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A Amante Chutou A Esposa Grávida No Hospital — Mas Uma Frase Do Diretor Fez O Marido Bilionário Perder A Cor

Ricardo ficou olhando para a terceira imagem por tempo demais.

Eu conhecia meu tio o suficiente para perceber quando ele estava assustado. Ele não arregalava os olhos, não levantava a voz, não fazia perguntas apressadas. Ficava mais quieto. Era exatamente o que estava fazendo agora, com o tablet imóvel entre as mãos e os olhos presos à imagem de Gustavo encarando diretamente a câmera enquanto escondia meu celular no paletó.

— Ele sabia que estava sendo filmado — murmurei.

Ricardo levantou os olhos.

— Sim.

— Então por que faria isso?

Ele não respondeu imediatamente.

Camila permanecia perto da porta, desconfortável.

— Doutor, quer que eu peça à segurança para verificar as outras câmeras?

— Todas — respondeu Ricardo. — Entrada, elevadores, estacionamento, recepção. Desde o momento em que Mariana chegou.

Camila assentiu e saiu.

Assim que a porta se fechou, Ricardo colocou o tablet sobre a mesa.

— Preciso perguntar uma coisa e quero que pense antes de responder. Gustavo sabia que você tinha fotografado aqueles documentos?

— Não.

A resposta saiu rápido demais.

Ricardo percebeu.

— Tem certeza?

Pensei na noite em que encontrei a pasta azul.

Gustavo estava num jantar com investidores no Fasano. Eu havia entrado no escritório procurando meu passaporte porque ele mencionara, naquela manhã, uma viagem para Lisboa depois do nascimento da bebê. A gaveta inferior da escrivaninha estava destrancada. Dentro dela, escondida sob contratos imobiliários, estava a pasta.

Eu não deveria ter aberto.

Mas meu nome aparecia numa etiqueta lateral.

Havia transferências milionárias ligadas à Fundação Albuquerque, contratos de prestação de serviços com empresas desconhecidas e autorizações digitais atribuídas a mim. Algumas datas correspondiam a períodos em que eu sequer estava em São Paulo.

Fotografei tudo o que consegui.

Quando ouvi o carro de Gustavo chegando, fechei a gaveta e subi.

Naquela noite, ele entrou no quarto quase uma hora depois.

Ficou parado na porta.

— Mexeu no meu escritório hoje?

Eu estava deitada.

Meu coração disparou.

— Procurei meu passaporte.

Ele não respondeu por alguns segundos.

Depois sorriu.

— Da próxima vez, peça.

Na manhã seguinte, meus cartões começaram a apresentar problemas.

Dois dias depois, ele pediu o divórcio.

Senti minhas mãos esfriarem.

— Talvez ele soubesse.

Ricardo passou a mão pelo rosto.

— Mariana, isso muda tudo.

— Por quê?

— Porque talvez ele não tenha pegado seu celular por causa de uma discussão conjugal. Talvez tenha pegado porque sabia exatamente o que estava nele.

O monitor continuava registrando o coração da minha filha enquanto meu próprio coração parecia bater dentro da garganta.

— As fotos estão sincronizadas.

Ricardo ergueu a cabeça.

— Onde?

— Na nuvem.

Pela primeira vez, vi algum alívio.

Peguei o tablet do hospital e tentei acessar minha conta. A senha funcionou. Depois apareceu uma solicitação de autenticação enviada para meu telefone.

Meu telefone estava com Gustavo.

— Droga.

Ricardo puxou o aparelho para perto.

— Há outro dispositivo conectado?

Pensei.

Então me lembrei.

— Meu notebook.

— Onde está?

— Em casa.

O alívio desapareceu.

A casa da Avenida Europa pertencia a uma empresa do grupo Albuquerque. Os funcionários respondiam a Gustavo. A segurança respondia a Gustavo. Até o motorista que me levava às consultas enviava relatórios à secretária dele.

Ricardo compreendeu antes que eu precisasse explicar.

— Você não vai voltar lá sozinha.

— Preciso daquele computador.

— Mandamos alguém.

— Quem?

Ele ficou em silêncio.

Era o problema de estar casada com um homem como Gustavo. Você não sabia onde terminavam os funcionários e começavam os olhos dele.

Uma batida interrompeu a conversa.

O obstetra entrou, examinou os monitores e pediu uma ultrassonografia. Vinte minutos depois, ouvi as palavras que mais precisava ouvir: minha filha estava bem. Não havia sinais imediatos de descolamento placentário, mas eu permaneceria em observação.

Quando o médico saiu, Ricardo recebeu uma ligação.

Atendeu.

Ouvi apenas fragmentos.

