— Afastem-se, Capitão de Fragata Siqueira!
A ordem trovejou da tribuna antes mesmo de Bruno tocar o chão.
Soltei o pulso dele no último segundo, transformando o que poderia ter sido uma queda devastadora em uma imobilização controlada. Ele caiu com força sobre um dos joelhos, mais atordoado pela humilhação do que pela dor.
Toda a formação continuou imóvel.
Então o Almirante Ricardo Vasconcelos desceu da plataforma.
O rosto de Bruno mudou.
Ele reconheceu o almirante — mas claramente não entendia por que um dos oficiais operacionais de mais alta patente da Marinha estava caminhando diretamente na minha direção.
— Capitã Alves — disse o Almirante Vasconcelos, parando a menos de um metro de mim —, a senhora está ferida?
— Meu lábio está cortado, senhor.
Ele se virou para o Suboficial-Mor Tomás Ribeiro.
— A agressão foi testemunhada?
— Por mil e quarenta militares, senhor. O microfone estava ligado.
Bruno se levantou às pressas.
— Almirante, ela me atacou!
— Não — respondeu Vasconcelos. — Ela impediu seu segundo golpe.
As palavras percorreram o campo como uma descarga elétrica.
Bruno apontou para mim.
— Ela é apenas uma observadora administrativa. Recusou-se a cumprir uma ordem direta.
O Almirante Vasconcelos o encarou com evidente incredulidade.
— A Capitã Alves não está aqui para observar papelada.
Um oficial superior de inteligência avançou carregando uma pasta preta lacrada.
Vasconcelos pegou a pasta e se voltou para os militares reunidos.
— A Capitã Mariana Alves foi designada como responsável principal pela avaliação deste comando depois que recebemos denúncias de punições não autorizadas, falsificação de resultados de treinamento e retaliações contra militares que apresentaram queixas.
A confiança de Bruno desapareceu.
Retirei do bolso o lenço manchado de sangue.
— Sete militares apresentaram depoimentos — eu disse. — Quatro retiraram suas declarações depois de reuniões particulares no seu gabinete. Dois foram transferidos. E um desapareceu completamente dos registros de serviço.
Os olhos dele se moveram rapidamente na direção do prédio do comando.
Aquele pequeno movimento me disse exatamente onde procurar.
Fiz um gesto para os policiais militares da Marinha posicionados perto da tribuna.
— Isolem o gabinete do Capitão de Fragata Siqueira e apreendam todos os dispositivos eletrônicos sob responsabilidade dele.
Bruno deu um passo para trás.
— Você não tem autoridade para isso.
O Almirante Vasconcelos abriu a pasta preta.
— A autoridade dela é superior à sua.
Os policiais militares começaram a cercar Bruno.
Mas, antes que chegassem até ele, um jovem tenente rompeu a formação e gritou:
— Verifiquem a câmara subterrânea de treinamento!
O campo inteiro explodiu em murmúrios.
Bruno ficou completamente imóvel.
A voz do tenente falhou.
— Ele trancou o Sargento Matheus Gomes lá dentro ontem à noite.
O Suboficial-Mor Tomás Ribeiro me encarou horrorizado.
Matheus Gomes era o militar oficialmente registrado como ausente sem autorização.
Então um socorrista próximo ao prédio do comando ergueu o rádio e murmurou:
— Encontramos a câmara.
Ele fez uma pausa, escutando.
Quando levantou os olhos, seu rosto havia perdido a cor.
— Há seis pessoas lá dentro... e uma delas está dizendo que foi a Capitã Alves quem deu a ordem.
**Continua — clique na Parte 3 para continuar lendo.**







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