beatriz não deixa ou deixa nada por sentimento. Ela usa as pessoas.”

As palavras de Carolina voltaram à minha cabeça.

Pessoas úteis.

Pessoas com acesso.

“Você acha que Natália foi escolhida?”

“Assim como você. Assim como Carolina.”

A diferença era que Natália também tinha cometido escolhas próprias.

Eu não estava pronta para perdoá-la.

Mas começava a enxergar o padrão.

Augusto ligou menos de uma hora depois.


A segunda conta havia sido identificada.

O titular não era Marcelo.

Nem Beatriz.

Nem Natália.

Era uma empresa de contabilidade.

Meu coração bateu mais forte.

“Qual?”

“Almeida Gestão Empresarial.”

Conhecia o nome.

Muito bem.


A empresa pertencia ao homem que cuidava das minhas contas havia quase oito anos.

Ricardo Almeida.

O mesmo contador que me telefonara durante a viagem para questionar a autorização incomum.

Fechei os olhos.

“Tem certeza?”

“Absoluta.”

“Ele me alertou sobre a transferência.”

“Talvez justamente porque precisasse que você acreditasse que estava do seu lado.”

Senti um gosto metálico na boca.

Ricardo conhecia as contas da minha empresa.

Conhecia minhas reservas.

Conhecia minhas rotinas financeiras.

E, pior, havia sido Marcelo quem insistira, anos atrás, que eu contratasse o escritório dele.

Uma lembrança surgiu de repente.

Marcelo dizendo:

Você trabalha demais. Precisa de alguém confiável cuidando dessa parte.

Confiável.

Quase ri.

“Tragam Ricardo para depor.”

“Já estamos tentando.”

“Como assim, tentando?”

“Havia uma equipe a caminho do escritório dele.”

Augusto fez uma pausa.

“Está vazio.”

Meu peito apertou.

“Ele fugiu?”

“Computadores retirados. Arquivos destruídos. Funcionários dispensados ontem.”

Ontem.

Antes de Marcelo e Beatriz serem presos.

Aquilo significava que alguém sabia que tudo estava desmoronando.

“Augusto…”

“Tem mais.”

Ouvi papéis sendo movimentados.

“Encontramos registros de pagamentos antigos da empresa de Ricardo para Marcelo.”

“Quanto antigos?”

“Onze anos.”

Olhei para a parede sem enxergá-la.

Onze anos.

A mesma época da fotografia encontrada no guarda-volumes de Carolina.

“A foto”, murmurei.

“Também pensei nisso.”

Ricardo talvez não tivesse apenas ajudado Marcelo a roubar meu dinheiro.

Talvez tivesse sido a pessoa que apontara para mim no começo.

Antes que eu pudesse responder, Augusto continuou:

“Helena, um dos investigadores encontrou uma reserva de passagem feita esta manhã.”

“De Ricardo?”

“Sim. Para Buenos Aires.”

“Quando é o voo?”

“Daqui a três horas.”

Meu corpo inteiro ficou alerta.

“Então peguem ele.”

“Estamos tentando.”

“Augusto, ele tem acesso a informações suficientes para destruir minha empresa mesmo de fora do país.”

“Eu sei.”

Desliguei e voltei para o quarto de Rosalina.

Ela percebeu minha expressão.

“Foi ele?”

“Ricardo.”

Rosalina fechou os olhos.

Não pareceu surpresa.

“Você sabia?”

“Não o nome.”

“Mas?”

“Carolina disse que a pessoa por trás de Marcelo nunca aparecia nas fotos, nunca assinava os documentos mais perigosos e sempre deixava outra pessoa parecer culpada.”

Meu celular vibrou novamente.

Mensagem de Augusto.

RICARDO NÃO EMBARCOU.

Logo abaixo, outra mensagem chegou.

ENCONTRAMOS O CARRO DELE NO ESTACIONAMENTO DO AEROPORTO.

E então a terceira.

HAVIA SANGUE NO BANCO DO MOTORISTA.

Fiquei encarando a tela.

Ricardo não estava fugindo.

Alguém tinha chegado até ele primeiro.

Continua — clique na Parte 7 para continuar lendo.

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