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A Amante Chutou A Esposa Grávida No Hospital — Mas Uma Frase Do Diretor Fez O Marido Bilionário Perder A Cor

Por alguns segundos, fiquei olhando para a assinatura sem compreender o que meus olhos estavam dizendo.

Helena Ferreira.

Minha mãe.

Eu conhecia aquela letra. Conhecia o jeito como o “H” começava grande demais e como ela inclinava o último “a” para a direita. Tinha visto a mesma assinatura em bilhetes da escola, cartões de aniversário, documentos da ONG e, durante meses depois de sua morte, nos pequenos papéis que eu não conseguia jogar fora porque eram uma das poucas coisas que ainda pareciam conter alguma parte dela.

— Isso não faz sentido — murmurei.

Eduardo aproximou a pasta da luminária.

— Pode ter sido falsificada.

— Pode — respondeu Ricardo.

Mas havia alguma coisa na voz dele.

Olhei para meu tio.

— Você reconheceu.

Ele não respondeu.

— Ricardo.

— Reconheci a assinatura. Isso não significa que ela tenha assinado esse documento.

Continuei virando as páginas.

A ficha seguinte descrevia minha rotina cinco anos antes: horários na ONG, restaurantes que frequentava, nomes de voluntários, reuniões com patrocinadores. Aquilo não era um projeto social.

Era um relatório sobre mim.

Na terceira página, porém, a linguagem mudava.

“OBJETIVO: preservação dos ativos vinculados ao Fundo Aurora antes da transferência definitiva de controle.”

— Que fundo? — perguntei.

Ricardo ficou rígido.

Eduardo percebeu.

— Pai, você sabe.

Meu tio caminhou até a janela empoeirada.

— Sua mãe tinha patrimônio que você desconhecia.

Soltei uma risada incrédula.

— Minha mãe morreu devendo parcelas do apartamento.

— Era o que ela queria que você acreditasse.

A revelação pareceu absurda demais até para aquela noite.

Ricardo explicou que Helena não tinha sido apenas professora universitária, como eu sempre soubera. Anos antes, ela participara da criação de uma empresa de tecnologia hospitalar com dois pesquisadores. Vendera sua participação antes de a empresa crescer e colocara o dinheiro numa estrutura de investimentos.

— Quanto dinheiro?

Ricardo demorou.

— Hoje? Talvez mais de cento e cinquenta milhões.

Sentei-me.

— E onde está?

— Eu não sei.

— Você espera que eu acredite nisso?

— Helena rompeu comigo justamente porque eu queria que ela encerrasse a estrutura.

— Por quê?

— Porque alguém descobriu que o fundo existia.

Olhei para a fotografia.

Gustavo ao fundo.

— Os Albuquerque.

— Talvez.

— Talvez?

— Naquela época, Gustavo ainda não controlava o grupo. O pai dele, Augusto, controlava.

Aquele nome eu conhecia bem. Augusto Albuquerque morrera poucos meses depois do nosso casamento. Gustavo sempre descrevera o pai como um empresário duro, mas brilhante.

Continuei lendo.

Em uma página havia três nomes destacados: Helena Ferreira, Ricardo Vasconcelos e Augusto Albuquerque.

Abaixo deles:

“BENEFICIÁRIA FINAL: M.F.”

Eu.

Meu peito apertou.

— Gustavo se casou comigo por causa desse dinheiro?

— É possível — disse Eduardo.

— Não.

A resposta de Ricardo veio rápida.

Nós dois o encaramos.

— Por que não?

Meu tio apontou para as datas.

— Porque quando Gustavo se aproximou de você oficialmente, Helena já estava morta havia quase dois anos. Se ele soubesse como acessar o fundo, não precisaria casar com você. Alguma coisa exige sua participação.

Minha mente voltou ao divórcio.

A insistência dele para que eu assinasse.

Os documentos que Marcelo colocara diante de mim.

— Ele queria minha assinatura.

