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A Amante Chutou A Esposa Grávida No Hospital — Mas Uma Frase Do Diretor Fez O Marido Bilionário Perder A Cor

Corri até a porta, mas Eduardo segurou meu braço antes que eu alcançasse o corredor.

— Mariana, não.

— Ele foi embora.

— Eu vi.

— Seu pai acabou de fugir depois que descobrimos que ele mentiu para mim durante cinco anos.

Eduardo estava pálido, mas sua voz permaneceu controlada.

— Justamente por isso você não vai correr atrás dele grávida de oito meses.

A frase me fez parar. Coloquei a mão sobre a barriga. Minha filha se mexeu, firme, como se exigisse que eu me lembrasse de que já não podia tomar decisões apenas por mim.

Teresa, a funcionária do antigo escritório de Lígia, fechou a porta.

— Há mais uma coisa.

Nós nos viramos.

Ela apontou para o envelope.

— A doutora Lígia deixou instruções muito específicas. Se Mariana aparecesse acompanhada de Ricardo Vasconcelos, eu deveria esperar que ele saísse antes de entregar o segundo envelope.

Eduardo ficou imóvel.

— Segundo envelope?

Teresa abriu um pequeno cofre e retirou outro pacote.

Na frente estava escrito:

“PARA MARIANA. SOMENTE SEM RICARDO.”

Meu coração afundou.

Abri.

Dentro havia um cartão de memória e uma carta curta.

“Mariana, Ricardo não é seu inimigo. Mas ele mentirá para protegê-la, e algumas mentiras podem ser tão perigosas quanto a verdade.”

Sentei-me.

Eduardo leu por cima do meu ombro.

— Isso não prova nada contra meu pai.

— Também não explica por que ele fugiu.

Teresa encontrou um adaptador e colocou o cartão no computador.

Havia um único vídeo.

A data era de cinco anos antes.

Minha mãe apareceu na tela.

Helena estava sentada no escritório de Lígia. Parecia cansada. Mais magra do que eu lembrava naquela época.

Então começou a falar.

— Meu nome é Helena Ferreira. Estou gravando isto porque existe a possibilidade de eu não conseguir contar tudo à minha filha.

Levei a mão à boca.

— O Fundo Aurora foi criado com dinheiro meu, mas não apenas para Mariana. Parte dos recursos pertence legalmente a outra pessoa.

Eduardo aproximou-se.

— Quem? — sussurrei.

Minha mãe continuou:

— Cometi um erro há muitos anos. Acreditei que esconder uma verdade protegeria minha família. Ricardo me ajudou a manter esse segredo. É por isso que ele conhece as ameaças.

Ela respirou fundo.

— Augusto Albuquerque descobriu parte da estrutura financeira, mas não foi ele quem me ameaçou. Quando percebeu o que estava acontecendo, tentou me ajudar.

Aquilo destruía outra peça da história.

Augusto não era o inimigo.

— Então quem era? — murmurei.

Minha mãe olhou diretamente para a câmera.

— Se Mariana estiver assistindo, não quero que procure respostas sozinha. A pessoa responsável está ligada à família Albuquerque, mas não da maneira que todos imaginam.

O vídeo terminou.

— Não — falei. — Não pode terminar aí.

Eduardo verificou o arquivo.

— Terminou.

Meu telefone tocou.

Era Ricardo.

Atendi imediatamente.

— Onde você está?

— No estacionamento.

— Por que fugiu?

— Porque Gustavo me ligou.

Meu sangue gelou.

— O quê?

— Ele disse que estava com Patrícia.

Eduardo aproximou-se.

— Pai, você acreditou?

— Ele enviou uma fotografia.

— Onde eles estão?

— Não sei. Ele quer o documento que vocês encontraram.

— Então ele sabe sobre Lígia — respondi.

Silêncio.

— Sim.

— Ricardo, quem ameaçou minha mãe?

Meu tio demorou tanto que pensei que a ligação tivesse caído.

— Eu nunca soube com certeza.

— Mentira.

— Helena suspeitava de alguém.

— Quem?

— Cecília Albuquerque.