— Preserve a gravação... Não entregue cópia a ninguém... Nem ao jurídico dele... Estou descendo.

Ele desligou.

— Gustavo está tentando sair.

— Com meu celular?

— Provavelmente.

Tirei os sensores com cuidado.

— Mariana, não.

— Quero falar com ele.

— Você acabou de sofrer uma agressão.

— Justamente.

Ricardo tentou argumentar, mas viu algo em meu rosto e desistiu. Pediu uma cadeira de rodas, e poucos minutos depois descemos pelo elevador reservado.

Encontramos Gustavo próximo à saída privativa do hospital, acompanhado por dois homens que reconheci imediatamente: Marcelo Tavares, advogado pessoal dele, e André Siqueira, diretor jurídico do Grupo Albuquerque.

Aquilo me assustou mais do que Isabela havia conseguido.

Gustavo não chamava aqueles homens para resolver problemas pequenos.

Quando me viu, sua expressão permaneceu calma.

— Você deveria estar descansando.

— Devolva meu telefone.

Marcelo desviou os olhos.

Gustavo enfiou a mão no bolso e retirou meu celular.

— Você deixou cair.

Eu quase ri.

— Temos a gravação.

Silêncio.

— Que gravação?

— Você colocando a mão dentro da minha bolsa.

A mandíbula dele endureceu.

— Mariana, você está emocionalmente abalada.

— E você está mentindo.

Ricardo deu um passo à frente.

— Entregue o aparelho.

Gustavo olhou para ele.

Depois para mim.

Então estendeu o celular.

Eu o peguei.

A tela estava intacta.

Digitei minha senha.

Errada.

Tentei novamente.

Errada.

Meu estômago afundou.

— Você mudou minha senha.

— Não toquei em nada.

— Gustavo...

— Talvez você tenha esquecido. Acontece. Gravidez, estresse...

— Pare.

Minha voz saiu mais alta do que eu esperava.

Pessoas próximas olharam.

Gustavo se aproximou e baixou a voz.

— Você não sabe onde está se metendo.

Ricardo ouviu.

— Isso foi uma ameaça?

— Foi um conselho familiar.

— Eu não sou sua família — respondi.

Algo brilhou nos olhos dele.

Raiva.

Finalmente.

— Você acha que aquelas fotografias significam alguma coisa?

Meu corpo inteiro ficou imóvel.

Ele percebeu tarde demais o que acabara de admitir.

Marcelo fechou os olhos por um instante.

Ricardo encarou Gustavo.

— Que fotografias?

Gustavo recuperou a expressão.

— Não sei do que vocês estão falando.

— Sabe, sim — respondi.

Aproximei-me dele.

— E agora eu sei que você sabia.

Por alguns segundos, nenhum de nós falou.

Então uma porta lateral se abriu e Camila apareceu acompanhada pelo chefe da segurança.

Ela parecia pálida.

— Doutor Ricardo.

Meu tio se virou.

— Encontraram alguma coisa?

O segurança olhou para Gustavo antes de responder.

— Revisamos as gravações desde a chegada da senhora Mariana.

— E?

Ele segurava uma pasta transparente.

Dentro havia uma folha impressa.

— O senhor Gustavo não foi a primeira pessoa a mexer na bolsa dela hoje.

Meu coração parou por um segundo.

— O quê?

O homem colocou uma fotografia sobre o balcão.

Era uma imagem da câmera da recepção, registrada quarenta minutos antes do chute.

Eu aparecia preenchendo uma ficha.

Minha bolsa estava sobre uma cadeira atrás de mim.

Uma mulher usando uniforme azul do hospital estava inclinada sobre ela.

Não consegui ver o rosto.

Ricardo puxou a fotografia para perto.

— Quem é essa funcionária?

— Esse é o problema, doutor.

O segurança colocou uma segunda imagem sobre a primeira.

A mulher atravessava uma porta de serviço, agora vista de perfil.

Ricardo empalideceu.

— Ela não trabalha aqui.

Olhei novamente para a fotografia e senti alguma coisa familiar naquela postura, naquele cabelo preso, no formato do rosto.

Então vi o pulso dela.

Um pequeno desenho escuro aparecia abaixo da manga.

Uma estrela de quatro pontas.

Eu conhecia aquela tatuagem.

Tinha visto a mesma marca inúmeras vezes enquanto aquela mulher servia café na minha casa, organizava minhas roupas e entrava no meu quarto sem bater.

Levantei lentamente os olhos para Gustavo.

— É a Patrícia.

Patrícia Mendes.

Minha assistente pessoal havia três anos.

Gustavo não demonstrou surpresa.

E foi exatamente isso que me aterrorizou.

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