Eduardo assentiu.

— Então talvez o divórcio não seja para tirar você da vida dele. Talvez seja para conseguir uma assinatura específica no meio de dezenas de páginas.

Procurei mais.

No fundo da pasta encontrei uma folha dobrada.

Não era um contrato.

Era uma carta.

“Mariana,

Se um dia você encontrar isto, significa que eu não consegui resolver tudo antes que chegasse até você.”

Minha visão ficou turva.

Era a letra da minha mãe.

Continuei.

“Cometi erros tentando proteger seu futuro. Confiei em pessoas que não deveria e aceitei ajuda de gente que depois quis cobrar um preço alto demais. Aurora não é apenas dinheiro. Nunca assine qualquer documento relacionado à Fundação Albuquerque sem consultar a pessoa indicada no verso desta carta.”

Virei a folha.

Havia um nome.

Dra. Lígia Monteiro.

E um telefone.

Eduardo pegou o celular.

— Vou verificar quem é.

Ricardo continuava olhando para a carta.

— Você conhece esse nome? — perguntei.

— Não.

Desta vez a resposta pareceu verdadeira.

Eduardo pesquisou rapidamente.

— Advogada. Direito sucessório. Escritório em São Paulo.

— Ligue.

Ele discou.

O telefone chamou quatro vezes.

Uma mulher atendeu.

— Escritório Monteiro.

Eduardo se identificou apenas pelo primeiro nome e perguntou pela doutora Lígia.

Houve silêncio.

— Quem deseja falar com ela?

Peguei o telefone.

— Mariana Ferreira.

A mulher do outro lado parou de respirar por um instante.

— Pode repetir?

— Mariana Ferreira. Filha de Helena Ferreira.

Outro silêncio.

— Senhora Mariana... a doutora Lígia morreu há três anos.

Fechei os olhos.

Mais uma porta fechada.

— Ela deixou algum arquivo sobre minha mãe?

— Não posso fornecer informações por telefone.

— Tenho uma carta escrita por Helena pedindo que eu procure Lígia.

A voz mudou.

— Aguarde.

Ouvimos papéis sendo movimentados.

Depois ela voltou.

— Existe uma instrução registrada aqui.

— Qual?

— Caso uma pessoa chamada Mariana Ferreira entrasse em contato, deveríamos entregar um envelope lacrado pessoalmente.

Eduardo e eu nos encaramos.

— Quando posso buscar?

— Amanhã às nove.

— Preciso hoje.

— Senhora, são quase oito da noite.

— Então abra o escritório.

Minha própria firmeza me surpreendeu.

Quarenta minutos depois, chegamos a um pequeno escritório em Higienópolis. Uma mulher de cabelos grisalhos chamada Teresa nos recebeu e colocou um envelope amarelado diante de mim.

No canto havia uma data.

Quatro meses antes do meu casamento.

Abri.

Dentro havia uma chave bancária, uma fotografia e uma cópia autenticada de um documento.

A fotografia mostrava minha mãe conversando com Augusto Albuquerque.

No verso, Helena escrevera:

“Se alguma coisa acontecer comigo, não acredite que foi acaso.”

Minhas mãos começaram a tremer.

Peguei o documento seguinte.

Era uma declaração registrada por Lígia.

Li as primeiras linhas e senti o chão desaparecer sob meus pés.

Helena havia procurado a advogada seis dias antes de morrer.

Declarara estar sendo pressionada para revelar os mecanismos de acesso ao Fundo Aurora.

Mas havia algo pior.

Ela havia identificado a pessoa que a ameaçava.

Não era Augusto.

Não era Gustavo.

O nome aparecia no final da página.

“Declaro que Ricardo Vasconcelos tem conhecimento integral das ameaças e possui uma cópia das provas.”

Levantei os olhos.

Ricardo não estava mais atrás de mim.

A porta do escritório permanecia aberta.

Meu tio tinha desaparecido.

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