O nome me atingiu como uma pancada.

Cecília.

Mãe de Gustavo.

Minha sogra.

Uma mulher que sempre me tratara com uma cortesia fria, quase clínica. Desde o casamento, morava principalmente em Lisboa e raramente aparecia no Brasil.

— Por quê?

— Porque Cecília e Helena se conheciam muito antes de você conhecer Gustavo.

Fechei os olhos.

Mais uma mentira.

— De onde?

— Da universidade.

Ricardo respirou fundo.

— Elas eram amigas.

— Minha mãe nunca mencionou Cecília.

— Esse era o problema.

Ele contou que Helena e Cecília haviam estudado juntas. Anos depois, Helena conheceu Augusto por intermédio dela. Os três participaram dos primeiros investimentos que acabariam formando o Fundo Aurora.

— Então o dinheiro não era apenas da minha mãe.

— Não.

— De quem mais?

Ricardo hesitou.

— Cecília dizia que parte era dela.

— E era?

— Helena dizia que não.

— Por quê?

— Porque o dinheiro original veio da venda de uma patente criada por Helena e outra pesquisadora.

— Quem?

Silêncio novamente.

— Cecília.

A história começava a assumir outra forma.

Não era apenas dinheiro roubado.

Era uma guerra antiga.

— E Gustavo?

— Talvez tenha herdado a obsessão da mãe sem conhecer toda a verdade.

Um som interrompeu a ligação.

Ricardo xingou.

— O que aconteceu?

— Tem alguém aqui.

Depois ouvimos passos.

— Pai? — chamou Eduardo.

A ligação caiu.

Desta vez, Eduardo não tentou me impedir.

Descemos.

O estacionamento estava quase vazio.

Encontramos Ricardo perto do carro, sozinho.

No para-brisa havia um envelope.

Dentro, uma fotografia de Patrícia sentada numa cadeira, aparentemente assustada, mas sem sinais visíveis de ferimentos.

Atrás dela havia uma parede com um logotipo parcialmente visível.

Eduardo reconheceu.

— É um antigo galpão do Grupo Albuquerque em Osasco.

Havia também uma mensagem.

“TRAGA A DECLARAÇÃO DE HELENA. SOZINHO.”

— Não vamos — falei.

Ricardo olhou para mim.

— Se Patrícia estiver lá...

— É exatamente o que eles esperam.

Peguei a fotografia.

Alguma coisa estava errada.

Ampliei com o celular.

Patrícia tinha uma das mãos sobre a perna.

Os dedos formavam um gesto estranho.

Três dedos levantados.

Dois dobrados.

Eu conhecia aquilo.

Anos antes, quando trabalhávamos em eventos da ONG, Patrícia criara códigos simples para indicar números de caixas e salas durante montagens barulhentas.

Três e dois.

Virei a fotografia.

No verso, quase invisível, havia um risco de caneta.

“B32.”

— Ela está nos dizendo onde procurar — falei.

Eduardo encontrou no mapa do galpão uma área de armazenamento identificada como Bloco B.

Box 32.

Não fomos ao galpão.

Fomos primeiro aos arquivos públicos.

O Box 32 estava registrado como depósito permanente de documentos de uma antiga subsidiária chamada Aurora Biotecnologia.

O nome me fez gelar.

Aurora.

Às 23h12, com apoio de uma equipe policial acionada por Eduardo, entramos no galpão.

O Box 32 estava vazio.

Patrícia não estava lá.

Mas no centro do chão havia uma caixa.

Dentro dela, dezenas de documentos antigos.

E um exame de DNA.

Meu nome aparecia numa das linhas.

MARIANA FERREIRA.

Na outra:

AUGUSTO ALBUQUERQUE.

Resultado de compatibilidade de parentesco: 99,98%.

Minhas mãos perderam a força.

— Não...

Eduardo pegou o documento.

— Mariana...

Eu já havia entendido.

Augusto Albuquerque não era apenas o pai do homem com quem eu havia me casado.

Segundo aquele exame, Augusto também era meu pai.

Gustavo era meu meio-irmão.

E alguém sabia disso antes do nosso casamento.

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